Fora de Pauta

Profissional, mãe e mulher

A editoria de segurança pública nunca foi um lugar simples. Talvez porque lide diariamente com dor, violência, perdas e conflitos. Talvez porque ainda exista, em muitos espaços, a ideia de que esse é um ambiente predominantemente masculino. E talvez justamente por isso, ocupar esse espaço como mulher carregue um significado ainda maior.

Ao longo dos anos, a Gazeta Grupo de Comunicações construiu um histórico importante de mulheres atuando no jornalismo policial. Mulheres que abriram caminhos, conquistaram respeito e mostraram, na prática, que sensibilidade, firmeza e rigor jornalístico podem caminhar juntos. Não é uma trajetória construída agora. 

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Mesmo em tempos de tantas transformações sociais, ainda há certa resistência em algumas instâncias das forças de segurança. Ela nem sempre aparece de forma explícita. Às vezes está no olhar desconfiado, na dificuldade de acesso ou na necessidade constante de provar competência. Mas nada disso pode ser maior do que o compromisso com a informação e com o trabalho sério.

Voltar ao jornalismo depois de oito anos, na editoria que eu sempre quis, também carrega seus próprios desafios. Nesse período, vivi intensamente outra função transformadora, entre atividades profissionais variadas: a maternidade. Ser mãe muda a forma como enxergamos o mundo. 

E talvez essa volta nem fosse possível sem uma rede de apoio. Ainda que pequena, ela faz toda a diferença. Existe alguém ao meu lado que compreende os horários imprevisíveis, as urgências, as saídas às pressas e as coberturas que ultrapassam o fim do expediente. Em uma profissão que exige disponibilidade constante, ter apoio e incentivo dentro de casa não é detalhe – é o que torna possível continuar.

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Também existe algo muito importante nisso tudo: minhas filhas crescerem vendo a mãe realizada profissionalmente. Saber que maternidade e realização não precisam ser caminhos opostos. Que é possível cuidar, amar, estar presente e, ao mesmo tempo, construir uma trajetória própria, com propósito e paixão pelo que se faz.

Retornar à profissão depois desse tempo é reencontrar uma paixão antiga, mas também descobrir um jornalismo diferente daquele que deixei anos atrás.

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Hoje, a informação circula em velocidade quase instantânea. Os fatos acontecem e, em minutos, já estão espalhados em grupos, páginas e redes sociais. Ao mesmo tempo em que isso amplia o acesso à informação, também aumenta a responsabilidade de quem trabalha com jornalismo sério. Porque a rapidez nunca pode substituir a apuração.

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Talvez uma das maiores mudanças esteja justamente no ambiente criado pelas redes sociais. Não apenas pela velocidade, mas pela intensidade dos julgamentos. Há opiniões imediatas sobre tudo. Pessoas são condenadas antes de investigações terminarem. Tragédias viram debates agressivos. Famílias enlutadas convivem com comentários cruéis. E o jornalista, nesse cenário, precisa ter ainda mais cuidado para não contribuir com a espetacularização da dor humana.

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Na editoria de segurança pública, isso é diário. Existe uma linha delicada entre informar e explorar. Entre noticiar e transformar sofrimento em entretenimento. E talvez o maior desafio seja justamente manter o equilíbrio em meio à pressão constante por velocidade e repercussão.

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Por isso, voltar ao jornalismo neste momento exige mais do que disposição. Exige responsabilidade, sensibilidade e rigor. Exige ouvir antes de publicar. Confirmar antes de afirmar. Entender que por trás de cada ocorrência existem consequências reais.

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Sou uma profissional retomando sua trajetória. Sou uma mãe sendo espelho para as filhas. E sou uma mulher ocupando um espaço que ainda desafia e exige resistência. Mas, acima de tudo, sou alguém que acredita no jornalismo feito com dedicação, seriedade e humanidade. É assim que quero construir meu caminho daqui para frente.

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Luana Backes

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Luana Backes

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