Cultura e Lazer

Pelo mundo: nascida do ventre das Filhas do Rei

Parlamento da província, em Quebec
Onipresente: Castelo Le Château Frontenac domina o cenário na Cidade de Quebec
Aidir em Quebéc: o inverno rigoroso contribui para a bela paisagem da região

Em 1663, a colônia francesa da Nova França, hoje província canadense de Quebec, estava prestes a desaparecer. Homens vinham da Europa por períodos determinados, principalmente para explorar a produção e o comércio local de peles. Os poucos que ficavam no território formavam uma comunidade onde havia cerca de uma mulher para cada dez homens. Sem famílias, a colônia estava definhando, com a moral aos pedaços.

O rei francês Luís XIV teve então uma ideia aparentemente estapafúrdia. O monarca decidiu enviar 800 mulheres para o Canadá, com uma missão que deveriam cumprir em seis meses ou retornar para o país de origem: casar com os colonizadores e formar famílias em território canadense. As jovens voluntárias eram órfãs, jovens viúvas ou moças pobres que buscavam uma nova vida fora da França. Elas ficaram conhecidas como as Filhas do Rei (Les Filles du Roi).

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Antes da chegada dos europeus, dez nações indígenas já viviam na região, como os Iroquois e Algonquins no sul, e os Inuits no norte. Além disso, cinco séculos antes de Colombo, aportaram por ali os primeiros europeus. Os vikings, contudo, não colonizaram a região; talvez por isso não tenham levado o estranho título de “descobridores”. Em 1534, o francês Jacques Cartier chegou ao delta do Rio São Lourenço e declarou o território como propriedade do rei francês. Em 1608, Samuel de Champlain fundou ali a cidade de Quebec.

A maior potência da época, o Império Britânico, invadiu a região e derrotou o exército da França na Batalha das Planícies de Abraão. No Tratado de Paris, os franceses foram obrigados a ceder a Nova França ao Reino Unido. Mais de um século depois, a resistência do povo local produziu o Ato de Quebec, de 1774, por meio do qual os britânicos reconheceram o direito da população de praticar o catolicismo, falar a língua francesa e adotar o sistema jurídico napoleônico.

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O nome da província foi oficializado em 1867, quando surgiu o Domínio (britânico) do Canadá, nação que permanecia controlada pela Grã-Bretanha e tinha em Quebec uma das quatro províncias fundadoras. A independência do Canadá veio em conta-gotas ao longo do século 20, e o último laço legal com Londres só aconteceu em 1982. O chefe de Estado do país, contudo, continua sendo o monarca britânico até os dias de hoje.

Nos anos 1960, a chamada Revolução Silenciosa transformou Quebec em uma sociedade secular e moderna. Apesar do nome do movimento, o período incluiu nacionalismo exacerbado e sua consequência quase inevitável: a violência. O sentimento separatista reaparece frequentemente. Em 1980 e 1995, dois referendos determinaram que a província seguiria sendo parte do Canadá. Na última consulta popular, contudo, a diferença de votos foi mínima.

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Montreal, a maior cidade de Quebec, reúne muitos lugares marcantes, como a Catedral de Notre Dame, o Oratório de São José, a cidade subterrânea, com galerias aquecidas que caem muito bem durante o rigoroso inverno canadense, e o Estádio Olímpico, palco dos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. A visita mais charmosa, porém, é à Cidade de Quebec, a cerca de 250 quilômetros de Montreal, capital da província francófona. Uma joia da colonização francesa em um espetacular cenário natural.

Quebec e as demais províncias canadenses têm culturas diversas e já nutriram alguns conflitos, mas até hoje o país soube acomodar suas diferenças, em uma nação que parece valorizar mais as pontes e conexões entre suas comunidades do que as divisões que frequentemente marcam as sociedades ocidentais.

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Quebec e o Canadá representam um exemplo de diálogo, política social justa e desenvolvimento sustentável. Não é à toa que a reação a uma recente ameaça de invasão do presidente americano causou ampla repulsa e reforçou o sentimento de um país formado por várias nações ao longo de toda a sua existência.

Hoje, estima-se que dois terços da população de Quebec descendam das Filhas do Rei, consideradas as mães fundadoras de Quebec. Ao chegar à colônia, as francesas não eram escolhidas pelos ansiosos colonizadores. Segundo as regras, elas tinham o direito de entrevistar os pretendentes antes de tomarem uma decisão. Dez anos depois, a população da região já havia dobrado. O respeito ao direito de escolha e a importância daquelas mulheres talvez tenham sido os primeiros passos de uma história marcada pela justiça social e pela diversidade cultural que ajudou a moldar a sociedade canadense de hoje.

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Carina Weber

Carina Hörbe Weber, de 37 anos, é natural de Cachoeira do Sul. É formada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e mestre em Desenvolvimento Regional pela mesma instituição. Iniciou carreira profissional em Cachoeira do Sul com experiência em assessoria de comunicação em um clube da cidade e na produção e apresentação de programas em emissora de rádio local, durante a graduação. Após formada, se dedicou à Academia por dois anos em curso de Mestrado como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Teve a oportunidade de exercitar a docência em estágio proporcionado pelo curso. Após a conclusão do Mestrado retornou ao mercado de trabalho. Por dez anos atuou como assessora de comunicação em uma organização sindical. No ofício desempenhou várias funções, dentre elas: produção de textos, apresentação e produção de programa de rádio, produção de textos e alimentação de conteúdo de site institucional, protocolos e comunicação interna. Há dois anos trabalha como repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, tendo a oportunidade de produzir e apresentar programa em vídeo diário.

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