Foto: Claudio Froemming/Divulgação
O amadurecimento do mercado de cannabis medicinal e cânhamo industrial no Brasil exige equilíbrio entre o avanço dos negócios, o rigor científico e a clareza regulatória. Essa foi a principal conclusão da Cannabis Fair, maior evento do setor no País, realizado na semana passada no Transamérica Expo Center, em São Paulo, que contou com a participação de representantes santa-cruzenses.
Para Michelle Brescia, presidente da Associação Ecocannabis de Santa Cruz do Sul, o evento refletiu o impacto direto da evolução tecnológica na ponta final da cadeia: o paciente. “O amadurecimento tecnológico e a diversificação de produtos apresentados abrem caminhos para tratamentos mais acessíveis e eficientes, aproximando a realidade científica da rotina de quem mais precisa”, avalia.
Além do potencial terapêutico, a viabilidade do cânhamo surge como alavanca econômica regional, especialmente para o agronegócio. No entanto, a segurança jurídica é apontada como o único caminho para blindar o setor contra retrocessos.
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“Estamos diante de uma fronteira econômica sem precedentes para o agronegócio e para a indústria nacional, mas o entusiasmo não pode prescindir da prudência”, pondera Michele Martin, advogada, pesquisadora em desenvolvimento regional e integrante do Grupo de Trabalho (GT) Cannabis da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Segundo ela, cada passo comercial ou agrícola precisa estar ancorado na legislação para garantir previsibilidade aos investimentos.
Sob a perspectiva técnica, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) defende que o avanço exige políticas públicas e pesquisas profundas. Diante da diversidade de biomas do País, a prioridade é a definição de um Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) específico para a cannabis, estruturando a cadeia para fins medicinais e industriais. Por ser uma planta resistente e recuperadora de solos, seu cultivo reduz a necessidade de agrotóxicos, alinhando-se a um modelo de transição sustentável no campo.
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A legitimação regulatória e a autoridade médica para a prescrição de fitoterápicos dependem diretamente do fomento à pesquisa de base e do empreendedorismo tecnológico dentro das universidades.
“As universidades desempenham um papel insubstituível. São elas que fornecem o lastro científico, a testagem de fitoterápicos, o estudo de solos e o mapeamento genético”, frisa Michele Martin. Ela aponta que o fortalecimento acadêmico traduz o potencial da planta em segurança para médicos, investidores e agricultores.
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