Saúde e Bem-estar

Santa Cruz fechou 2025 com 108 casos de esporotricose; veja dicas de prevenção

De janeiro a dezembro de 2025, Santa Cruz do Sul registrou 108 casos de esporotricose, uma infecção fúngica que contamina animais e humanos. Os dados são da Vigilância Sanitária, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. 

Entre os 81 registros em animais, 78 (96,3%) são felinos. Outros três foram em cães. De acordo com o levantamento feito pelo Município, a maioria são machos (75,3%) em situação de abandono (76,1%). Além disso, 17 animais infectados (20,98%) são semidomiciliados, com acesso à rua. 

O Bairro Bom Jesus concentra a maioria dos casos de esporotricose em Santa Cruz do Sul. Ao todo, são 21. O presidente da associação de moradores, Clairton Ferreira, alerta para o grande número de animais infectados. Diante da demanda, afirma que é comum bichos morrerem sem tratamento adequado, o que reforça a necessidade de mais ações de prevenção e controle no bairro. “É triste, mas ficamos de mãos atadas”, lamenta. 

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Em seguida aparece Linha João Alves, com 14 casos. Diante dos números, o Departamento de Vigilância Sanitária reforça que manter os felinos em casa reduz drasticamente o risco de contrair a doença. 

A médica-veterinária do Hospital Veterinário da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Ana Paula Backes Lisboa, explica que os gatos são mais suscetíveis à esporotricose justamente pelo acesso à rua, que aumenta a possibilidade de se envolverem em brigas com arranhadura ou mordedura.

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“Quando o gato está infectado, ele pode coçar a própria ferida e ficar com o fungo da esporotricose embaixo das unhas. Por isso é tão fácil inocular em outros gatos e cães”, salienta.

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Candice Meinhardt, uma das fundadoras da ONG Salve Um Gatinho, percebeu um aumento significativo nos pedidos de resgate envolvendo esporotricose no ano passado. Ao todo, foram sete – e todos são tratados e curados, incluindo Garibaldo e Scarlet. Dois permanecem aguardando adoção.

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“Tem tratamento e tem cura. Infelizmente, não contamos com um local adequado para isolamento, então tomamos muito cuidado no resgate, em razão do alto nível de contaminação em outros gatos”, salienta Candice.

Apesar de se tratar de uma doença transmissível de animais para humanos, a quantidade de pessoas infectadas em 2025 foi 27, ou seja, um terço do total de casos em cães e gatos. Entre 2023 e 2024, o Município recebeu 50 notificações.

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Programa vai enfrentar contaminação

Em fevereiro, a Câmara de Vereadores aprovou projeto de lei do Município que institui o programa de enfrentamento e controle da esporotricose animal e humana em Santa Cruz do Sul. O objetivo é realizar ações de vigilância e controle de casos. 

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Rabuske, explica que a pasta, por meio da Vigilância Epidemiológica, terá o encargo de monitorar os casos humanos e animais, além de emitir diretrizes sanitárias para o manejo ambiental visando a redução do risco de transmissão. “Os casos em humanos confirmados pela vigilância epidemiológica serão tratados diretamente na rede de atenção à saúde”, afirma. 

Segundo Rabuske, a lei aprovada obriga que médicos-veterinários, clínicas, laboratórios e consultórios veterinários públicos e privados notifiquem à Vigilância Epidemiológica casos suspeitos ou confirmados de esporotricose animal. Conforme o secretário, os dados serão centralizados, compartilhados com a Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal e utilizados para fiscalização.

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A secretária de Bem-Estar Animal, Bruna Molz, destaca que com a nova lei o Município passa a garantir atendimento veterinário gratuito e realização de exames para animais suspeitos ou confirmados, pertencentes a pessoas de baixa renda, ONGs e protetores independentes.

Conforme Bruna, também serão feitos distribuição de itraconazol (um antifúngico utilizado no tratamento); o cadastro e o acompanhamento sistemático dos casos; microchipagem dos animais inseridos na iniciativa e notificação com vigilância epidemiológica integrada entre a saúde animal e humana, dentro do conceito de Saúde Única (One Health). 

Ela acrescenta que um decreto municipal está sendo elaborado para regulamentar a distribuição dos medicamentos, com previsão de assinatura pelo prefeito Sérgio Moraes. A partir disso, a Secretaria de Bem-Estar Animal poderá distribuir a medicação, incentivando o tratamento de cães e gatos infectados. Ao longo de 2025, a pasta resgatou 45 gatos com a doença.

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Na avaliação da secretária de Bem-Estar Animal, a medida representa um avanço importante. “Isso significa interromper o ciclo da doença. Significa tratar em vez de abandonar. Significa salvar vidas – especialmente a dos gatos, que são as maiores vítimas desse fungo.”

Subnotificações

A veterinária da Vigilância Epidemiológica, Daniela Klafke, observa que o número de casos pode ser ainda maior do que o registrado. Segundo ela, muitos profissionais (médicos-veterinários ou clínicas) não estão cumprindo com a determinação de notificação obrigatória e, portanto, os dados podem não ser fidedignos à realidade do município. 

Desde julho de 2023, os médicos-veterinários que prestam atendimento privado precisam preencher um formulário para notificação de esporotricose em animais. O objetivo, segundo Daniela, é fazer a vigilância epidemiológica como auxiliar no diagnóstico dos casos da doença em humanos.

Saiba mais

PREVENÇÃO PARA HUMANOS 

  • Uso de EPIs: ao manipular, limpar as feridas ou medicar gatos doentes, é obrigatório o uso de luvas de procedimento, máscaras e óculos de proteção.
  • Higienização: lavar bem as mãos após contato com animais, especialmente os de rua ou que apresentem lesões.
  • Proteção na jardinagem: ao manusear terra, plantas, cascas de árvores e material de decomposição (onde o fungo vive), use luvas e botas para evitar pequenos traumas na pele.
  • Importante: em caso de arranhaduras ou mordidas de animais doentes, a pessoa deve procurar atendimento médico na rede de atenção à saúde.

PREVENÇÃO EM ANIMAIS (PRINCIPALMENTE GATOS)

  • Castração: castrar felinos é a medida mais eficaz para evitar que saiam de casa, briguem e se infectem.
  • Manter o gato dentro de casa (domiciliação): evitar que os gatos tenham acesso à rua reduz drasticamente o risco de contrair a doença em brigas ou no solo.
  • Isolamento de animais doentes: gatos com suspeita ou confirmação de esporotricose devem ser isolados em lugar seguro, longe de outros animais e pessoas.
  • Tratamento imediato: ao notar feridas profundas, principalmente na face e membros que não cicatrizam, procure um médico-veterinário para diagnóstico e tratamento precoce.
  • Não abandonar: nunca abandone um animal infectado. A esporotricose tem cura com o tratamento correto.

MANEJO DE AMBIENTES E ÓBITOS

  • Desinfecção: limpar o ambiente, caixas de areia, comedouros e objetos do animal com água sanitária (hipoclorito de sódio) regularmente.
  • Evitar curativos: não cobrir as feridas dos animais com faixas ou curativos.
  • Atenção: em caso de morte do animal por esporotricose, não o enterre, pois o fungo pode permanecer ativo no solo, mantendo o risco de contaminação. A Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal é responsável por receber e dar a destinação sanitária adequada aos cadáveres de animais mortos em decorrência de doenças, mediante solicitação do munícipe. Nesses casos, o responsável deve fazer o encaminhamento até o Centro de Bem-Estar Animal, onde será realizado o recebimento e o posterior envio para incineração, conforme os protocolos sanitários vigentes.

Informações fornecidas pela Vigilância Sanitária, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde. 

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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