Travis Brickle (Robert De Niro), de 26 anos, entra em uma empresa de táxi para pedir um emprego noturno. Com dificuldade de dormir à noite, encontra no emprego a oportunidade para manter-se ocupado. Veterano da Guerra do Vietnã, o jovem é um rapaz solitário que registra, em diários, uma visão perturbadora sobre a vida e a rotina como taxista. “A solidão me seguiu a vida toda”, escreve.
Trafegando pelas ruas de Nova York das 18 horas às 6 horas, precisa lidar com drogados, prostitutas, cafetões, psicopatas e outras figuras peculiares. Ele os vê como animais que precisam ser abatidos. Espera que um dia toda essa “sujeira” seja levada por uma chuva torrencial.
À medida que mergulha no trabalho, Travis afunda-se na solidão, tornando-se mais paranoico e violento. Ele tenta matar um político, mas falha. Decide então liberar sua raiva em Sport, um cafetão e pedófilo que alicia Iris (Jodie Foster), uma garota de 12 anos.
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Travis inicia uma onda de violência, matando os responsáveis pela prostituição de menores, e é baleado. No período em que fica em coma e se recupera dos ferimentos, o taxista torna-se um herói para a imprensa e a sociedade. E ao receber alta, volta para o seu trabalho de taxista, como se nada tivesse acontecido.
Lançado em 1976, Taxi Driver evidenciou nas telas a decadência norte-americana. É comum que as produções hollywoodianas mostrem as cidades limpas e iluminadas para vender o “Sonho Americano”. No entanto, sob a visão de Martin Scorsese, Nova York é retratada como um grande esgoto a céu aberto, repleto de perigos a cada esquina. A cidade que nunca dorme vira um ser vivo corrompido e imundo, consequência da intervenção humana e da crise política e econômica que assolava os Estados Unidos na época.
O filme é consequência do contexto social que marcou a década de 1970. Iniciando com uma forte pressão popular contra a Guerra do Vietnam, motivo de vexame e humilhação para os combatentes. Além disso, o escândalo de Watergate escancarou a corrupção do presidente Richard Nixon, que renunciou em 1974.
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Com o fim da era da paz e do amor dos 1960, a cultura da época abraçou a violência e a decadência social, especialmente nos cinemas. E Taxi Driver serviu como um barril de combustível atirado em um incêndio incontrolável e devastador.
Foi o período de ascensão dos anti-heróis, figuras polêmicas e altamente violentas que eram vistas como salvadoras em meio ao caos. E Travis Bickle encaixou-se perfeitamente. Criado pelo roteirista Paul Schrader, o protagonista é resultado de um sentimento que perpassou o escritor. E o diretor compôs cada cena de Travis compartilhando a mesma sensação do colega. Isso fica evidente na maneira que o personagem é retratado na tela, de modo que o público absorva as emoções do taxista.
Tomado pela visão do roteirista e do diretor, Robert De Niro entrega uma figura que transita entre o carismático e o ameaçador de cena em cena. Sua atuação evidencia as complexidades de Travis, em especial a ingenuidade, as boas e as más intenções, além da violência acumulada. Sua instabilidade emocional é como uma bomba-relógio, fazendo com que o espectador sinta-se apreensivo o tempo inteiro, já que a qualquer momento ele pode explodir.
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É evidente que os atos de Travis são resultado dos traumas vivenciados no Vietnã, que deixaram cicatrizes físicas e psicológicas. Travis representa os soldados que, abandonados pelo governo, não receberam a atenção devida ao retornarem para casa.
Embora Taxi Driver seja fruto do caos e da turbulência social que os criadores sentiram na década de 1970, trata-se de obra contemporânea. De tempos em tempos, figuras como Travis, pessoas ignoradas ou tratadas como párias, surgem do anonimato e tornam-se famosas ao praticarem atos hediondos.
Passados 50 anos, pouco parece ter mudado. Somente em Nova York, mais de 100 mil pessoas vivem nas ruas enquanto a cidade, e os EUA, lutam contra a epidemia de fentanil. Não basta muito para nos depararmos com Travis Bickle, em carne, osso e cabelo moicano, trafegando em seu táxi pelas ruas.
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