Em janeiro, os parreirais se colorem na região. As uvas, de diversificadas variedades, vão amadurecendo a seu tempo e o aroma característico vai se espalhando e anunciando que é época de colheita, também conhecida como vindima.
Para alguns produtores, a colheita desta safra teve início na semana passada e já revela uma perspectiva de aumento na produção. Isso se dá, segundo eles, pelo favorecimento do clima, com o frio durante o período de dormência no inverno, chuvas mais regulares e as horas de sol, além da boa sanidade, o que contribui para a quantidade e também a qualidade das uvas.
Ainda em maturação, algumas variedades seguirão sendo colhidas até a primeira quinzena de março, em alguns parreirais destinados a uvas viníferas. Em outros, o amadurecimento pode ocorrer em menor período e adiantar os trabalhos nas videiras. Os preços apresentam variações de acordo com a cultivar.
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Na Regional da Emater/RS-Ascar de Soledade, conforme o extensionista rural e assistente técnico Vivairo Zago, são mais de 650 hectares destinados à produção de uvas, dos quais a maior parte, em torno de 590 ha, é de uvas para indústria, sendo mais de 540 ha situados em Encruzilhada do Sul. A produção estimada é de aproximadamente 4.600 toneladas de uva indústria e em torno de 820 toneladas nas uvas de mesa.
A projeção de colheita por hectare é de 10 a 12 toneladas nas uvas destinadas à indústria e 14 a 15 toneladas para as de mesa, mas são valores de média, podendo sofrer variações. A safra no estado promete superar o ciclo anterior. “Destaque para a produtividade esse ano. A qualidade é satisfatória e tende a melhorar com o tempo dessa semana e da semana que vem (sol, seco); concentra açúcar, sabor, e favorece a sanidade, dificultando a entrada de doenças fúngicas e podridões”, menciona Zago.
Na Vinícola Granja do Silêncio, às margens da ERS-400, em Sobradinho, a colheita da uva iniciou na primeira semana de janeiro, em algumas cultivares. O empreendimento, com mais de 25 anos de história, tem sua produção em maioria destinada ao processamento industrial, transformando em vinhos, sucos e espumantes, mas também oferta a uva in natura aos consumidores.
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Conforme Affonso José Wietzke Guarienti, gerente comercial e engenheiro agrônomo, a projeção é de que a safra deste ano supere em 15% a do ano passado. “A safra 2025 foi excelente no estado. O clima proporcionou bastante volume de uva com qualidade. Em 2026, coincidentemente também temos um ano de excelente safra, em que além de muito frio no inverno, tivemos poucas chuvas na época de floração, e isso favoreceu com que a cultura fixasse bastante flor e produzisse mais frutos. Com isso, a estimativa na nossa situação é de 15% a mais de produção, com uma qualidade igual a do ano passado.”
Atualmente, 15 hectares são destinados aos parreirais, em variedades como Niágara Branca, Niágara Rosa, Concord, Couder, Moscato, Lorena, Magna, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Alicante Bouchet, Bordô, Isabel e Moscato Tradicional.
Às margens da rodovia, tanto munícipes como turistas e viajantes param na vinícola para adquirir os produtos e conhecer as instalações, em um dos cartões-postais de Sobradinho. A atuação se expande para a região Central do estado, mas “muitas vezes se recebe turistas de outros estados, países, e o produto acaba viajando, então o nome de Sobradinho acaba indo um pouco mais longe”, ressalta Guarienti. Sob agendamento, também ocorrem visitações completas às instalações da vinícola.
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Também em Sobradinho, em Linha Quinca, está localizado o empreendimento Vinhedos Redin. Dando sequência a uma tradição dos antepassados, Neimar Redin e a esposa Nádia cultivam parreirais destinados principalmente à produção de vinhos, espumantes e sucos, em sete variedades. “Quando meus avós vieram, a primeira coisa que plantaram foram as parreiras, para ter um vinho tinto para tomar”, conta Neimar, ao lembrar dos costumes de muitas famílias migrantes da Itália e também da Alemanha.
A arquitetura da vinícola desperta atenção e tem sido cenário de muitos ensaios fotográficos, que mesclam o estilo da construção com o verde dos parreirais e da natureza no entorno, sendo este um dos cartões-postais do município, que tem vistas para outro deles, o monumento do Cristo Acolhedor.
Desde o final da década de 1990, o trabalho com as uvas exige dedicação ao longo das estações. Com beneficiamento das uvas, os cinco hectares atuais transformam-se em vinhos, espumantes e sucos, e também são comercializadas in natura diretamente ao consumidor.
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Segundo Neimar, as projeções neste ano também são de uma safra superando a de 2025, podendo chegar a 30% a mais em média. “Começamos a colher na semana passada. A uva neste ano, em todo o estado, está com uma sanidade muito boa e a quantidade também, só faltou um pouco mais de sol agora no final”, explica, ao mencionar os períodos chuvosos do fim do ano e início de janeiro.
Os Vinhedos Redin recebem visitantes diariamente, especialmente durante a safra, como os recentes vindos de Portugal e dos Estados Unidos, muitos dos quais pessoas naturais ou com familiares na região, além de turistas de outras regiões, estados e países. Sob agendamento, recebem excursões, o que inclui degustação.
Quem abre as redes sociais nos últimos dias, encontra uma série de registros fotográficos sob os parreirais dos Vinhedos Segredos da Nona, no município de Segredo. Casais, famílias, amigos, são memórias para se guardar. Com a abertura da visitação iniciada em 15 de janeiro, o número de visitantes na propriedade localizada em Linha Segredo, há aproximadamente 2 km da sede do município, foi expressivo já nas primeiras horas da vindima.
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Dando sequência a uma história iniciada há mais de duas décadas, atualmente são as famílias Feron e Maieron as responsáveis pelo empreendimento, que da produção da uva ganhou também espaço no turismo rural. Com cultivares que despertam a curiosidade pelo tamanho e também pelo peso, que pode chegar até mesmo a 2 kg o cacho, oferecem uma experiência com vivência imersiva, onde valoriza-se o resgate da memória, conectando o visitante com a história do local e ao ciclo produtivo, com a participação ativa na colheita da uva.
Em uma única tarde é possível encontrar dezenas de pessoas simultaneamente passeando pelo vinhedo, aproveitando para conhecer as variedades dispostas sobre os cerca de 3,5 hectares de videiras, ou ainda desfrutando do espaço garden, com ambientes preparados para descanso à sombra e que neste ano ganharam ainda mais atrativos, com poltronas, redes e ambientes para fotos, tudo planejado para bem receber quem vem da região e até mesmo de fora do estado.
Exemplos são o casal de empresários sobradinhenses, Marcélio Moraes e Kamila Bernhard Billig, que visitaram o vinhedo acompanhados da filha Marcela e demais familiares, incluindo visitantes de Porto Alegre, o casal Rafael Corrêa e Estela Maris Billig, que agora passam a desfrutar dos destaques da região Centro-Serra acompanhados da pequena Helena.
Também há visitantes que encontraram no Segredos da Nona um motivo a mais para retornar à terra natal nesta época do ano, prestigiando o empreendimento dos familiares e amigos, como fizeram João Maieron, de Mato Leitão, e Vicente Sonego, de Cacequi, que colheram alguns dos maiores cachos enquanto conheciam mais da produção com Artemio Secretti.
Com variedades em processo de maturação, quem chegar ao Segredos da Nona nas próximas semanas encontrará diferentes paisagens, mas em todas elas o colorido das uvas com e sem sementes, como Vitória, Melodia, Vênus, Cardinal, Magna, Núbia, Ísis, Niágara Rosa, Niágara Branca, Itália, Benitaka, Rubi, Bordô, Moscato Embrapa e Isabel. O preço do quilo varia entre 7 e 14 reais. A produção tem entre seus diferenciais o uso da plasticultura em dois terços do parreiral e também o fechamento no entorno das videiras com telas de proteção, assim como a irrigação por gotejamento em toda a extensão.
Os visitantes são recebidos pelas famílias diariamente, entre 9h e 19h, para conhecer o vinhedo e vivenciar a colheita, partilhando de momentos únicos que unem tradição e os sabores de mais uma boa safra. A expectativa é de que a colheita se estenda até a metade de fevereiro, mas vai depender do ritmo de maturação e da demanda.
As visitações às vinícolas e vinhedos da região podem ter sequência em passeios a demais propriedades voltadas ao turismo rural, englobando ainda roteiros por pontos turísticos e empreendimentos em cada cidade. O Centro-Serra é repleto de belezas e encantos naturais e possui potenciais para o desenvolvimento do turismo, em seus diferentes segmentos, contemplando ainda o comércio e serviços.
Tradicionalmente, há alguns anos, a Praça 3 de Dezembro, no Centro de Sobradinho, é ponto de venda da Feira da Uva in natura para o produtor Fábio Ceretta, de Campestre, e família. Segunda geração da família no cultivo dos parreirais, Ceretta também espera contabilizar aumento da produção nesta safra em algumas cultivares dos 2,5 hectares.
De acordo com o produtor, o clima foi propício para a viticultura. “Em produção está muito boa, os parreirais estão bem carregados. O que atrapalhou um pouco foi a chuva neste período de maturação, para a uva adoçar, principalmente nas uvas de casca mais fina. Nas variedades que temos, no ano passado, em 8 de janeiro já tínhamos uva para vender, e nesta safra atrasou um pouco o desenvolvimento”, salienta o produtor, que deu início à colheita na semana passada.
A comercialização na feira deverá seguir nas próximas sextas-feiras pela manhã, enquanto houver disponibilidade do cultivo, nas variedades Niágara Rosa, Niágara Branca e Francesa.
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