Envelhecimento virou pauta obrigatória de cronistas – como este que vos digita –, médicos, psicólogos e curiosos em geral. Nem sempre o conteúdo condiz com a realidade, falando de maneira científica. Tenho profunda admiração por autores de textos testemunhais. São, na verdade, depoimentos sem rodeios de pessoas que lidam com as virtudes e mazelas daqueles que têm mais de 60 anos.
Já escrevi aqui, neste espaço, do esforço que tenho feito nos últimos anos para reencontrar velhos amigos e afetos que se perderam pela vida afora. Para mim, além de ser um bálsamo para a alma, essas ocasiões, muitas vezes, significam a valorização do ser humano.
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Em um dos grupos de velhos amigos que frequento, existe um integrante que passa por grandes dificuldades financeiras e pessoais. Eu e os demais parceiros temos feito seguidos movimentos de apoio e de auxílio, mas é durante nossos encontros que a transformação desse nosso amigão fica evidente.
Durante nossas reuniões ele mantém um sorriso permanente. “O cara não fecha a boca!”, comentou um parceiro no último encontro. Além disso, esse parceiro não cansa de recordar histórias hilárias, pitorescas e outras, até trágicas, onde ele foi protagonista: – Isso sim que era vida! A gente se divertia o tempo todo, em todos os lugares, até mesmo nos velórios – costuma repetir.
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Apesar do bem-estar que nossas confraternizações produzem, é preciso reconhecer que nem todos são adeptos à abertura do baú de recordações. Os motivos para essa postura variam. Muitos guardam lembranças amargas e fecharam a memória para os “velhos tempos”. Cada um, à sua maneira, encara os fantasmas e reminiscências. Muitos preferem enterrar episódios, acompanhados de seus personagens.
Não é fácil conviver com a velhice. As restrições se multiplicam a cada ano. É preciso muita força de vontade para adotar hábitos saudáveis, como fazer exercícios físicos, cuidar da alimentação, cortar velhos vícios e reconhecer as limitações.
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Consola o velho ditado de que “o diabo é o diabo não por ser diabo… mas por ser velho”, mas nem sempre a experiência assegura sucesso, alegrias e êxito. Além disso, garantir uma vida saudável muitas vezes custa caro. Duvidam? Então pesquisem sobre os valores dos planos de saúde. Se desistir diante dos valores exorbitantes, tente se imaginar na emergência de qualquer hospital ou unidade de saúde para ver quantas horas de espera serão impostas a qualquer mortal comum.
Para nós, o abandono é implacável, desumano. Somos “estorvo” para os familiares porque somos lentos, vemos e ouvimos mal e nossas vontades raramente se coadunam com os mais jovens. Mas é preciso seguir adiante, sempre, buscando compensações e reconhecimento.
P.S. Um forte abraço aos leitores Bruna Fernandes e Luiz Carlos Pauli pelo carinho das mensagens enviadas por e-mail.
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