O descrédito que os três poderes de Estado alcançaram, associado aos sucessivos escândalos que impunemente apropriam-se do “dinheiro do povo”, sugere que o próximo processo eleitoral será significativo e revelador.

Não bastasse o desafio de uma pauta grave e inesgotável (crise fiscal, inflação, industrialização inerte, queda da qualificação empregatícia, assistencialismo sem “portas de saída”, e, sobretudo a insegurança social), tudo indica, porém, que o debate presidencial será mediocrizado e vulgarizado.

A decadência ética e temática é aditivo suficiente para o rebaixamento do nível argumentativo. Não à toa, desde já resulta uma alta audiência polarizada, em evidente vantagem frente à hipótese de uma terceira via viável e qualitativa. Tudo indica uma polarização irreversível.

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Se não, como explicar que um ex-deputado estadual, de desempenho modesto e trajetória polêmica, porém, hoje senador Flávio Bolsonaro, ainda que filho de um ex-presidente (igualmente de histórico modesto e trajetória polêmica), possa alcançar os expressivos percentuais de preferência nas pesquisas?

Os números tornam-se ainda mais expressivos se considerarmos que concorrem na oposição ao governo Lula os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, de desempenho e aceitação pública acima da média em seus respectivos Estados. Aliás, ambos reeleitos!

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Em 2022, Romeu Zema foi reeleito governador de Minas Gerais, com vitória no primeiro turno. Já Ronaldo Caiado, igualmente duas vezes governador de Goiás, foi duas vezes eleito em primeiro turno.

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Repito, como explicar o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas? Se uma explicação é a rejeição ao governo, mas sobretudo rejeição à figura do presidente Lula, cabe perguntar: por que tal rejeição não favorece os demais candidatos de oposição?

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Haja vista o limitado histórico do senador, será que o sobrenome do ex-presidente é tão magnético (coronelismo?) a ponto de agregar valores eleitorais (conservadorismo?) ao filho candidato? A ponto de superar concorrentes de trajetória e experiência executiva, como Zema e Caiado?

Ou tal preferência popular reflete uma rejeição radical, uma “vingança” face a circunstâncias de um período em que houve uma série de atos que sugeriram uma “perseguição institucional”, com obstruções judiciais de atos legítimos da administração anterior?

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Atos que prosseguiram, encerrada aquela gestão, alcançando punitivamente (e prisional) centenas de cidadãos e ex-governistas à conta de uma suposta tentativa de um golpe de Estado.

Para entender o desempenho pré-eleitoral de Flávio Bolsonaro, de momento, concluo que se trata de parcela da população que pretende “dar o troco” ao que denomina de “sistema”. Cenário agravado com os escândalos e com as “cerejas no bolo” que revelaram a promiscuidade institucional.

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Astor Wartchow

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