Romar Beling

Todos temos a ver com isso

Chegamos ao final de janeiro, os primeiros 31 dias no ano, com estatística estarrecedora em realidade de Rio Grande do Sul. É um cenário que obriga a reflexão macro, incontornável e inadiável junto a toda a sociedade. O Estado já registrou 11 feminicídios em 2026 (era, ao menos, o número até essa sexta-feira). Onze mulheres perderam a vida por causa de homens que lhes eram próximos, em muitos casos se tratando do companheiro ou do marido das vítimas. O que está acontecendo com a sociedade (mais especificamente com os homens) para que tais atos sejam praticados contra a mulher? Se a sociedade anda perigosa, ser mulher, pelo visto, tornou-se um perigo redobrado, diante do comportamento dos homens.

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Notícias de feminicídio deixam a todos perplexos. No entanto, afora reações de lástima, gera perplexidade o fato de que instituições (os poderes constituídos) pouco têm feito para o enfrentamento real desse drama. É tudo muito vago, lacônico. Não só não estamos sabendo evitar, inibir violências de toda ordem contra a mulher (psicológicas, físicas, até o ponto do assassinato), como nem se constata verdadeira indignação no âmbito da governança. Esse cenário é de tragédia social, e requer presteza à altura de uma calamidade.

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O tema exige do Poder Público, em nível de governo de Estado, nas regiões e nos municípios, enfrentamento emergencial: primeiro, para evitar novos casos (e punir de forma exemplar os praticados); e segundo, de ampla e continuada campanha de esclarecimento e orientação, (re)educando o público de todas as idades, pois leis e estrutura existente, pelo visto, tiveram pouco efeito. Quando uma mulher é vítima, são vitimadas famílias. Não apenas aquela da qual ela fazia parte, cônjuge, filhos, netos, mas também pais, avós, tios, irmãos. São muitos núcleos familiares destroçados. Mas, acima de tudo, é uma vida interrompida, pelas mais variadas motivações hoje tão latentes nessa sociedade embretada na violência, na prepotência, no sentimento possessivo. Ao que parece, as gerações contemporâneas têm sido educadas (no caso, deseducadas) com base em princípios e valores deturpados, muito pouco humanos. O resultado é que nos tornamos uma sociedade fria, prepotente, possessiva e preconceituosa. A regra que vale, para egoístas, é a de que “se não é meu, não será de ninguém”, e isso em relação à natureza e às pessoas, muito especialmente em relação às mulheres.

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Portanto, que, diante deste contexto de 11 feminicídios no Rio Grande do Sul em 2026, o Estado, que tanto se ufana de sua capacidade de mobilização, saiba fazer o que tem de ser feito: aja, não aceite, diga coletivo e sonoro “Não!”. O “Não é não!”, que seguidamente surge como slogan, deve se transformar em um “Não é não!” coletivo dos gaúchos nas agressões às mulheres. Quando se olha para o passado gaúcho, se tem sempre enaltecida a figura de um homem em situação de bravura. Essa imagem precisa, com urgência, ser ajustada, ou o Estado seguirá se olhando em um espelho enviesado. O mundo de hoje exige e pressupõe um homem que entenda que as mulheres são senhoras do seu destino, e que são maioria. Talvez seja até urgente que elas assumam o comando, para que possam tomar as medidas imprescindíveis para sua própria segurança.

Que em organismos, instituições e entidades o tema se torne prioridade, e que seja repercutido diariamente em ambiente educacional e escolar. Bom fíndi, naturalmente sem violências ou agressões!

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Romar Behling

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