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Silent Hill: Regresso para o Inferno chega aos cinemas de Santa Cruz

O pintor James Sunderland entregou-se ao luto após a morte do seu amor, Mary, que aparentemente morreu de doença desconhecida. Embriagado e expulso de um bar após envolver-se em briga, chega em seu apartamento e depara-se com uma carta no meio da sala de estar. E fica espantado ao descobrir que foi escrita por Mary, na qual pede para que ele retorne à sua cidade natal, Silent Hill.

Sem a certeza de que sua companheira está viva ou não, James sai de casa na madrugada e segue de carro para se reencontrar com seu amor. Entretanto, depara-se com uma cidade fantasma, totalmente abandonada e tomada por névoa misteriosa e cinzas de um incêndio. No lugar dos habitantes, estranhas e diabólicas criaturas caminham pelas ruas.

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Em sua busca por Mary, James mergulha em jornada aterrorizante, sem saber se enlouqueceu ou está caminhando no inferno. Esse é o horror que aguarda o público em Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, em cartaz nos cinemas de Santa Cruz. Escrito e dirigido pelo cineasta francês Christophe Gans, o longa adapta a história do jogo Silent Hill 2, um dos mais populares na franquia de videogames criada pela Konami em 1999. 

Lançada em 2001 para o Playstation 2, foi marcada por narrativa melancólica e complexa sobre o luto e momentos memoráveis, demonstrando o potencial dos videogames como arte, equiparando-se a obras literárias e cinematográficas. Passados 23 anos, foi remodelado para as novas gerações de consoles, aperfeiçoando nuances da história e realçando o visual único do jogo.

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Os potenciais da franquia Silent Hill atraíram a atenção de Christophe Gans. Após demonstrar seu talento em O Pacto dos Lobos, obra esquecida e que merece ser revisitada, decidiu adaptar para a telona os primeiros jogos da série, desenvolvendo história própria inspirada na trama principal. Nascia Terror em Silent Hill, lançado em 2006. O filme, que custou US$ 50 milhões, foi elogiado pela crítica e pelos fãs dos jogos, mas não alcançou a bilheteria desejada, em especial se comparado a outros filmes baseados em videogames. 

Passadas duas décadas, Gans decidiu retornar à franquia e transpor dos videogames para o cinema a história de Silent Hill 2, do qual é notadamente fã. Isso fica evidente durante a exibição de Regresso para o Inferno. Há uma preocupação em recriar integralmente cenas marcantes do jogo.

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Gans demonstra conhecer cada detalhe da narrativa insana e complexa e a jornada de James. Busca escolher com precisão as cenas que precisam estar presentes, as que devem ser retiradas ou alteradas.
Porém, buscar a fidelidade ao material original pode não ter sido o melhor caminho para o cineasta. Mesmo com o capricho e o talento de Gans, a impressão é de que o filme tropeça em vários momentos diante das limitações (sejam relacionadas à narrativa, de tempo ou orçamentárias). Assim, acaba soando inverossímil na tentativa de expor certos elementos visuais, com efeitos mais defasados que os de 2006.

Ao sintetizar a história do jogo em longa de 106 minutos, muitos elementos importantes ficaram de fora, fazendo com que certas cenas não gerem o efeito esperado no público. E, por seguir narrativa não linear, pode frustrar aqueles que não jogaram ou nunca ouviram falar da obra. Entre erros e acertos, Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é uma experiência criativa interessante por tentar experimentar e ser fiel. Mas, diante do seu potencial enorme, acaba ficando no mesmo limbo infernal que amaldiçoou a cidade. 

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A exemplo de The Last of Us, que se transformou em série pela HBO, o longa busca fidelidade ao material original sem alcançar a mesma experiência. Ao olhar para os filmes inspirados em Silent Hill, fica o questionamento: no lugar de tentar adaptar na íntegra um dos jogos, o caminho para as adaptações de videogame não seria criar uma história original que se passa no mesmo universo? Só o futuro dirá.

A nova onda do imperador

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é a primeira adaptação de videogame a chegar às telas em 2026. Com o sucesso recente dos filmes de Super Mario Bros. e Minecraft, as franquias de jogos tornaram-se a grande aposta de Hollywood após a crise dos super-heróis.

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O próximo será Super Mário Galaxy, que chega em abril. Já em maio, será a vez de Mortal Kombat 2. No segundo semestre, serão lançadas as novas adaptações de Resident Evil e Street Fighter, duas obras que já fracassaram no cinema. 

Na briga pela bilheteria, 2026 promete ser um ano decisivo para filmes arrasa-quarteirões, nos quais super-heróis vão bater de frente com personagens dos videogames. O vencedor não só conquistará rios de dinheiro, mas ditará a nova onda do imperador (Hollywood) nos próximos anos.

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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