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A discussão da aposentadoria aos 67 anos: até onde o trabalhador brasileiro pode esperar?

Quando se fala em aumentar a idade mínima da aposentadoria para 67 anos, não estamos discutindo apenas números, projeções econômicas ou cálculos atuariais. Estamos falando de pessoas. Pessoas que acordam cedo, enfrentam jornadas pesadas e, em muitos casos, começam a trabalhar antes mesmo da vida adulta.

Nos últimos dias, voltou a ganhar espaço o debate sobre uma possível nova Reforma da Previdência. Entre as ideias defendidas por especialistas está o aumento gradual da idade mínima até 67 anos para homens e mulheres, além da possibilidade de vincular novas elevações ao crescimento da expectativa de vida da população. É fundamental esclarecer: nada disso foi aprovado e as regras atuais continuam valendo. Mesmo assim, o simples fato de essa proposta estar sendo discutida exige atenção.

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O Brasil realmente está envelhecendo. Temos menos nascimentos, mudanças profundas no mercado de trabalho e uma população que viverá por mais tempo. A sustentabilidade da Previdência precisa ser debatida com seriedade. Ignorar esse cenário também seria irresponsável.

Mas não podemos aceitar que a única resposta para os problemas previdenciários seja mandar o trabalhador esperar cada vez mais. A expectativa de vida média não revela toda a realidade brasileira. Ela não mostra as diferenças entre regiões, renda, profissão, acesso à saúde e condições de trabalho. Viver mais não significa, necessariamente, conseguir trabalhar por mais tempo.

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É muito diferente analisar a aposentadoria de quem passou décadas em um ambiente protegido e a situação de quem trabalhou na lavoura, na construção civil, em fábricas, estradas, hospitais, escolas, estradas ou atividades que provocam desgaste físico e emocional. Aplicar a mesma lógica para todos pode aprofundar desigualdades que já existem.

Também precisamos olhar para quem começou a trabalhar cedo. Uma pessoa que iniciou sua trajetória aos 14 ou 16 anos pode chegar aos 60 com mais de quatro décadas de trabalho. Exigir que ela espere até os 67 anos é ignorar todo o caminho percorrido.

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Antes de aumentar novamente a idade mínima, o País precisa enfrentar outros problemas: informalidade, sonegação, falta de arrecadação, vínculos sem registro, pejotização irregular e milhões de trabalhadores que permanecem fora da proteção previdenciária.

A Previdência precisa ser sustentável, mas também precisa ser justa. Não basta fazer a conta fechar no papel se, na vida real, o trabalhador não consegue chegar em condições de usufruir da aposentadoria.
Por enquanto, a idade mínima de 67 anos é apenas uma proposta em discussão. Mas este é exatamente o momento de acompanhar, questionar e participar do debate.

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Carina Weber

Carina Hörbe Weber, de 37 anos, é natural de Cachoeira do Sul. É formada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e mestre em Desenvolvimento Regional pela mesma instituição. Iniciou carreira profissional em Cachoeira do Sul com experiência em assessoria de comunicação em um clube da cidade e na produção e apresentação de programas em emissora de rádio local, durante a graduação. Após formada, se dedicou à Academia por dois anos em curso de Mestrado como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Teve a oportunidade de exercitar a docência em estágio proporcionado pelo curso. Após a conclusão do Mestrado retornou ao mercado de trabalho. Por dez anos atuou como assessora de comunicação em uma organização sindical. No ofício desempenhou várias funções, dentre elas: produção de textos, apresentação e produção de programa de rádio, produção de textos e alimentação de conteúdo de site institucional, protocolos e comunicação interna. Há dois anos trabalha como repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, tendo a oportunidade de produzir e apresentar programa em vídeo diário.

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