Invasores romperam tela de portão que fica para a Rua Ramiro Barcelos. Vegetação alta também é motivo de preocupação. Foto: Luana Backes
Em uma das áreas mais valorizadas de Santa Cruz do Sul, a poucos metros da Catedral São João Batista e do comércio central, um imóvel público abandonado tornou-se motivo de preocupação para moradores e comerciantes da região.
Localizado na Rua Ramiro Barcelos, o prédio que durante anos abrigou a Receita Federal apresenta hoje um cenário de abandono. Embora a fachada ainda mantenha aparência relativamente preservada, basta observar um pouco mais para encontrar sinais evidentes de depredação, mato alto, estruturas danificadas e acessos que, segundo moradores, vêm sendo utilizados por invasores.
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O imóvel pertence atualmente à União. Conforme o superintendente regional da Receita Federal, Altemir Linhares de Melo, a área está sob responsabilidade da Superintendência do Patrimônio da União (SPU).
Nas últimas semanas, a situação se agravou. Moradores relatam aumento nas invasões, furtos de materiais e movimentação constante durante a noite, cenário que já resultou em ocorrências policiais e prisões.
Segundo relatos obtidos pela Gazeta do Sul, até outubro de 2025 o imóvel contava com monitoramento frequente e manutenção do pátio, por meio de contrato com uma empresa de vigilância. Após o encerramento desse serviço, o prédio teria permanecido sem qualquer cuidado. De acordo com os vizinhos, as invasões se intensificaram há cerca de duas semanas.
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Embora as ocorrências efetuadas sejam recentes, moradores afirmam que a situação começou a se deteriorar após o encerramento dos serviços de vigilância privada que atendiam o local. Os relatos apontam que pessoas estariam utilizando diferentes formas de acesso ao terreno. Uma delas seria um rompimento na cerca voltada para a Rua Ramiro Barcelos. Outra rota envolveria a entrada pela Rua Gaspar Silveira Martins, através de uma área de vegetação localizada nos fundos do imóvel.
Moradores afirmam ter observado movimentação frequente à noite e nas primeiras horas da manhã, inclusive com grupos deixando o local ao amanhecer. Alguns afirmaram ter visto pessoas saindo do local carregando fios, sucatas metálicas e outros objetos.
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Um dos vizinhos diz que já acionou as forças policiais diversas vezes. O principal temor não está apenas relacionado ao patrimônio público, mas à possibilidade de que a situação avance para imóveis vizinhos.
“Hoje o medo é que essas pessoas passem a olhar para as casas ao redor. A preocupação não é mais apenas com o prédio abandonado, mas com a segurança de quem mora aqui”, relatou.
Quem observa o imóvel pela frente dificilmente percebe a dimensão dos danos apontados pelos moradores. Nos fundos, porém, o cenário é diferente. Segundo os relatos, estruturas metálicas teriam sido removidas, sistemas de ar-condicionado desmontados e parte da fiação retirada. Moradores afirmam ainda que algumas pessoas estariam utilizando o l como abrigo temporário. Além da depredação, o mato alto contribui para a sensação de abandono e dificulta a visualização da área por quem passa nas proximidades.
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O temor dos moradores não se baseia apenas em suspeitas. No dia 23 de maio, a Brigada Militar foi acionada para verificar a presença de um homem dentro do antigo prédio da Receita Federal. Conforme registro, um indivíduo foi encontrado no interior do imóvel e disse aos policiais que procurava materiais que pudesse vender, afirmando ter conhecimento de que outras pessoas já frequentavam o local para furtar fios telefônicos. Houve apreensão de fios e registro da ocorrência.
Em 29 de maio, um novo boletim foi registrado. Segundo o documento, a Brigada Militar recebeu informações sobre um possível furto em andamento no local. Um morador das proximidades percebeu barulhos e acionou os agentes. O suspeito foi localizado nas imediações da Rua Gaspar Silveira Martins portando objetos que, conforme a ocorrência, haviam sido retirados do prédio, incluindo peças de alumínio, tubos de cobre e partes de um aparelho de ar-condicionado. No mesmo registro consta a apreensão de uma porta de alumínio, tubos de cobre de ar-condicionado, ferramentas e uma faca.
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Além desses boletins, a polícia foi acionada outras vezes. Na maioria delas os invasores conseguiram fugir sem serem alcançados, utilizando os fundos do imóvel. Em nota encaminhada à Gazeta, a Brigada Militar confirmou ter sido acionada em diferentes oportunidades durante o mês para averiguar denúncias ligadas à presença de pessoas não autorizadas no antigo prédio da Receita Federal.
Segundo a corporação, os chamados estavam relacionados a furtos de fios, cabos e outros materiais com potencial valor de comercialização. A Brigada Militar informou ainda que, graças à rápida resposta das guarnições, foi possível localizar e prender suspeitos envolvidos nas ações. A instituição também reforçou a importância das denúncias realizadas pela população por meio do telefone 190, destacando que informações sobre características físicas, vestimentas e movimentações suspeitas auxiliam diretamente no trabalho policial.
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A Gazeta do Sul procurou a rede de assistência social para verificar se havia conhecimento sobre a presença de pessoas utilizando o imóvel como abrigo. A coordenadora da Casa de Passagem para Adultos (Albergue), Tamires Maciel, informou que equipes realizaram abordagens sociais em dois momentos consecutivos à noite, acompanhadas pela Guarda Municipal. Entretanto, nenhuma pessoa foi localizada durante as ações.
Segundo ela, uma das dificuldades é que as equipes não possuem autorização para ingressar em propriedades privadas ou públicas sem consentimento do responsável legal pelo imóvel. Posteriormente, um morador contou à reportagem que, justamente em uma das noites em que ocorreram abordagens, uma pessoa teria permanecido dentro do prédio e deixado o local apenas na manhã seguinte. Ao sair, estava carregando um saco com objetos.
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