O governo federal anunciou a desoneração e a subvenção para a importação de óleo diesel, como forma de minimizar os impactos da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis aos brasileiros. Para compensar essa medida, foi confirmada a ampliação do Imposto sobre produtos industrializados (IPI) aplicado sobre os cigarros. Passa dos atuais 2,25% para 3,5%.
Com a medida, o preço mínimo da carteira sobe de R$ 6,50 para R$ 7,50. Esse aumento deve representar, na projeção do Ministério da Fazenda, um incremento de R$ 1,2 bilhão. Ameniza o custo total com as ações sobre os combustíveis, que pode superar R$ 30 bilhões, considerando as subvenções de diesel nacional e importado e do gás de cozinha, desoneração do IPI/Confins e divisão do custo com os estados para a desoneração de ICMS.
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Entidades e políticos manifestaram preocupação em relação ao anúncio da ampliação da tributação do cigarro. Por meio de nota, a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) reforçou que qualquer análise sobre o setor exige olhar atento ao mercado ilegal, que responde por 31% do consumo, de acordo com a Inteligência em Pesquisa Consultoria Estratégica (Ipec).
“Ignorar o cenário de fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular é dar espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas que financiam o mercado ilegal”, destaca a entidade.
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A Abifumo entende que está aceso um alerta crítico para a economia e a segurança pública no Brasil. Isso porque a sobrecarga fiscal sobre o produto legal resulta em estímulo direto ao mercado ilegal. “Dados do estudo Elasticidades do mercado de cigarros brasileiro comprovam essa correlação: após o aumento desproporcional de tributos em 2012, a participação do cigarro ilegal saltou de 34% (2013) para um pico histórico de 57% em 2019”, explica nota da entidade.
Naquele ano, acrescenta a Abifumo, a evasão fiscal superou a arrecadação do setor, confirmando que o consumidor, pressionado pelo preço, migra para o mercado clandestino, amplamente disponível e sem controle regulatório. Estudo da FGV divulgado em 2025 revela ainda que cada ponto percentual de avanço no mercado ilegal de cigarros corresponde à ocorrência de 5 mil outros crimes no Brasil.
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O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) também manifesta preocupação com o anúncio do aumento da tributação, sobretudo pela expansão do mercado ilegal. “Ao encarecer excessivamente o produto legal, a medida tende a favorecer exclusivamente operadores ilegais, que não recolhem tributos, não cumprem regras sanitárias e não se submetem à fiscalização do Estado”, afirma a entidade sindical, por meio de nota.
A consequência da ampliação do IPI seria, portanto, o fortalecimento das organizações criminosas e a perda de arrecadação e do controle público sobre o setor. Além disso, aponta, tem efeito negativo para todo o sistema integrado de produção, uma vez que as indústrias – importante elo da cadeia produtiva – são fortemente impactadas pela ilegalidade.
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As entidades que representam os trabalhadores e os municípios produtores também se manifestaram. A Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco (Fentitabaco) e a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) dizem reconhecer a relevância de políticas públicas voltadas à estabilidade econômica e à mitigação dos impactos do cenário internacional sobre insumos estratégicos.
No entanto, entendem que a medida, ao transferir para a cadeia produtiva do tabaco o ônus de compensações fiscais, impõe um desequilíbrio que precisa ser avaliado com maior profundidade. Do ponto de vista do setor, o aumento da carga tributária sobre os produtos derivados de tabaco tende a gerar efeitos colaterais relevantes. Entre eles, a retração do mercado formal e o avanço do comércio ilegal e do contrabando.
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O deputado federal Heitor Schuch (PSD) defendeu os produtores de tabaco e criticou a decisão do governo federal de aumentar o preço do cigarro. Alertou que a medida prejudica diretamente os agricultores familiares que dependem da cultura como principal fonte de renda, especialmente no Rio Grande do Sul.
Para Schuch, é inadmissível que essa conta recaia sobre os produtores. O deputado observou ainda que o impacto vai muito além da porteira: todo o setor, que emprega milhares de trabalhadores e sustenta a economia de municípios do Vale do Rio Pardo, é atingido pela medida.
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O deputado Marcelo Moraes (PL) destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passa as suas irresponsabilidades para outros. Citou frases com alternativas sugeridas por Lula, como a de que o traficante é vítima do usuário. “Mas me preocupa algo que foi efetivado, que faz com que aumente em 55% o imposto sobre o cigarro”, alerta.
Reforça que é necessário o corte na tributação dos combustíveis, mas isso deve ser feito na própria carne. “Há poucos dias, 17 dos 38 ministros se afastaram. Sobraram 21 ministérios. Essa economia pode ajudar. O que não pode é colocar no colo dos nossos produtores.” No Rio Grande do Sul 70 mil famílias vivem do tabaco, com 40 mil empregos nas indústrias, sem falar nos indiretos. Moraes reforçou que o aumento da tributação amplia o contrabando.
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