“A corrupção é como algumas danças: é preciso haver dois para dançar!”
“O poder não é bom nem mau. O poder às vezes é um bem, às vezes é um mal, tudo depende de quem o maneja.” Essa frase está no livro A Volúpia do Poder (1967), do tchecoslovaco Ladislau Mnacko (1919–1994), em ampla narrativa sobre corrupção e poder no regime estalinista em seu país nos anos 60.
O conflito poder x corrupção x ética é tema de debates permanentes, em todos os níveis da sociedade e nas diversas formas de organização pública e privada.
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Infeliz e sistematicamente, o Brasil aparece na lista mundial dos países com maior índice de corrupção. Esclareça-se, antecipadamente, que não se trata de um problema de natureza e exclusividade do setor público, mas sim também do setor privado.
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Todavia, a corrupção não é um problema de ilegalidade que uma simples modificação legislativa amenizaria. Nem se trata de separar as pessoas em boas ou más, corruptas ou não corruptas, nem de segmentar a corrupção entre pobres ou ricos, público ou privado (que andam sempre de mãos dadas!).
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Entre feitos e desfeitos, entretanto, a população reconhece que sua incorporação social passa pela ação do Estado. Faz sentido, por isso, que nosso povo espera bons exemplos dos governantes.
Porém, na exata dimensão em que não ocorrem os atos de gestão que viabilizem essas perspectivas positivas, o marasmo e a hipertrofia perpassam a sociedade, de cima a baixo, ridicularizando conceitos de ética e honestidade.
Vivemos um acentuado e grave grau de indiferença social que transcende às relações pessoais e profissionais, comprometendo conceitos éticos mínimos, fundamentais para constituição de uma verdadeira sociedade e para a superação de suas diferenças estruturais.
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Selecionar um corrupto por semana e exibi-lo em rede nacional de TV não tem diminuído a corrupção nacional. São vários os exemplos de corruptos – originários das áreas públicas e privadas – que voltaram à cena e ao palco com a mesma desenvoltura.
Trata-se, pois, de um problema que exige um tratamento sistêmico, cujos pressupostos essenciais são, basicamente, a transparência, a democratização dos níveis de ação e decisão, a desconcentração das estruturas de poder, a quebra de monopólios públicos e privados e, principalmente, uma eficaz ação e julgamento judicial, com repercussões punitivas.
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A corrupção é uma praga social, sem distinção de classe e nível social, de atuação econômica ou funcional. Um fenômeno universal. Detalhe: a corrupção é como algumas danças, “é preciso haver dois para dançar”!
O texto acima foi escrito em 2005. Ou seja, o Brasil é previsível. E está socialmente imobilizado e traumatizado. Qualquer semelhança com o momento não é coincidência!
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