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Secretaria Municipal de Saúde não dá trégua na guerra contra o aedes

A guerra ainda não terminou, mas Santa Cruz do Sul tem motivos de sobra para comemorar. Até agora o município não registrou nenhum caso autóctone de dengue, zika vírus e chicungunya. Os únicos dois casos identificados foram de pessoas que em 2015 viajaram para outros estados – Goiás e Bahia – e contraíram a dengue. Este ano não há nenhum registro.

Mas para que o quadro permaneça favorável, as ações de prevenção que tiveram início em março deste ano prosseguem agora com mais uma maratona de visitas às residências para reforçar as orientações repassadas e verificar a existência de novos focos do mosquito. Começa no mês de julho a terceira etapa da força-tarefa, de um total de seis.

Nos primeiros dois ciclos foram visitados cerca de 38 mil imóveis, dentre residências, cemitérios, terrenos baldios, praças, estabelecimentos comerciais e outros logradouros. No primeiro ciclo – março e abril – foram localizados 900 focos de transmissão e já na segunda etapa – maio e junho – esse número reduziu para cerca de 350. Para encerrar mais esta etapa ainda restam cerca de 4 a 5 mil locais a serem visitados.

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A resistência por parte dos moradores e proprietários dos estabelecimentos também diminui a cada visita. Na primeira etapa foram encontradas 8,3 mil residências fechadas e no segundo ciclo 4 mil. “As pessoas estão mais receptivas. Sabemos que é chato, cansativo, mas essa é a ideia do trabalho, orientar até incutir o hábito nas pessoas”, explicou o coordenador das Ações de Combate ao Aedes, Leonardo Rodrigues.

A preocupação agora é com a eliminação dos ovos – que podem durar até 400 dias, independente da temperatura ambiente – para que após o inverno, com a mudança do clima, não se transformem em larvas e depois no tão temido mosquito. Por isso a importância de não apenas trocar a água de recipientes, mas escová-los para evitar que os ovos se fixem nas paredes, aguardando a volta do calor para então eclodirem, dando início a uma nova infestação. “O frio ajuda, mas não elimina o mosquito. Isso só é possível com a destruição dos criadouros”, destacou Leonardo.

Conforme preconiza o Ministério da Saúde, será feito, a partir de agora, um Levantamento de Índice Rápido (LIR), para verificar a redução no índice de infestação pelo aedes egypti. Em uma mostragem de 5% dos estabelecimentos que compõem o contingente obrigatório de visitas, será aplicada a pesquisa. O trabalho deverá durar em torno de cinco dias e é fundamental para comprovar se as etapas anteriores foram, de fato, bem sucedidas.

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Independente do resultado, as visitas a todos os 38 mil estabelecimentos serão feitas novamente, até a conclusão dos seis ciclos bimestrais, o que deverá ocorrer em março de 2017. “Até então fazíamos a eliminação de todo tipo de criadouro, independente de ser aedes ou outro mosquito. Neste levantamento vamos verificar especificamente se baixou o índice de infestação pelo aedes egypti”, disse.

Para o coordenador prevenir é até mais simples do que pode parecer a primeira vista. “São sete dias para que o ovo se trasnforme em larva. Basta uma vez por semana dar uma volta no pátio e fazer uma vistoria para terminar com possíveis criadouros”, disse. Ele destaca que todo o trabalho hoje tem foco na prevenção. “Se tivéssemos a doença seria muito pior, felizmente essa não é a nossa realidade”, comemorou.

Assegurar que a população santa-cruzense permaneça livre das doenças transmitidas pelo aedes egypti é, segundo o secretário de Saúde, Henrique Hermany, o objetivo do trabalho realizado pela prefeitura. “Estamos trabalhando para manter os indicadores positivos, para que ninguém adoeça. A vitória é parcial, ganhamos algumas batalhas, mas a guerra continua”, disse. Ele atribui os resultados obtidos até o momento, ao empenho das equipes, especialmente dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate a endemias, que disseminam as informações e os hábitos que devem ser adotados pela população e à própria comunidade que atende ao apelo.

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Histórico – Em fevereiro deste ano Santa Cruz do Sul foi considerado, pelo Ministério de Saúde, município em situação de infestação pelo mosquito aedes egypti, transmissor da dengue, zika vírus e chicungunya. Mais de 20 focos foram encontrados nos bairros Schulz, Esmeralda, Bom Jesus e Centro. A partir daí uma série de ações foram postas em prática com o objetivo de eliminar novos criadouros, evitar a proliferação do mosquito e o surgimento de uma epidemia de dengue.

Um contingente de 38 mil imóveis foi visitado em duas oportunidades por agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias, esses últimos contratados pela prefeitura para esta finalidade. Ao chegar nesses locais, os agentes distribuíam panfletos explicativos e orientavam moradores sobre como descartar e evitar o acúmulo de água parada em potes, pneus, baldes e outros utensílios, a colocar água nos vasos, manter as calhas e os pátios limpos e adotar outras medidas de prevenção. Em alguns locais – cisternas, piscinas e caixas d`´agua – foram utilizados larvicidas para combater os focos e não deixar o mosquito nascer.

O trabalho também contou com a cooperação de militares do 7º BIB. E nas escolas municipais e estaduais, especialmente nas turmas do ensino fundamental, o tema segue sendo trabalhado em sala de aula, por meio de palestras, jogos e outras atividades com ênfase na prevenção.

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