Foto: Rodrigo Sales
Motoristas que trafegam pela RSC-287, entre Santa Cruz do Sul e Tabaí, enfrentam desafios em razão das obras de duplicação. Os trabalhos nas margens exigem paciência devido ao sistema pare e siga e à lentidão nos trechos, além de atenção redobrada para transitar em segurança, principalmente por causa dos estreitamentos de pista.
A movimentação de trabalhadores e máquinas da concessionária Rota de Santa Maria segue intensa ao longo da semana, inclusive aos sábados e domingos, impactando a rotina de quem passa pela região. A gerente de operações e passageiros da Viação União Santa Cruz, Vanessa Brum, explica que eventuais atrasos podem ocorrer em razão das intervenções, situação que afeta todos os veículos.
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“Entendemos que esses transtornos são momentâneos. A empresa acompanha a situação e adota medidas para minimizar os efeitos aos passageiros”, afirma. Ela ressalta que é preciso compreensão, pois a obra visa ao desenvolvimento. “As melhorias trarão mais segurança, conforto e eficiência ao tráfego no futuro.”
Da mesma forma, o diretor da LKC Transportes, Alaor Canêz, diz que o transtorno atual representa o avanço de amanhã. “É algo que teremos de suportar se queremos uma duplicação rápida.” Contudo, ele relata que percorrer o trecho tem exigido uma reorganização operacional. “Perdemos cerca de uma hora por dia nesse trânsito. Um motorista precisa sair às 5 horas para percorrer 200 quilômetros em tempo hábil.”
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Acrescenta que as condições da pista são preocupantes. “Alguns pontos geram medo, como logo após o posto da Polícia Rodoviária, no início das curvas de Pinheiral. O local necessita de sinalização melhor em dias de chuva, pois o barro sobre o asfalto deixa a via muito lisa, aumentando o risco de acidentes.”
A concessionária Rota de Santa Maria iniciou nessa terça-feira, 14, as operações de detonação de rochas na RSC-287. As intervenções ocorrem entre os quilômetros 96,5 e 97,1, nas proximidades do acesso à Travessa Leopoldina, em Santa Cruz do Sul, como serviços preliminares para a duplicação da rodovia.
As atividades serão às terças, quintas e sábados. O bloqueio total da pista começará às 13h30, com previsão de liberação em cerca de duas horas – prazo que poderá ser antecipado conforme o progresso dos trabalhos.
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Para garantir a integridade de motoristas, moradores e trabalhadores, será estabelecido um raio de isolamento de 150 metros a partir do ponto das explosões. Painéis de mensagens variáveis e sinalização fixa indicarão os locais e horários das interdições.
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A concessionária orienta os usuários a planejarem deslocamentos com antecedência, uma vez que o trecho não oferece rotas alternativas. Durante o período de isolamento, a entrada na área será proibida. A empresa reforça a necessidade de respeito à sinalização e às orientações das equipes operacionais no local. Dúvidas sobre as intervenções podem ser esclarecidas pelo telefone gratuito 0800 1000 287, que atende 24 horas.
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O gestor regional da transportadora Augusta, de Venâncio Aires, Wolfgang Neitzel, também aponta reflexos no dia a dia. “Na prática, esse cenário representa um aumento médio de 15% a 30% no tempo de deslocamento, podendo ser maior em dias de bloqueio.”
Ele explica que o sistema “anda e para” eleva o consumo de combustível. Na prática, salienta, para uma operação de carga, esse cenário costuma representar um aumento médio de aproximadamente 15% a 30% no tempo de deslocamento nos períodos de maior interferência, que pode ser ainda maior em dias de bloqueio. Segundo o gestor, isso acontece porque o caminhão perde fluidez, trabalha mais tempo em baixa velocidade e enfrenta mais paradas e retomadas.
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“Em um trecho como Santa Cruz do Sul–Tabaí, de aproximadamente 85 quilômetros, um veículo pesado consome de 34 a 47 litros de diesel em condições normais. Com a lentidão, a elevação no consumo é de 12% a 18%, o que significa de quatro a oito litros extras por viagem.” Considerando o preço médio do diesel S10 no Estado a R$ 7,42 (entre 5 e 11 de abril), o acréscimo representa de R$ 30,00 a R$ 60,00 a mais por trajeto somente em combustível, sem contar o desgaste de freios, embreagem e pneus.
Neitzel comenta ainda que, além do custo, a segurança influencia na produtividade. “O motorista exige mais cautela em desvios, o que reduz o rendimento da viagem.” Para ele, os impactos seriam mitigados com planejamento conjunto entre o setor de transportes e a indústria regional. “O diálogo aberto com quem utiliza das vias diariamente e o entendimento da realidade local tornariam o projeto mais sustentável e eficiente.”
A reportagem da Gazeta do Sul fez contato com o setor de comunicação da Rota de Santa Maria. No entanto, não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço continua aberto.
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