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Memória: presente de Júlio de Castilhos

Em muitas cidades, as antigas pontes de ferro fundido são tratadas como relíquias e se constituem em referência histórica e verdadeiras atrações turísticas. Em Santa Cruz do Sul, duas garantiram o vaivém da população, mas só uma ainda permanece em uso.

Com a expansão industrial, comercial e populacional que se registrou no fim do século 19 até por volta de 1920, o Brasil passou a importar muitas pontes da Inglaterra e Alemanha, para uso em rodovias e ferrovias. Era a maneira mais rápida de garantir a travessia nos rios.

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Nos dias 3, 4, 5 e 6 de junho de 1897, durante campanha eleitoral, o presidente da Província do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos, instalou seu governo na Vila de São João de Santa Cruz para visitas à região. Ele foi recebido com muitas comemorações e prometeu construir uma ponte sobre o Rio Pardinho, na localidade hoje conhecida como Linha Rio Pardinho.

Já em agosto do ano seguinte, começou a construção dos pilares. Em 28 de janeiro de 1899 (na próxima quarta-feira decorrem 127 anos!), aconteceu a inauguração da ponte, com capacidade para três toneladas. As peças foram importadas pela casa comercial Marcinio Moraes & Mattos, de Porto Alegre, e a construção foi feita pela firma de Agnello Correa da Silva, vencedora da licitação.

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Ao meio-dia, houve grande churrasco na propriedade de Ricardo Grawunder e, à tarde, hora cívica com vivas a Júlio de Castilhos, ao seu sucessor Borges de Medeiros e ao intendente Jorge Henrique Eichenberg. À tarde, ocorreu baile no salão de Ferdinand Kath, animado pelo conjunto “Kathsche Kap-pele”. Júlio de Castilhos esteve representado por Ildefonso Toledo da Fontoura.

A travessia, de mão única, foi um enorme avanço para a ligação entre a vila e o distrito de Sinimbu, região serrana e outras, pois o antigo passo que existia na localidade ficava coberto de água a cada chuva um pouco mais forte. A obra custou 18:715$136 Réis (Rs) e todas as despesas correram por conta da Província.

A velha ponte ainda existe e é usada pela comunidade. Ela fica na divisa entre Linha Rio Pardinho e Linha Borges de Medeiros.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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Lavignea Witt

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