Foto: Julian Kober
A educação e as religiões de matriz africana ganharam espaço no Vozes do Terreiro na Educação. Promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o evento no auditório central na noite dessa quinta-feira, 14, proporcionou debates e apresentações culturais.
A atividade incluiu uma palestra de Mestre Preto, diretor do filme Agudás, que dá ênfase à ancestralidade e identidade. Já a Mãe Lorena de Iemanjá, do terreiro de Santa Cruz do Sul, deixou um relato sobre suas experiências como mulher negra e uma das líderes religiosas que atuam há mais tempo no município. Não faltaram apresentações de dança afro, cânticos africanos e capoeira.
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Leandro Liban, presidente do Conselho Municipal do Povo de Terreiro de Santa Cruz, ressaltou a importância do DCE e da Unisc em abrir as portas para o debate sobre o tema, especialmente diante da proximidade com o Dia da Abolição da Escravatura, em 13 de maio. “É importante que esse centro de conhecimento inclua a tradição da negritude e da cultura afro. Precisamos trazer a nossa realidade e nossa história que só foi contada oralmente e não está nos livros”, afirmou.
Na avaliação de Pai Liban do Lodê, como é conhecido, a assinatura da Lei Áurea promoveu a liberdade, mas não garantiu a inclusão social, resultando em diferentes formas de racismo, desde o institucional ao ambiental e o religioso. “Queremos igualdade”, reforçou.
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O presidente do DCE da Unisc, Mário Rael, destacou que enquanto o Brasil comemora o 13 de maio como marco da abolição da escravidão, a população negra nunca foi plena e o silêncio diante da exclusão histórica não é neutro. Para o Diretório Central dos Estudantes, a verdadeira resistência negra começou nas mãos, nos corpos e na luta diária de um povo que precisou sobreviver mesmo após a abolição.
“Após o dia 13 de maio, o povo negro continuou sem terra, sem emprego, sem acesso à educação e sem dignidade. Foi esse povo que subiu os morros, construiu comunidades, preservou cultura, fé e identidade diante da exclusão histórica”, afirmou o líder do DCE.
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A partir desse contexto, nasceu o Vozes do Terreiro na Educação. O diretório defende que a universidade deve servir ao povo brasileiro e estar comprometida a partir da obrigação ética, social e humana para enfrentar todas as formas de discriminação que tentam silenciar uma comunidade inteira.
“Quando um povo precisa esconder sua fé para sobreviver, quando uma cultura é tratada como inferior, a universidade não pode permanecer neutra. O dever da educação é abrir espaço para a escuta, para o reconhecimento e a dignidade humana. Porque educação não é apenas decorar teorias. Educação é aprender a enxergar humanidade no outro”, salientou.
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