Santa Cruz do Sul vivenciou, nessa semana, um evento que a sintoniza, de forma única e privilegiada, com o que de mais relevante o Brasil tem projetado para o mundo nos últimos anos. Um país inteiro se rendeu ao sucesso de suas produções nos mais importantes certames internacionais da sétima arte, e comemorou estatuetas (a exemplo das do Oscar) como se fosse a Seleção Brasileira levantando taça na Copa do Mundo.

Sejamos realistas: ainda que não se trate de um negócio (futebol, sim, tem sido basicamente isso, negócio) com a envergadura de uma competição chancelada pela Fifa, um Oscar, por se tratar de arte, de ideia, de conhecimento, de memória e história, jamais pode ser comparado ou associado a um troféu conquistado por marmanjos correndo atrás de uma bola. E, não raro, contando com a derrapada de um zagueiro, a falha de um árbitro ou a gafe de um VAR. Na área do conhecimento nunca haverá VAR: haverá certificado de honra ao mérito e uma estatueta na mão.

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No caso, o que projeta a cidade e a região é: o Festival Santa Cruz de Cinema. Mais um evento que se firmou no calendário. Santa Cruz já tem a Oktoberfest, que há décadas tem ampla repercussão estadual (mas basicamente isso); Santa Cruz tem um autódromo internacional (porém, continua sendo competição esportiva, de velocidade, em outra modalidade que não as de quadras ou gramados); Santa Cruz tem a valiosíssima Expoagro Afubra, voltada ao setor produtivo, às pequenas propriedades rurais e à diversificação de renda.

E Santa Cruz tem o Festival de Cinema. Que trouxe à cidade, nessa semana, centenas de representantes de alguns dos mais relevantes organismos da área artística, cultural, memorial e de empreendedorismo (e, para satisfação dos organizadores, até do mundo). E reparem: com uma diferença astronômica, estratosférica no aporte de recursos envolvido, o que só realça essa grandeza.

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Há muito tempo tomadores de decisão já visitam o Estado, em diferentes ocasiões, em geral atraídos pelo festival de Gramado. Não por acaso, é o universo das artes o fermento que, ano a ano, faz a marca da localidade da Serra Gaúcha alcançar todo o Brasil e para muito além dele. Agora, quando está em vias de completar uma década, o de Santa Cruz tornou-se assunto na ordem do dia em produtoras, agências, órgãos de fomento e todo o amplo universo que cerca o audiovisual.

Não se engane e nem o ignore o leitor: esse festival colocou Santa Cruz no mapa e, a menos que em algum momento recue, de forma imprudente e imprevidente, de suas pretensões na área, o nome de Santa Cruz corre o mundo. E vai colher tantos e tão bons frutos, em todas as áreas, que talvez nunca sequer cogitou ou imaginou com outras atividades nas quais por vezes planeja investir.

Cinema é imagem, e imagem ganha o mundo. Imagem fala por milhares de palavras, costuma-se dizer. Vale ouro, como já o sabem as capitais turísticas, no decurso dos séculos. Imagem é, a exemplo do próprio turismo, uma indústria ilimitada, sem chaminé e sem degradação ambiental. Existem boas e más imagens: a do festival é brilhante! Para a autoestima de uma sociedade, para a educação, para a cultura e a memória, pouca coisa pode ser maior. Ou melhor. Eis, portanto, um final de semana para comemorar muito, e brindar ao sucesso espantoso desse festival.

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Romar Behling

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Romar Behling

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