O crescimento acelerado da energia solar no Brasil trouxe um novo desafio ao setor elétrico: a superoferta de energia em determinados horários do dia. Segundo a coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Mara Schwengberg, o problema não está na fonte renovável, mas na falta de infraestrutura para transportar e armazenar toda a energia gerada.
Em entrevista à Rádio Gazeta, Mara explicou que a geração solar e eólica cresceu de forma expressiva nos últimos anos e já representa cerca de 30% da capacidade instalada de geração do país. No entanto, a rede elétrica não acompanhou esse avanço na mesma velocidade.
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Conforme ela, em períodos de baixo consumo, como feriados, ocorre excesso de geração durante o dia. Para evitar sobrecarga no sistema e possíveis apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa determinar o desligamento temporário de parques solares e eólicos de grande porte.
“O apagão pode acontecer tanto pela falta quanto pelo excesso de energia. Hoje temos uma geração elevada em alguns momentos, mas nem sempre existe capacidade suficiente para escoar essa produção para outras regiões do país”, afirmou.
Embora o Sistema Interligado Nacional permita que a energia gerada em qualquer região seja consumida em outra parte do país, há limitações na capacidade de transmissão. Mara destacou que cerca de 20% da energia produzida no Brasil é perdida durante o transporte.
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Ela compara a situação a uma rede de água. Mesmo havendo grande quantidade disponível, os “canos” nem sempre têm capacidade suficiente para levar toda a energia até os centros consumidores.
O aumento da geração distribuída, formada por sistemas instalados em residências e empresas, também contribui para o cenário. Por isso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) passou a exigir análises mais rigorosas para a aprovação de novos projetos.
Hoje, os sistemas precisam respeitar limites de geração conforme o perfil de consumo de cada unidade. Em muitas regiões, especialmente na área de concessão da RGE, a instalação de grandes usinas solares para injetar energia na rede tem encontrado restrições devido ao chamado fenômeno da inversão de fluxo.
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Segundo Mara, quem já possui sistema instalado mantém as condições aprovadas anteriormente. Já os novos projetos precisam atender às novas exigências regulatórias.
Para a representante da Absolar, o principal caminho para equilibrar geração e consumo passa pelo armazenamento de energia.
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Ela observa que a instalação de baterias em residências e empresas vem crescendo desde o ano passado. A tecnologia permite armazenar a energia produzida durante o dia para utilização à noite, reduzindo a dependência da rede elétrica e o impacto das tarifas.
“O mundo inteiro está caminhando para o armazenamento. A energia solar gera durante o dia, mas o consumo residencial é maior à noite. As baterias ajudam a resolver esse descompasso”, explicou.
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Outro fator que deve impulsionar a adoção de baterias é a possível ampliação da tarifa branca para consumidores residenciais de maior consumo. O modelo prevê cobrança mais elevada nos horários de pico, entre o fim da tarde e a noite.
Com isso, consumidores que armazenarem energia durante o dia poderão reduzir gastos justamente nos períodos em que a eletricidade será mais cara.
Apesar das novas regras e limitações, Mara avalia que a energia solar continua sendo um investimento atrativo. Segundo ela, a redução no custo dos equipamentos e o aumento das tarifas de energia encurtaram o prazo de retorno financeiro.
Atualmente, o tempo médio para recuperar o investimento em um sistema residencial varia entre dois anos e meio e três anos. Em sistemas com baterias, o retorno ocorre em cerca de três anos e meio a quatro anos.
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“Hoje não faz sentido deixar de analisar a energia solar quando existe espaço disponível para instalação. O custo da energia elétrica continua aumentando e a tecnologia está cada vez mais acessível”, afirmou.
Mara destacou ainda que Santa Cruz do Sul continua entre os municípios gaúchos com maior adesão à energia solar. A estimativa é que aproximadamente 15% das unidades consumidoras da cidade já possuam geração própria.
Segundo ela, o município se mantém como referência na adoção de novas tecnologias e também começa a registrar aumento na procura por sistemas de armazenamento com baterias.
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