Fazendo uma diferenciação entre globalização e mundialização, a partir de um resgate histórico iniciado pelo surgimento do sistema capitalista até a chegada da globalização, Bernard Pecqueur, da Université de Grenoble, na França, abriu os trabalhos do 7° Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional, ontem, 9. Em sua explanação durante a conferência de abertura, realizada no anfiteatro do bloco 18 da Universidade de Santa Cruz do Sul, Pecqueur discutiu a globalização e a repercussão nos territórios.
Com o tema geral Globalização em tempos de regionalização – repercussões no território, a programação do evento promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da Unisc, segue até amanhã, 11. Na solenidade de abertura, a coordenadora do Programa, professora Virgínia Elisabeta Etges, relembrou a trajetória do Seminário desde sua origem, apontando os principais nomes e temas já debatidos pelo evento, que figura entre os principais do País nas discussões sobre desenvolvimento regional. Ademais, destacou as participações internacionais e nacionais, além de abordar a temática desta 7ª edição, que traz a dinâmica dos movimentos globais homogeneizadores em contrapartida aos regionais, capazes de oferecer resistência ao poder da globalização.
Entre outros pronunciamentos feitos por integrantes da Mesa de Honra, composta pela coordenadora do PPGDR, Virgínia Elisabeta Etges, Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Andréia Rosane de Moura Valim, reitora da Unisc, professora Carmen Lúcia de Lima Helfer, presidente da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur), Rodrigo Ferreira Simões, presidente do Fórum dos Coredes, Hugo Ximenes e pelo secretário adjunto da secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Renato de Oliveira, em sua fala, a reitora da Unisc destacou o sucesso do Seminário.
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Além disso, relembrou as edições iniciais do evento, salientando sua pertinência e as relações internacionais estabelecidas. “A Unisc está empenhada em aprimorar os processos de internacionalização, fomentando eventos como este, apoiando intercâmbios e realizando outras tantas ações. Nos alegra poder dizer que hoje mantemos acordos de cooperação com 50 países”, relatou.
A criatividade e a especificidade como recursos para o desenvolvimento
Com o anfiteatro do bloco 18 praticamente lotado, Bernard Pecqueur, economista que estuda o desenvolvimento regional, fez mais do que trazer um resgate histórico dos sistemas econômicos. Além de diferenciar a mundialização da globalização, Pecqueur assinalou que a globalização nos leva a não conhecer o mundo. Como exemplo de sua afirmação, ele apontou o fato de que empresas brasileiras disputam o mercado com empresas estrangeiras, muitas vezes sem nem saber ou conhecer a concorrência. “Esse é um problema que exige que a sociedade se proteja da globalização”, afirmou.
Em seguida, o conferencista alertou para a necessidade de se tomar consciência da finitude dos recursos naturais. “Essa exploração dos recursos naturais tem custos ambientais, que provavelmente serão pagos pelos nossos filhos ou netos. Você pode continuar retirando os recursos, mas tem que pagar por isso. Acontece que isso nem sempre é feito. É nossa responsabilidade fazer essa gestão adequada, porque só retirar sem restituir tem consequências globais”, advertiu.
Outro aspecto trazido pelo palestrante diz respeito à criatividade. Segundo ele, é importante pensar que a questão do recurso natural nem sempre é evidente. “Muitas vezes, ele tem que ser fabricado pelo cidadão”, explicou. Para Pecqueur, é primordial encontrar algo específico de cada região, que permita desenvolver uma atividade econômica. “É imprescindível trabalhar a especificidade a partir do recurso territorial disponível. Isso nem sempre quer dizer produtos, os serviços também são recursos capazes de promover o desenvolvimento”, frisou.
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O pesquisador francês foi enfático ao dizer que a globalização neste momento, exige a capacidade de se adaptar ao mercado a partir das especificidades. “É preciso encontrar (cada região/país) seu lugar no mundo”, orientou. Concluindo seu raciocínio, Pecqueur aconselhou a buscar principalmente por inovações. Levando em conta que as tecnologias estão cada vez mais popularizadas, ele afirmou que a necessidade atual é de inovações culturais. “O desenvolvimento regional passa pelo desenvolvimento cultural, (que acontece) na cabeça do cidadão. Para isso, temos à disposição um recurso infinito: a imaginação humana”, expôs.
Mesas redondas estimulam debate de ideias
Em continuidade à programação do evento, ocorreu na tarde de ontem, 9, a Mesa Redonda 1, cujo tema debatido foi Ações Coletivas em Dinâmicas Regionais. Para abordar o assunto, compuseram a Mesa Rafael Echeverri Perico, do Programa Iberoamericano de Cooperación en Gestión Territorial – Proterritorios (México) e Sara Alexandre Domingues Araújo, da Universidade de Coimbra (Portugal).
Abrindo as falas da Mesa, após apontar que “território é conflito”, Perico falou sobre as atuais mudanças sociais. Segundo ele, essas transformações globais exigem mudanças que só ocorrerão quando houverem mecanismos de negociação que superem as divergências entre países. Esses mecanismos tem o objetivo de permitir que as nações mais pobres possam se desenvolver sem perder suas raízes culturais. Indo ao encontro do pensamento de Bernard Pecquer, Perico destacou que para competir com as nações mais ricas, os países subdesenvolvidos precisam a aprender a inovar.
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Já a pesquisadora Sara trouxe ao debate a proposta do Centro de Estudos Sociais e Núcleo de Estudos sobre Democracia, Cidadania e Direito, de Coimbra, do qual o teórico Boaventura de Sousa Santos é integrante com o programa Alice, apresentado pela pesquisadora. Em sua explanação, ela criticou a hegemonia do Norte sobre o Sul e defendeu a horizontalidade nas discussões sobre justiça social. Sara afirmou que não faltam alternativas no mundo, mas sim, falta um pensamento alternativo sobre as alternativas, pensamento esse que leva em conta não somente teorias ocidentais, mas uma maior pluralidade de pensamentos.
Na manhã de hoje, 10, aconteceu a Mesa Redonda 2, que trouxe ao Seminário um debate sobre A institucionalização dos processos de regionalização. Para tratar do tema, fizeram parte da Mesa, Jorge Hernandez, da Universidad de Rio Cuarto (Argentina), Pedro Silveira Bandeira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Rogerio Leandro Lima da Silveira (Unisc). Hernandez apontou em sua apresentação que as instituições ditam as regras do jogo de uma sociedade. A partir de um ponto de vista econômico, falou sobre o capital como instituição reguladora dos territórios, uma vez que é por meio do capital que as relações exteriores são definidas.
Em seguida, Bandeira abordou o tema geral do debate a partir de uma análise dos 25 anos de atuação dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) do Rio Grande do Sul. Conforme ele, a excessiva distância entre as escalas dos estados e dos municípios, torna necessária, no contexto brasileiro, a institucionalização de sistemas de regiões como o utilizado no Corede. Por fim, Silveira fez uma reflexão sobre o processo de institucionalização das regiões à luz da globalização, tarefa que classificou como “imprescindível e desafiadora”. A programação do Seminário segue na tarde de hoje e amanhã, 11. Confira:
10/09
13h30 – Comunicações de pesquisas
15h30 – Intervalo – Café
16h – 18h – Comunicações de Pesquisas
19h – Reunião do Observatório do Desenvolvimento Regional –
ObservaDR
11/09
9h – 12h – Mesa Redonda 3:
A dimensão multiescalar do desenvolvimento regional – o papel do Estado
Domingos Fernando da Cunha Santos – Instituto Politécnico de Castelo Branco – Portugal
Ronaldo Coutinho Garcia – IPEA – Brasil
13h30 – Mesa Redonda 4:
Construção de conhecimento em Desenvolvimento Regional – aportes teóricometodológicos
Rainer Randolph – IPPUR – UFRJ – Brasil
Virginia Elisabeta Etges – UNISC
15h – Relato Comunicações de pesquisas
15h30 – Encerramento (café)
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