Na casa do consultor em dependência química Mário José Kist, Quaresma é tempo de reflexão. Época para deixar de lado as preferências supérfluas e focar na família como o verdadeiro sentido da vida. Sem assumir grandes penitências, o católico, que também atua como diácono na Paróquia Santo Antônio, concebe os quarenta dias que antecedem a Páscoa como um momento propício para ajudar os outros. “Antigamente parecia que tínhamos que andar cabisbaixos e tristes nesta temporada. Para mim, muito mais do que isolamento, porém, é um momento de alegria. Temos que agradecer esse renascimento de Cristo”, comenta.
No mesmo passo que os atuais princípios da Igreja Católica, Kist ao lado da esposa Tânia e dos dois filhos vai em busca de uma renovação espiritual e repassa a fé por onde passa. Tanto que no seu ambiente de trabalho, a Comunidade Terapêutica Recomeçar, aborda o assunto com os residentes e os incentiva a procurar um elo com Deus. “Não é uma questão de religião, mas sim de espiritualidade. Nosso Deus é o mesmo, mas existem variadas formas de crença.” Para ele, esses pequenos atos em que dissemina o bem e a solidariedade, aliados à prática de orações, inspiram significativas atitudes.
Conforme o bispo Dom Canísio Klaus, hoje a Quaresma é compreendida de diferentes formas entre os católicos. Isto porque não se visualiza mais a tristeza ou o pagamento de penitências individualizadas como se via em outras épocas. Todas estas características se transformaram no que ele chama de conversão. “É uma mudança da vida, tempo de olhar para si e voltar-se para Deus”, comenta, reforçando a importância da contribuição e da partilha. “As pessoas devem se aproximar, resolver pendências e celebrar a paz também fora da Igreja.”
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Entre as atitudes que todo cristão deve ter para tornar esse período litúrgico um tempo completo, Dom Canísio cita o jejum, a oração, a caridade e a abstinência. Porém, ressalta algumas alterações. “Cada um deve encontrar a sua melhor maneira de aplicar essas práticas na rotina. Por vezes pode ser visitar um doente, praticar a solidariedade ou até mesmo perdoar. Enfim, executar algo que não se faz no dia a dia, mas que siga o testemunho de Jesus Cristo.” A oração é outro ponto que deve ser trabalhado por meio da participação em celebrações, cultos e também em casa.
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