O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach, preferiu não se envolver em polêmicas ao comentar a decisão de Joseph Blatter de renunciar à presidência da Fifa e convocar novas eleições na entidade máxima do futebol. O dirigente olímpico, entretanto, disse que as reformas são “necessárias”. “Respeitamos a decisão do presidente Blatter de renunciar, começar as reformas necessárias, e abrir espaço para uma nova liderança na Fifa, que dirija essas mudanças”, disse Bach nesta terça-feira, 2.
O sindicato dos jogadores de futebol, o FIFPro, cobrou que os atletas façam parte das transformações na Fifa. “A FIFPro acolhe a decisão do presidente da Fifa, Sepp Blatter, de renunciar por acreditar que é uma oportunidade única, e necessária há tempos, para reformar de maneira fundamental o governo do futebol. O esforços fracassará sem a intervenção direta dos jogadores.”
Outro diretamente interessado na renúncia é David Gill, vice-presidente da Federação Inglesa (FA, na sigla em inglês), que no fim de semana renunciou a cargo no Comitê Executivo da Fifa por não concordar com a reeleição de Blatter. “Naturalmente, recebo a notícia de hoje (terça-feira) com um importante primeiro passo da Fifa no caminho das reformas apropriadas. Com disse após as eleições do Congresso da Fifa, simplesmente não poderia aceitar trabalhar no Comitê Executivo da Fifa ao lado do senhor Blatter. Respeito sua decisão e me agrada que exista uma clara determinação para uma mudança verdadeira dentro da Fifa. Isso me permite reconsiderar minha postura”, disse Gil.
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Antes de renunciar, Blatter foi informado que era investigado nos EUA
Joseph Blatter sabia que estava sendo investigado pelos Estados Unidos quando anunciou sua decisão de deixar a presidência da Fifa, nesta terça-feira. O suíço decidiu convocar novas eleições apenas quatro dias depois de ter sido eleito para um quinto mandato. Sob forte pressão de cartolas, de políticos e patrocinadores, Blatter deixa o poder depois de 17 anos como presidente e 39 anos como funcionário da entidade máxima do futebol.
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Mas foi acima de tudo o risco de uma prisão e um processo penal que mais pesaram na decisão. Se no fim de semana Blatter insistia que não renunciaria, tudo mudou quando ele foi informado extraoficialmente que o Departamento de Justiça dos EUA estava tentando montar um caso contra ele, baseado nos depoimentos de dezenas de pessoas, inclusive os cartolas que foram presos nos últimos dias.
Joseph Blatter decidiu renunciar ao cargo de presidente da Fifa
Foto: Getty Images
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A pressão aumentou quando foi revelado que a Justiça americana estava investigando Jérôme Valcke, seu braço direito. Documentos revelaram que ele o secretário-geral da Fifa sabia dos pagamentos de US$ 10 milhões para cartolas no Caribe, que estão sob investigação pelo FBI. Inicialmente, a Fifa insistiu que a carta vazada na segunda-feira à noite não provava nada. Mas, horas depois em Zurique, a crise estava instalada.
Valcke já havia anunciado que não viajaria ao Canadá, um forte aliado dos EUA, para a abertura do Mundial Feminino, que ocorre no fim de semana. Ele era o principal executivo do torneio que, nos últimos anos, ganhou uma nova dimensão na entidade. Mas fontes em Zurique confirmam que existiam temores de que, estando no Canadá, a polícia local pudesse atender a qualquer momento um eventual pedido de extradição por parte dos EUA. Para Blatter, ter seu braço direito envolvido poderia significar um contágio imediato.
O Ministério Público da Suíça também indicou que havia aberto um novo processo penal por lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta contra um alto funcionário da Fifa. Mas garantiu que, por enquanto, não se trata de Blatter. Mas, aconselhado por seus advogados e cobrados por patrocinadores, Blatter decidiu renunciar num escândalo de corrupção que fez sete presos em Zurique e se aproximou de seu gabinete. Para completar, um tribunal de Nova York deve publicar nesta quarta-feira a íntegra de depoimentos no processo da Fifa, o que poderia trazer à luz nomes como o de Blatter, citados textualmente por testemunhas e mesmo por condenados.
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