Os produtores de arroz e soja do Rio Grande do Sul que registraram perdas nas lavouras da safra 2015/16 provocadas por enchentes ligadas ao fenômeno El Niño e financiados pelo Banco do Brasil, terão que recorrer à prorrogação prevista no Manual de Crédito Agrícola (MCR). O anúncio é do ministro Blairo Maggi, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que esteve nesta quinta-feira, 26, em Cachoeira do Sul para inaugurar a 19ª Feira Nacional do Arroz (Fenarroz) acompanhado do vice-governador gaúcho, José Paulo Cairoli, políticos e dirigentes setoriais. A safra orizícola terá quebra de 15,1%, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz, o equivalente a 1,3 milhão de toneladas.
O mecanismo já é utilizado pelos agricultores, o que frustrou a expectativa de uma prorrogação de longo prazo e condições especiais de pagamento, com a retomada do acesso ao crédito. Pelo MCR, os agricultores terão o custeio da safra passada prorrogado por cinco anos, com parcelas anuais, aos juros do contrato, diretamente nas agências, sem necessidade de Ministério da Fazenda. O ministro falou para um público aproximado de 500 pessoas e, depois, ouviu relatos de lideranças setoriais, arrozeiros e sojicultores.
Blairo Maggi também avisou que o Banco do Brasil, responsável por 60% do crédito de custeio liberado nesta safra no estado, recebeu orientação do governo federal de ouvir caso a caso a situação dos produtores e não medir esforços para resolvê-las. “A dificuldade de pagar o custeio da safra atual reflete no acesso ao crédito da próxima temporada, cujos insumos precisam ser comprados em algumas semanas. Isso precisa de solução”, assegurou.
Publicidade
Ele espera que o governo consiga convencer também os bancos privados e cooperativos a ampliarem os prazos de pagamento conforme a capacidade de cada produtor. O presidente Henrique Dornelles, da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) acredita que com o apoio da bancada federal gaúcha e o diálogo aberto com o ministro, será possível buscar solução de longo prazo para a dívida e a retomada do acesso ao crédito. “As regras do Manual não são suficientes. Se os casos pontuais forem tratados com excepcionalidade, teremos um avanço, mas vamos continuar reivindicando negociação condizente com a grave realidade das lavouras atingidas pelo El Niño”.
This website uses cookies.