O Ministério Público de Santa Cruz abriu inquérito para investigar uma denúncia contra o vereador Alceu Crestani (PSDB). O tucano é acusado de exigir parte do salário de um ex-assessor da Câmara, o que ele nega. Até o momento, não há nenhuma conclusão.
A denúncia foi levada à Promotoria de Defesa Comunitária pelo próprio assessor, Cornélio Mayer, que foi secretário de Habitação no governo de José Alberto Wenzel. Segundo informações do Portal da Transparência da Câmara, Mayer assumiu em março de 2015 o cargo de assessor de plenário e comissão, que é subordinado à Mesa Diretora e cujo salário era, à época, de R$ 7,3 mil. Naquele ano, a presidente do Legislativo era Solange Finger (SD).
O inquérito foi instaurado no dia 10 de agosto e está sendo conduzido pelo promotor Érico Fernando Barin. O objetivo é apurar se houve prática de improbidade administrativa por parte de Crestani. No fim de junho, Mayer prestou depoimento e apresentou extratos bancários para tentar comprovar que repassava mensalmente metade de sua remuneração para o vereador. Mayer também entregou uma planilha elaborada por ele no qual detalha os supostos repasses.
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Na última terça-feira, foram ouvidas seis testemunhas indicadas por Mayer, entre elas o colega de bancada de Crestani, Gerson Trevisan, o ex-presidente do PSDB, Clero Ghisleni, três assessores parlamentares e um ex-assessor. No próximo dia 12, será a vez de Crestani ser ouvido, junto com seus dois atuais assessores e um ex-assessor.
Professor da rede estadual, Crestani é conhecido por sua atuação na região de Monte Alverne, onde mora. Atualmente, cumpre o terceiro mandato como vereador. Em todas as eleições, foi o vereador mais votado do PSDB.
Mayer diz que fazia repasses
(Foto: Rodrigo Assmann)
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O QUE DIZ A DENÚNCIA
“Não devo nada, não fiz nada de errado”
Procurado pela reportagem nessa sexta-feira, Alceu Crestani disse não ter conhecimento sobre o inquérito aberto pelo MP e afirmou que jamais exigiu parte do salário de Cornélio Mayer. “Não devo nada, não fiz nada de errado. Tenho certeza que nunca exigi nada de ninguém”, alegou.
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Crestani afirmou que Mayer chegou à Câmara por indicação do PSDB e atuava subordinado à Mesa Diretora. Também negou que houvesse um acordo para que Mayer voltasse à Câmara este ano e disse não saber se ele trabalhou por sua campanha no ano passado. “Pode até ter trabalhado para mim, mas trabalhou para outros também.”
Questionado sobre o que teria motivado Mayer a denunciá-lo ao MP, Crestani disse que, em certa ocasião, pediu à Câmara que descontasse do salário dele um período de dez dias em que viajou ao exterior, mesmo sem ter direito a férias e sem comunicar à direção da Casa. O vereador afirmou ainda que, no início do governo Telmo Kirst, tentou conseguir um cargo na Prefeitura para Mayer e que o Palacinho rejeitou, em virtude de suas pendências judiciais.
“Ele queria concorrer a vereador no ano passado e não pôde por causa disso”, acusou. Embora tenha alegado “surpresa” com o inquérito, Crestani afirmou que, se for chamado, irá prestar esclarecimentos.
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