A recente edição dominical de um jornal publicou entrevista com o presidenciável Aldo Rebelo. O repórter afirmou/perguntou o seguinte: “O senhor participou de governos do PT, de partidos de esquerda e, agora, se lança candidato por um partido de direita, o Democracia Cristã. O que mudou? Como foi esse movimento?”
Sem perder sua naturalidade e veemência típicas, Aldo Rebelo respondeu, perguntando: “Quem disse que o Democracia Cristã é um partido de direita? O DC está ancorado na doutrina social da Igreja, na defesa dos direitos sociais!”
Essa contestação de Aldo Rebelo é exemplarmente importante e sugere algumas reflexões. Face ao agravamento da polarização e do crescimento das narrativas, prosperou a rotulagem dos adversários político-partidários.
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No campo de atuação dos “fiéis e dos fanáticos”, são compreensíveis a rotulagem e a disseminação das vulgaridades ideológicas. Entretanto, o mesmo comportamento e submissão às narrativas não é de boa prática jornalística.
É interessante observar que qualquer exercício de oposição e crítica ao atual governo (ironicamente autodeclarado de esquerda, apesar de seus inúmeros ministérios e secretarias distribuídos sem coerência ideológica) resulta em imediata nominação e rotulagem: direita, fascista e antidemocrata.
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Em outras palavras, significa dizer que qualquer ato de contestação e oposição ideológico-temática, sobretudo nas críticas aos atos e desdobramentos da gestão pública, é fracionado em duas metades.
O governo e seus aliados ideológicos dizem representar o “campo democrático” (bonito isso, né?), enquanto os demais partidos (ironicamente alguns na base de apoio ao governo) e simpatizantes são “a direita, os fascistas”.
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Repito, esse fracionamento incoerente e seus refrões podem até funcionar no arrebanhamento dos súditos e nas alegorias e narrativas domésticas, mas rebaixa o nível dos debates e das perspectivas da população.
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Inclusive, creio que prejudica o próprio governo e os planos de reeleição do presidente Lula. Afinal, a realidade política que transparece, pesquisa após pesquisa, é a expressiva rejeição à atual administração federal.
E essa rejeição tende a se agravar na proporção da rotulagem dos que divergem, a maioria cidadãos sem comprometimento prévio com ideologias e partidos, porém generalizada e estupidamente nominados como “não democratas e fascistas”.
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Também, é como se partidos ditos conservadores e de direita não pudessem conter e representar planos e dogmas valiosos e propositivos socialmente.
Consequentemente, faz tempo que não há mais debate ideológico e qualitativo, não há planos de desenvolvimento econômico, social e estrutural e de superação dos decadentes indicadores de educação, por exemplo. Infelizmente, prevalecem as rotulagens e as narrativas!
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