Logo após a tragédia das torres gêmeas nova-iorquinas (2001), alimentou-se a esperança de que norte-americanos compreendessem seus exageros intervencionistas e agissem em sua contenção e moderação.

Mera e ingênua ilusão. O nível e a intensidade da ação e participação americana nos negócios mundiais, com repercussões econômicas e socioculturais, não permitem imaginar-se a viabilidade dessa esperança.

Os EUA constituem-se no grande império econômico-bélico e sem precedentes mundiais, e que não haverá de sensibilizar-se com crises de identidade de outros povos, sobretudo aqueles subordinados e dependentes. Isso significa que se dispõe a pagar o preço e o custo da hegemonia, inclusive com vidas humanas, próprias e de outras nações.

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Então, não se limitará às suas razões de combate ao terror e ao narcotráfico, mas promoverá uma nova e forte redefinição dos papéis globais, dos territórios de dominação e da qualidade e natureza intervencionista. O pós-guerra fria determinou aos demais países a inevitável (e seja o que Deus quiser!) convivência com uma superpotência remanescente.

Irônica e cinicamente, os EUA realizam um discurso pretensamente pacifista e universalista concomitantemente com as práticas intervencionistas, com visíveis interesses no controle dos recursos naturais e a tutela política de países periféricos.

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Os EUA também se impõem pela produção e a distribuição dos produtos de comunicação de massa, influentes para o estabelecimento e o predomínio cultural de um meio e modo de vida, no caso estrangeiro, resultando na perda da autoestima dos nativos e na desfiguração da identidade nacional, entre outros pontos relevantes.

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Mais recentemente, com o extremo desenvolvimento e alcance da parafernália eletrônica midiática e a abertura plena dos mercados econômicos, tais diferenças entre os povos tornaram-se flagrantes e de consequências imprevisíveis.

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Esta experiência contraditória, o interregno entre a decadência – ou seria subjugação? – dos valores sociais e culturais de uma nação e a assimilação/sobreposição de modelos e valores estrangeiros, é comum na história da humanidade.

Mas, nos tempos atuais, revela-se particular e excepcionalmente dramática dada a instantaneidade das comunicações e das ocorrências. Logo, objetivamente, o que sucede é que toda nação com pretensões imperialistas se sujeita à antipatia dos “conquistados e dominados”.

O texto acima, publiquei em outubro de 2012. Qualquer semelhança com fatos recentes não é coincidência!

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Astor Wartchow

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Astor Wartchow

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