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Vegetação causa danos nas redes e provoca apagões no Vale do Rio Pardo

Os temporais que atingiram o Vale do Rio Pardo deixaram um rastro de prejuízos e evidenciaram um problema que, segundo a RGE, distribuidora do Grupo CPFL no Rio Grande do Sul, tornou-se cada vez mais recorrente e grave: o impacto das árvores sobre a fiação.

Além dos danos causados pela queda de troncos e galhos nos cabos e postes, a concessionária alerta para outro efeito que amplia o transtorno: o atraso nos reparos em toda a região. Com equipes mobilizadas em ocorrências complexas, casos pontuais demoram mais para serem solucionados.

Relatos de famílias desabastecidas desde quinta-feira passada tornaram-se frequentes em localidades de Sinimbu, Herveiras e Gramado Xavier. Em Linha Branca, interior de Sinimbu, a comerciante Márcia Tatiane do Nascimento, de 41 anos, conta que ela e outras nove famílias ficaram sem luz desde o meio-dia de quinta-feira, 7. Naquele horário ventava forte, mas a tempestade ainda não havia desabado.

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“É um descaso. Nós ligamos repetidamente e não temos resposta. As contas são altas e estamos perdendo mercadorias”, desabafa. Márcia mantém um comércio na localidade e os prejuízos aumentam a cada hora. Freezers começam a descongelar, produtos precisam de monitoramento constante e o funcionamento do estabelecimento está comprometido.

Também não há sinal de telefone nem de internet. “Hoje tudo depende de eletricidade. Precisamos da maquininha de cartão, do Pix, dos refrigeradores. Estamos nos virando com gerador, mas ele não aguenta muito tempo ligado. E ainda tem o custo do diesel”, relata. Segundo ela, entre os moradores afetados há um idoso que necessita armazenar insulina em refrigeração.

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Apesar de, nesse caso específico, não haver confirmação de árvores sobre os fios, a demora no restabelecimento se soma ao grande volume de chamados abertos após o temporal. O fornecimento no local foi normalizado por volta das 16 horas dessa segunda-feira, 11.

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Em Linha da Barra, no interior de Herveiras, a agricultora Paloma Regina Chaviel Francisco, de 33 anos, enfrentou situação semelhante, mas diretamente ligada à vegetação. Tanto a propriedade dela quanto as de vizinhos ficaram sem luz até por volta das 17 horas de segunda-feira.

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Lá, o cabeamento passa entre uma plantação de pinus e, conforme Paloma, as interrupções são frequentes. “Dessa vez foi pior. Nunca tinha demorado tanto”, afirma. Ela ressalta que os moradores acumulam perdas com alimentos e com o uso contínuo de geradores.

Árvores e galhos são os maiores desafios

Conforme a RGE, o elevado índice de plantas projetadas sobre o sistema tornou-se um dos principais desafios para a manutenção. O consultor de negócios da concessionária na região, Eduardo Döring, afirma que as tempestades têm causado danos severos na infraestrutura, especialmente em áreas rurais onde há exemplares de grande porte.

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“Precisamos mudar a cultura da população. As mudanças climáticas são reais e temos de nos adaptar. Vegetais de grande porte não podem estar perto da fiação”, afirma. Segundo ele, o problema vai muito além de simples desligamentos. Em muitos episódios, árvores inteiras caem sobre equipamentos novos, quebrando postes e destruindo trechos inteiros.

Döring explica que isso impacta diretamente o tempo de resposta. “Num dia normal, uma equipe atende de dez a 12 ocorrências. Em períodos de contingência, esse número cai para três ou quatro, porque são serviços muito mais complexos.”

Isso acontece porque, antes do conserto propriamente dito, é necessário remover a lenha, reorganizar as estruturas e refazer diversos cabos rompidos. “Às vezes a equipe precisa reconstruir praticamente todo o trecho. Não é somente religar uma chave”, explica.

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Consumidores devem pagar conta dos prejuízos

Outro ponto destacado pela empresa é o impacto financeiro causado pelos danos recorrentes. Segundo Döring, as perdas com a queda de vegetação acabam refletindo em todo o sistema de fornecimento.

Segundo ele, as distribuidoras passam periodicamente por revisões tarifárias que levam em consideração os investimentos em manutenção, reconstrução e expansão da malha. Na prática, isso significa que os custos para recompor o que foi destruído acabam sendo absorvidos pelo setor e rateados entre os usuários.

“Todos acabam pagando essa conta de alguma forma. Recursos que poderiam ser destinados para ampliar e melhorar o serviço são usados para refazer estruturas novas danificadas”, afirma.

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Döring ressalta que muitos dos locais atingidos têm redes recém-modernizadas, com postes de concreto ou fibra e cabos isolados, considerados mais resistentes. Ainda assim, o impacto de grandes troncos destrói o patrimônio e exige novos aportes.

Nesse contexto, a CPFL RGE reforça a importância de uma atuação conjunta entre a companhia, os poderes Executivo e Legislativo e a comunidade para promover uma mudança cultural quanto ao plantio em áreas de servidão. A empresa defende a revisão das legislações municipais, com a definição de distâncias mínimas adequadas para cada espécie.

“A população precisa entender que isso não afeta só quem fica sem luz. Todo o sistema é impactado”, ressalta. A expectativa da concessionária era concluir a maior parte dos atendimentos ainda ontem, embora casos pontuais possam se estender.

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Luana Backes

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