Colunistas

10ª Semana da Língua Alemã no Brasil

“O verdadeiro lar é, na verdade, a língua.” –- ” | “Die wahre Heimat ist eigentlich die Sprache” – Wilhelm von Humboldt (1767–1835). Ele foi um renomado estudioso da filosofia da linguagem. Já há muito tempo alertava que língua é muito mais do que um meio de comunicação; que a nossa língua materna nos conecta com a nossa cultura, a nossa identidade e a um sentimento de confiança e acolhimento nas relações. 

Estamos em meio à 10ª edição da Semana da Língua Alemã no Brasil, que iniciou esta semana e irá até 10 de junho: uma iniciativa das Embaixadas da Alemanha, Áustria, Bélgica, Luxemburgo e Suíça (países de língua alemã). Junto com colaboradores em todo o país, foi organizado um programa “diversificado e carinhosamente planejado, repleto de curiosidades sobre a língua alemã e nossos cinco países. Além disso, teremos uma série de eventos dedicados ao idioma alemão”. Fonte: (Aqui você pode encontrar programas de seu interesse.)

LEIA TAMBÉM: Sobre o significado do trabalho

Publicidade

Para o nosso Estado este evento é sempre especialmente bem-vindo. Aqui existem várias línguas vivamente presentes, principalmente as advindas da intensa imigração promovida no passado. Essas línguas são lastro para as culturas locais e patrimônio imaterial de muitas comunidades e do Rio Grande do Sul. A língua alemã sendo colocada em evidência, ilumina uma das diversas riquezas linguístico-culturais existentes no Estado, fonte e ponte de fomento para relações com países do outro lado do oceano.

Caetano Veloso, em sua canção Língua, afirma: “Está provado que só é possível filosofar em alemão”. O mundo filosófico ocidental foi majoritariamente verbalizado em idioma alemão por renomados pensadores como Kant, Hegel, Nietzsche, Heidegger, entre muitos outros. Sabemos que cada língua tem suas particularidades, sua complexidade, seus diferentes níveis de profundidade para expressar também a mentalidade e o espírito de um povo.

LEIA TAMBÉM: Renovação da vida

Publicidade

A escritora austríaca Marie von Ebner-Eschenbach entendia que “o espírito de uma língua se revela com maior clareza em suas palavras intraduzíveis – “Der Geist einer Sprache offenbart sich am deutlichsten in ihren unübersetzbaren Worten.” Possivelmente você já se deparou com algumas expressões que não abarcam o significado, o seu sentido profundo, quando traduzidas.

Vejamos algumas do idioma alemão:

  • Heimat: muitos traduzem por pátria, pátria é Vaterland; o termo, na verdade, abarca diferentes sentidos. O mais próximo é “lar”, o lugar onde nos sentimos “em casa” (podemos sentir Heimat em diferentes lugares ou de diferentes formas – meu lugar de viver é minha Wilde Heimat/lar silvestre).
  • Waldeinsamkeit: significa um sentimento de profunda paz, quando a gente está sozinho no meio de uma floresta.
  • Sehnsucht: significa saudade, mas, dependendo do contexto, pode significar “anseio”.
  • Schadenfreude: alguém se compraz, sente satisfação, com a desgraça alheia – alegria com o prejuízo de outrem.
  • Fremdschämen: quando a gente sente vergonha, um grande desconforto, por ver outra pessoa passar por uma situação constrangedora.

Há inúmeros bons motivos para aprender e falar outros idiomas e valorizar a língua alemã, patrimônio de Santa Cruz. Finalizo com um pensamento de Berthold Auerbach (1812-1882) – escritor e político liberal, da área cultural: “Eine fremde Sprache lernen und gut sprechen, gibt der Seele eine innere Toleranz, man erkennt, daß alles innerste Leben sich auch noch anders fassen und darstellen lasse, man lernt, fremdes Leben achten.” “Aprender e falar bem uma língua estrangeira proporciona à alma uma tolerância interior; a gente reconhece que a vida, todo o mundo interior, também pode ser compreendido e representado de forma diferente; aí a gente aprende a ter respeito para com a vida de pessoas que falam outra língua.” 

LEIA MAIS TEXTOS DE LISSI BENDER

Publicidade

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Carina Weber

Carina Hörbe Weber, de 37 anos, é natural de Cachoeira do Sul. É formada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e mestre em Desenvolvimento Regional pela mesma instituição. Iniciou carreira profissional em Cachoeira do Sul com experiência em assessoria de comunicação em um clube da cidade e na produção e apresentação de programas em emissora de rádio local, durante a graduação. Após formada, se dedicou à Academia por dois anos em curso de Mestrado como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Teve a oportunidade de exercitar a docência em estágio proporcionado pelo curso. Após a conclusão do Mestrado retornou ao mercado de trabalho. Por dez anos atuou como assessora de comunicação em uma organização sindical. No ofício desempenhou várias funções, dentre elas: produção de textos, apresentação e produção de programa de rádio, produção de textos e alimentação de conteúdo de site institucional, protocolos e comunicação interna. Há dois anos trabalha como repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações, tendo a oportunidade de produzir e apresentar programa em vídeo diário.

Share
Published by
Carina Weber

This website uses cookies.