Educação

Álbum solidário vira atração na Emef Emanuel em Santa Cruz

A paixão pelas figurinhas da Copa do Mundo ganhou um significado ainda mais especial na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Emanuel, em São José da Reserva, no 8º Distrito de Santa Cruz do Sul. Inspirada no hábito dos estudantes de trocar os itens durante o intervalo, a instituição criou o projeto Álbum da Solidariedade – Craques da Emanuel, que transformou a coleção em uma ferramenta para estimular a empatia, a convivência e a solidariedade.

Desenvolvida com turmas da pré-escola ao 3º ano do Ensino Fundamental, a iniciativa alia a arrecadação de alimentos, agasalhos, calçados e brinquedos em bom estado à distribuição de pacotinhos de figurinhas com imagens dos alunos, professores e funcionários da instituição, que tem 68 anos. Todos os participantes autorizaram a utilização das imagens, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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A ideia surgiu a partir da observação do professor de Educação Física Roger de Oliveira Mendes. Percebendo o entusiasmo das crianças com os álbuns da Copa e as trocas de cromos entre colegas, ele decidiu transformar o interesse em uma experiência educativa. “A ideia inicial era promover mais um momento de socialização entre os alunos. Aproveitamos a febre das figurinhas da Copa e pensamos em como distribuí-las. Assim, as crianças passaram a trocar alimentos, roupas, brinquedos e calçados por figurinhas”, explica.

Roger de Oliveira Mendes

O álbum conta com 56 imagens, reunindo estudantes e todos os profissionais que convivem com as crianças no dia a dia, inclusive o motorista do transporte escolar. “Quando eles pegam a figurinha do seu Adalberto, por exemplo, ficam muito felizes e mostram para ele. Isso fortalece os vínculos entre todos”, observa o vice-diretor, Cesar Augusto Zinn.

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Segundo ele, a adesão das famílias superou as expectativas. “Foi bem gratificante criar esse projeto. A iniciativa foi boa e a adesão foi maior ainda. Os pais são muito envolvidos com os projetos da escola. Às vezes, eles ficam até mais ansiosos que as crianças e já queriam saber se poderiam começar a enviar as doações.”

Cesar Augusto Zinn

O projeto também busca desenvolver valores humanos desde a infância. Em sala de aula, os estudantes participam de rodas de conversa, contação de histórias e atividades sobre solidariedade, cooperação e cuidado com o próximo. Os momentos de troca de figurinhas se transformaram em oportunidades para trabalhar o compartilhamento e a convivência.

“Estamos tratando bastante sobre a questão da solidariedade, para que eles entendam que não é só pegar figurinha por pegar. Eles estão ajudando outras pessoas com os itens que trazem para a escola”, ressalta Mendes.

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Embora a escola tenha apenas 61 estudantes, distribuídos entre a pré-escola e o 9º ano, a arrecadação já surpreende. “Nossa escola é pequena, mas a quantidade de donativos está sendo bem grande. Já temos bastante material guardado”, afirmou o vice-diretor.

Os destinos das doações ainda estão sendo definidos. De acordo com os responsáveis, a intenção é encaminhá-las para instituições assistenciais ou entidades que já desenvolvem ações de atendimento à comunidade.

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Alegria de se tornar figurinha

Entre os pequenos colecionadores, a experiência tem sido marcada pelo entusiasmo. Aos 8 anos, o estudante Thomas Lisboa Giehl já conseguiu completar o álbum. A conquista veio acompanhada da satisfação de se ver estampado entre os “Craques da Emanuel”. “Eu fiquei feliz”, resumiu.

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Para ele, uma das partes mais divertidas era abrir os pacotinhos e descobrir as figurinhas. “Vinha duas legend e duas normais”, contou. As chamadas “legends” são as que estampam os funcionários da escola, enquanto as demais trazem os próprios colegas. Como em qualquer coleção, também surgiram repetidas. Mas, em vez de guardar, Thomas decidiu compartilhar. “Eu tinha repetida e dei para uma colega minha”, disse.

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Thomas Lisboa Giehl

O gesto, simples e espontâneo, resume a essência do projeto. Com essa iniciativa, as crianças estão aprendendo que pequenas atitudes podem fazer a diferença na vida de outras pessoas. E, entre trocas de figurinhas, abraços e doações, os craques da Emanuel vêm mostrando que solidariedade também é um jogo que se aprende desde cedo.

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carolina.appel

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