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Tadinho do Hachiko

Hachiko é o nome de um cão akita, que se tornou símbolo mundial de lealdade ao manter sua rotina diária de esperar o tutor Hidesaburō Ueno em uma estação ferroviária, mesmo após o mal súbito que resultou na morte do homem. A história inspirou a obra do cinema Sempre ao seu Lado, com Richard Gere. É impossível não se emocionar com a expectativa do cão pela chegada do Ueno a cada soar de um novo trem. Hachiko fez essa peregrinação até sua morte, quase dez anos depois. Toda vez que vejo o filme os olhos enchem d’água, e penso “tadinho do Hachiko”.

A história ocorreu em Shibuya, em 1925. Ao voltarmos aos dias atuais, não dá para repetir a frase de comoção pela relação de tutor e cão. Hachiko sofreu a partida do amigo, mas é capaz de nutrir uma parceria que não pode ser explicada em palavras. É cumplicidade pura! Hachiko foi feliz, podendo vivenciar momentos de companheirismo com alguém que lhe demonstrou carinho. Tadinhos de nós, que vivemos em uma época em que outro cão vira motivo de comoção nacional, não por um bom exemplo, e sim pela tirania humana, que não consegue controlar sua ignorância a ponto de agredir o pobre animal até a morte.

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Enquanto muitos exemplos de ações como adoção, carinho e dedicação são vistos no dia a dia, quatro adolescentes evidenciaram que a maldade humana não tem limites. As agressões foram tão fortes que justificaram a eutanásia, diante de tanto sofrimento e em função dos ferimentos. Muita gente foi para as ruas e nasceu a campanha Justiça por Orelha.

Em meio à sua tristeza pela morte do tutor, Hachiko foi feliz. Pobre Orelha, que não teve a mesma sorte. Durante bom tempo, sobreviveu na Praia Brava, em Florianópolis, confiando nos seres humanos e tendo a devida receptividade, com espaço para ficar e até atendimento médico, quando necessitava. Existem muitos outros Orelhas por aí. Alguns deles têm a felicidade de encontrar Uenos em seus caminhos; outros, deparam-se com rapazes inconsequentes.

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Ninguém é obrigado a gostar de animais, basta não tê-los e deixá-los. Sempre haverá quem sabe valorizar essa relação, mesmo que essa capacidade seja justificada por um momento inusitado. É o que relatam Irídio e Irineu na música Cachorro Amigo. Eles contam a história de um homem que, ao casar, teria recebido ultimato da esposa: ou se livra do cão ou perde o casamento. Ele foi levar o animal para o sacrifício em uma canoa, que virou e acabou sendo salvo pelo cachorro. “Hoje em dia sou feliz e com alegria digo: tenho uma mulher amada, também um cachorro amigo”. Já Simone e Simaria, ainda em dupla, fizeram a escolha mais rápida: “Por você eu vivo e morro, mas dessa casa eu só vou levar meu violão e o nosso cachorro”.

A Orelha resta, como ser humano, um pedido de desculpa e o desejo que encontre Hachiko no céu dos cães, para que um possa acalentar o outro. Por mais Hachikos e menos jovens vorazes.

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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