Santa Cruz do Sul

Caso de atendimento a bebê no Cemai acirra debate entre vereadores

O atendimento prestado a um bebê de 10 meses, morador de Parobé, provocou um acalorado debate entre vereadores durante a sessão da Câmara de Santa Cruz do Sul nesta segunda-feira, 13. A criança estava na cidade com a família porque o irmão, de cinco anos, está internado no Hospital Santa Cruz.

Na semana passada, a vereadora Nicole Weber Covatti (PP) afirmou que o bebê aguardou cerca de três horas para ser atendido no Centro Materno Infantil (Cemai) e que a família teria sido informada de que ele não poderia receber atendimento por não possuir cartão SUS do município. O caso levou a parlamentar a defender mudanças nos protocolos adotados pela unidade.

Nesta segunda-feira, 13, o líder do governo, Edson Azeredo (PL), ocupou a tribuna para contestar a versão apresentada pela colega. “A criança foi atendida. Houve uma triagem e um atendimento”, disse. “Se o caso for urgência, não interessa de onde é a pessoa. É atendido”, resumiu.

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De acordo com o líder do governo, o bebê passou pela classificação de risco, foi avaliado por um pediatra e, como não apresentava quadro de urgência, recebeu orientação para retornar ao município de origem ou procurar outro serviço caso o estado de saúde piorasse.

Edson também criticou a forma como o episódio foi levado às redes sociais e à tribuna. “Um vídeo como esse não passou de um vídeo político”, declarou. “O que eu não aceito é um vídeo dando a entender que a criança não foi atendida. Isso não é verdade.” Segundo o vereador, manifestações desse tipo prejudicam os profissionais que atuam no Cemai e podem afastar médicos da unidade.

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Nicole nega distorção

Nicole rebateu as declarações e sustentou que jamais afirmou que o Cemai deixou de atender pacientes. “Eu não falei que não atende, falei de um caso específico”, disse. Segundo a vereadora, a crítica está relacionada à informação repassada à família de que o bebê não poderia ser atendido por ser morador de outro município. “O que foi dito para eles é: ‘vocês são de outra cidade, não podem ser atendidos’. Foi isso que aconteceu”, afirmou.

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Nicole também negou ter atacado os profissionais da saúde e disse que sua manifestação teve como objetivo defender uma família que já enfrenta outro drama, com um filho de cinco anos internado em estado grave no Hospital Ana Nery. “Essas pessoas me pediram para falar nisso. Eu não consigo entender alguém negar atendimento para um bebê”, declarou.

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Clima esquenta no plenário

O momento mais tenso ocorreu quando Edson afirmou que Nicole havia classificado pessoas que trabalham no Cemai como “gente ruim”. A vereadora interrompeu diversas vezes a fala do colega e negou ter feito essa afirmação. “Não quero que coloquem palavras que eu não disse na minha boca”, reagiu.

Edson afirmou que apenas reproduzia trechos do pronunciamento da semana anterior e pediu que a vereadora assistisse novamente ao próprio discurso. Em vários momentos, o presidente da Câmara, Serginho Moraes (PL), precisou intervir para garantir a continuidade da fala na tribuna. Na reta final do debate, o líder do governo voltou a defender a atuação do serviço e afirmou que continuará respondendo sempre que considerar necessário.

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Nicole também rebateu as críticas de que teria explorado politicamente o episódio e reafirmou que continuará levando à tribuna demandas apresentadas pela população. “O que me pegou foi ouvir: ‘vocês são de outra cidade, não podem ser atendidos’. É isso que eu acho que precisa mudar”, afirmou.

Conselho de Saúde

Outro ponto de divergência envolveu a origem da decisão que restringe o atendimento de pacientes de outros municípios em casos sem urgência. Nicole voltou a citar uma ata do Conselho Municipal de Saúde para sustentar que a medida foi discutida no colegiado.

O vereador Alberto Heck (PT), porém, esclareceu que o conselho apenas recebeu a comunicação da decisão. “O Conselho Municipal não é gestor. A informação tem que ser passada de forma correta”, afirmou. Segundo Heck, a própria ata registra que a medida foi definida em parceria entre a Prefeitura e a gestão do Hospital Ana Nery, responsável pelo Cemai, e apenas comunicada aos conselheiros.

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Apesar das explicações, Nicole manteve a posição de que o protocolo deve ser revisto. “Eu acho que tem que atender crianças sempre. Não vou mudar meu posicionamento”, concluiu.

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Karoline Rosa

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