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A enchente de maio de 2024 e as quatro lições do saneamento

por José João de Jesus da Fonseca, diretor de Operações da Corsan

A enchente de maio de 2024, no Rio Grande do Sul, foi um evento climático extremo que serviu como teste de resistência para a infraestrutura essencial do país, e, em especial, para o saneamento. Em poucas horas, estruturas fundamentais foram comprometidas e cerca de 906 mil residências ficaram sem abastecimento, impactando 475 municípios. O que estava em jogo ia além da recuperação da operação, porque impactava a capacidade de resposta de um setor inteiro diante do colapso.

A primeira lição é definitiva: o saneamento brasileiro precisa ser projetado para o imprevisível. Não basta expandir cobertura, é preciso incorporar resiliência como premissa de engenharia. Redundância, diversificação de fontes e proteção de ativos deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos em um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes.

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A segunda lição é operacional. Na crise, a engenharia toma decisões sob pressão máxima, ainda mais quando o impacto é sobre um recurso vital para milhões de pessoas. Foi necessário reconfigurar sistemas em tempo real, integrar estruturas de grande porte e mobilizar equipes em escala inédita. O que levaria meses precisou ser feito em horas. Esse aprendizado reposiciona as operações de saneamento para níveis ainda mais estratégicos, integrados e preparados para respostas rápidas.

A terceira lição é estrutural e já está em curso. A experiência acelerou a incorporação da gestão de risco climático ao planejamento do saneamento. No RS, isso se traduz em um Plano de Resiliência Hídrica de R$ 1,88 bilhão, já apresentado para a agência reguladora, com intervenções em 55 municípios. A realocação de 91 unidades para áreas seguras, a ampliação da reservação, a interligação de sistemas e o uso de fontes alternativas, como poços profundos, redesenharam a lógica da operação: não mais reagimos à crise; nós a antecipamos.

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Há, ainda, um aprendizado que transcende a técnica. Em momentos extremos, o saneamento deixa de ser invisível e é o que aparece quanto todo o resto estiver em falha. Simplesmente porque água tratada é a barreira que impede que uma tragédia climática vire uma crise sanitária em cadeia. Onde ela chega, a doença não alcança. E é nesse ponto que o setor precisa se afirmar no centro das decisões do país, como infraestrutura que salva vidas em tempo real, sustenta a dignidade no pior dia e define a capacidade de uma sociedade de atravessar o colapso sem perder o futuro.

O que aconteceu no Rio Grande do Sul está longe de ser um caso isolado. É um alerta e um caminho inevitável. O saneamento brasileiro terá que evoluir para cumprir metas, mas, principalmente, para sustentar a vida quando ela estiver mais vulnerável.

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Carina Weber

Carina Hörbe Weber, de 37 anos, é natural de Cachoeira do Sul. É formada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e mestre em Desenvolvimento Regional pela mesma instituição. Iniciou carreira profissional em Cachoeira do Sul com experiência em assessoria de comunicação em um clube da cidade e na produção e apresentação de programas em emissora de rádio local, durante a graduação. Após formada, se dedicou à Academia por dois anos em curso de Mestrado como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Teve a oportunidade de exercitar a docência em estágio proporcionado pelo curso. Após a conclusão do Mestrado retornou ao mercado de trabalho. Por dez anos atuou como assessora de comunicação em uma organização sindical. No ofício desempenhou várias funções, dentre elas: produção de textos, apresentação e produção de programa de rádio, produção de textos e alimentação de conteúdo de site institucional, protocolos e comunicação interna. Há dois anos trabalha como repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, tendo a oportunidade de produzir e apresentar programa em vídeo diário.

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