Agora são duas horas e vinte minutos da madrugada de domingo da Páscoa. Noite de lua plena. Nenhuma das minhas colunas foi escrita a essa hora, até porque é tempo de repousar. Minha intenção era bem outra, com assunto mais ameno. Liguei para o 190 e fui respeitosamente atendido. Falei com a pessoa, me identifiquei e disse que desde as 10 horas da noite havia um barulho insuportável numa casa da vizinhança e que esse fato era recorrente.

Em semana anterior, já havia ligado para a Guarda Municipal pelo mesmo motivo e me orientaram a contatar a Brigada Militar para abrir um boletim de ocorrência. Então, me bateu um desânimo. Acabara de sair de uma amarga e revoltante experiência de um protocolo com uma empresa de telefonia, de nome Escuro, marcando visita técnica para acontecer em dez dias. Ninguém apareceu. Por isso, a palavra protocolo me causa arrepios.

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Mas nesta madrugada me debrucei sobre essa coisa de ter ou ser vizinho. Vizinhos são quase irmãos, socorro para desde uma colher de erva até levar alguém urgentemente para o hospital. Vizinhos, em geral, são seres luminosos. Infelizmente, temos tido alguns azares detestáveis.

Há não muito, tivemos quem mantinha algum comércio noturno no centro da cidade. Encerrava pela meia-noite e então, com amigos convidados, vinha para casa, acendia o fogo para churrasco, ao mesmo tempo em que ligava um som ensurdecedor, começando um animado caraoquê. Depois de duas ou três visitas da Brigada, pararam. E felizmente se mudaram para outro lugar. Se levaram sua educação junto, devem estar incomodando outras pessoas.

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Após muito funk, pagode, samba, farto sertanejo, tudo cantado a plenos pulmões, entrou o último bloco, lembrando as maravilhas do pampa gaúcho. As vozes já davam sinal de cansaço e o cancioneiro guasca encerrou o evento que motivou esta coluna. Às quatro da manhã, os vizinhos foram autorizados a descansar, depois de serem agraciados durante seis horas de som sem fim.

Em nossa cidade, na minha modesta opinião, falta mais atenção e rigor na observância de algumas leis ou, no mínimo, respeito aos outros. Na quinta-feira santa, voltando de uma celebração religiosa, aguardava para atravessar a rua na frente da igreja Espírito Santo. Esperei fechar o sinal e, quando isso aconteceu, ainda dei alguns segundos para iniciar a travessia. Quando me aventurei, um carro em alta velocidade passou o sinal vermelho, ainda me saudando com debochada e sonora buzinada. Aliás, já apelidei aquele lugar como crônica de uma morte anunciada. Inúmeras vezes presenciei a mesma cena, o desrespeito ao sinal e, portanto, à vida do pedestre.

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Voltando de minha caminhada de sexta, dia 3 de abril, encontrei nas calçadas no mínimo três garrafas quebradas, com pontas afiadas esperando algum transeunte desprevenido. Um pouco antes, conversei com homens trabalhando na reposição de fios que haviam sido furtados à noite. Trocamos algumas palavras e deduzimos unânimes: os grandes responsáveis são os receptadores, que não devem ser tantos assim que não se possa saber quem é.

Podemos inserir nesta lista as abomináveis descargas abertas de motos e carros, as velocidades incompatíveis em ruas da cidade, o lixo descartado irresponsavelmente e tantos pecados mais que se cometem contra a saúde, a vida. E se perguntássemos a dez pessoas qual a solução, nove diriam que tudo passa pela educação. Saindo da casa ou da escola, a educação precisa ir junto. Se ficar restrita a esses espaços, a grande casa comum vai continuar sofrendo.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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