Na noite deste domingo, 15, o Brasil entrará novamente no clima do Carnaval para acompanhar a tão aguardada cerimônia de premiação do 98º Oscar. A presença do talento nacional em cinco categorias será festejada pelos brasileiros.
Em diversos locais do País, será possível acompanhar a transmissão da maior celebração da sétima arte como se fosse um jogo da Copa do Mundo. Em Porto Alegre, a Cinemateca Capitólio exibirá o evento cinematográfico na telona, com entrada franca, na torcida para que o Brasil faça história pelo segundo ano consecutivo.
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Na última semana, a mídia especializada de cinema de todo o mundo projetou os vencedores dos principais prêmios entre as 23 categorias. E o Brasil aparece entre os favoritos, aumentando a expectativa e a apreensão. Este texto, no entanto, não é uma aposta sobre quem serão os vencedores do Oscar. É para reforçar que, independentemente do resultado, nós, brasileiros, já somos os campeões.
E tudo começou em 18 de maio de 2025, data em que O Agente Secreto teve sua estreia mundial no 78º Festival de Cannes. O filme conquistou quatro troféus, incluindo Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho) e Melhor Ator (Wagner Moura), representando um marco na história do cinema nacional.
Após Cannes, a obra acumulou mais de 70 prêmios. Entre eles, o de Melhor Ator (Moura) e Melhor Filme Internacional no Globo de Ouro. Seu outro feito foi levar mais de 2,5 milhões de espectadores aos cinemas, ficando 19 semanas em cartaz.
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O Agente Secreto é a escolha perfeita para representar o Brasil no Oscar. Ambientado na Recife de 1977, uma época cheia de pirraça (como o próprio filme descreve), a obra evidenciou na telona a essência histórico-cultural do País. Em especial, a capital pernambucana, que se torna um personagem tão marcante quanto qualquer outro.
Mendonça Filho consegue, com sucesso, combinar diversos elementos na narrativa da obra, explorando temáticas que, por mais isoladas que pareçam, encaixam-se no contexto narrativo do filme. Sobretudo a perda da memória coletiva e as consequências de viver em um período no qual o governo espionava e censurava a todos para calar a verdade. Prova disso é a inusitada cena envolvendo a “perna cabeluda”, figura folclórica usada por jornalistas da capital pernambucana para não deixar as atrocidades perpetradas pelas autoridades contra minorias passarem batidas na imprensa.
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No centro do caos estão pessoas, cidadãos comuns e agentes do Estado, que precisam sobreviver (e viver) sob os olhares da ditadura. É incrível a maneira como a narrativa consegue desenvolver cada personagem da trama, de modo que todos se tornaram icônicos
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Wagner Moura, o protagonista, brilha não apenas pela sua atuação, mas por interagir com figuras marcantes que engrandecem ainda a história. Não à toa, não apenas o baiano concorre ao Oscar de Melhor Ator, como também todo o grupo estará representado na nova categoria da premiação, de Melhor Direção de Elenco, na qual Gabriel Domingues estará representando o filme. Não se trata apenas do talento de Kleber e de Moura, mas toda essa brasilidade presente em O Agente Secreto que será reconhecida na premiação cinematográfica.
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Além do filme, outro talento nacional, o cineasta Adolpho Veloso, também estará representando o País, disputando o troféu de Melhor Fotografia pelo filme Sonhos de Trem. Seu trabalho já rendeu diversas premiações, incluindo o Critics Choice.
Em um ano marcado por grandes obras do cinema mundial, em que é difícil prever quem vencerá, o Brasil já ganhou. Ainda que retorne sem um troféu, mostramos que somos um país com um cinema forte, que, embora autenticamente brasileiro, traz temas universais que conquistam espectadores de todo o globo.
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Depoimentos exclusivos para a Gazeta
“Acredito que – independentemente do resultado – nós temos um feito raro para comemorar, de colocar em sequência dois filmes de grande relevância na temporada de prêmios. O Agente Secreto teve muito sucesso na temporada da crítica, com vários prêmios e destaque para o elenco e a direção de Kleber Mendonça Filho. Penso que a marca é permanente: de mostrar que existe um caminho para o Brasil chegar ao Oscar, e isso passa por um forte circuito de festivais, campanha e grande investimento.”
Waldemar Dalenogare Neto – Crítico de cinema e comentarista do Oscar 2026 da TV Globo
“Mesmo que o Brasil não ganhe nenhum dos prêmios para os quais está indicado neste domingo, a vitória do cinema brasileiro será gigantesca. Um país que historicamente sempre negligenciou a sua produção cultural e seus artistas, isso quando não os atacou abertamente, como no período da ditadura militar ou nos anos Bolsonaro, conseguir ainda assim entregar ao mundo obras de tamanha qualidade e relevância cultural é algo realmente extraordinário. Estamos realmente vivendo um momento excepcional em nosso cinema, e eu diria que é um privilégio para a nossa geração estar testemunhando isso.”
Marcus Mello – Crítico de cinema e pesquisador santa-cruzense
“Ver nossas histórias ocupando as telas do mundo com tanta força prova que nossa cultura deve sempre ser lembrada. Independentemente de estatuetas, a grande vitória do Brasil é estar voltando a se olhar no espelho e projetando sua identidade para o exterior. Estar no centro do debate global não é sorte, mas o resultado da resistência de uma indústria em expansão. O fato de figurarmos no Oscar novamente e de tantas produções nacionais fazerem sucesso por toda parte já é a nossa maior conquista. Então, não existe derrota!”
Diego Tafarel – Cineasta da produtora Pé de Coelho
“Estou repleto de orgulho em ver o Brasil vivendo esse Oscar. Nossa cultura sendo apresentada para todo o mundo, sendo valorizada. A economia do cinema ganhando cada vez mais força. Eu estou na torcida pelas estatuetas, mas sinto que na verdade já ganhamos como inspiração e orgulho em assistir a esse momento do cinema nacional!”
Fred Luz – Cineasta
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