Navegando pela internet, deparei-me esses dias com a expressão “farmando aura”. Não tinha a menor ideia do que significava e fiz uma pesquisa rápida para entender. É uma gíria adolescente que, se não me engano, veio dos jogos eletrônicos. Espalhou-se pelas redes como tantos outros termos que nascem velozmente e somem mais rápido ainda.
Nada contra. Todo jovem tem suas gírias, aquela linguagem descolada de grupo. O pessoal de minha geração tinha as suas, mas não havia internet para fazer com que elas parecessem uma espécie de novo idioma. Hoje é diferente: em fóruns virtuais de debates ou caixas de comentários, onde você nunca sabe exatamente com quem está falando (por exemplo, se é uma criatura com 15 ou 55 anos), é possível ficar confuso e se sentir desatualizado.
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O novo mundo das tecnologias de informação é dos jovens, como se costuma dizer. Até porque, inclusive em “velhos mundos”, eles sempre foram o público preferencial do mercado. Quanto menos idade, menor é a resistência frente aos apelos de marcas e produtos. O âmbito da compra e venda se baseia especialmente em desejos juvenis.
E relações de compra e venda são quase tudo o que respiramos. Quase. É fácil se enganar e pensar que o mundo, a sociedade, as engrenagens de tudo que parece funcionar estão nas mãos dos mais jovens. É um discurso frequente e também insuflado pelo mercado, em grande medida. Serve como enfeite para vitrines e prateleiras. Mas a realidade não é bem essa.
A maioria das escolhas que impactam de forma crucial a vida das pessoas, decisões de vida ou morte, prosperidade ou ruína, são tomadas por gente com mais de 70 anos. Onde estão os jovens em meio a isso? Muitas vezes no campo de batalha, tombando em conflitos provocados por homens velhos, no Oriente Médio, no Leste Europeu e em outros lugares. Ou procurando emprego para sobreviver e garantir o papel principal que lhes reservaram: de consumidores.
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Há algo de inequivocamente indigno em ver garotos morrendo de graça, por caprichos belicosos de idosos com poder nas mãos. Perdendo a vida por visões de mundo também obsoletas e cheias de mofo, envernizadas para que pareçam atuais. É triste ver jovens em 2026 falando em “direita” e “esquerda” de forma ainda mais engessada e primária do que há um século, ou mesmo do que na época em que esses conceitos foram criados, durante a Revolução Francesa.
Entre palavreado inédito e ideias gastas, fica o eterno retorno do mesmo em roupagens contemporâneas. De onde poderá sair uma mudança? Bem, velhos como eu não irão “farmar aura” por muito tempo. Resolvam vocês.
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