Santa Cruz do Sul

Chegada do gás natural vai ampliar horizontes no Vale do Rio Pardo; entenda

Santa Cruz do Sul e os municípios dos vales do Rio Pardo e Taquari deverão receber gás natural nos próximos anos por meio de um gasoduto de cerca de 190 quilômetros que ligará os municípios de Triunfo e Charqueadas à região. O projeto, anunciado oficialmente na última semana pela Sulgás e governo do Estado, prevê ainda a implantação de redes locais de distribuição para antecipar o abastecimento antes da conclusão da tubulação principal e integra um plano de expansão de R$ 1 bilhão da companhia para os próximos cinco anos.

O prefeito de Santa Cruz do Sul, Sérgio Moraes (PL), destacou que a busca pelo gás natural acompanha o município há muitos anos, mas somente agora foi possível transformar o projeto em realidade. Segundo ele, as negociações começaram ainda em 2025 e ocorreram de forma reservada para garantir segurança ao processo. “Foi um trabalho muito sigiloso, muito cauteloso”, resumiu.

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Ele atribuiu o avanço às articulações realizadas pela Prefeitura em conjunto com a Sulgás e a empresa Ecolog, que vai instalar em Santa Cruz uma planta de produção de biometano. Somados, os investimentos chegam a aproximadamente R$ 223 milhões, dos quais R$ 163 milhões destinam-se ao projeto da Sulgás e outros R$ 60 milhões à unidade industrial da Ecolog. A expectativa é de que a planta inicie as operações antes mesmo da chegada do gasoduto, utilizando caminhões para o abastecimento da rede local.

Para Moraes, os reflexos vão muito além da oferta de uma nova fonte de energia. O prefeito acredita que a disponibilidade de gás natural fortalecerá o ambiente de negócios e ampliará o potencial de atração de empresas. “Com certeza vai atrair”, afirmou ao comentar que o município enfrenta limitações de áreas industriais às margens da RSC-287, mas tem grande perspectiva de expansão na região da BR-471, onde empresários já trabalham na implantação de um novo distrito industrial.

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Ressaltou ainda que o gás representa economia para a indústria, mais segurança no abastecimento e um avanço tecnológico já consolidado em países desenvolvidos. “Nós precisamos andar para frente”, enfatizou. A administração municipal estima que a unidade da Ecolog vai gerar cerca de 270 empregos logo no início das operações, com possibilidade de ampliação significativa conforme a expansão da produção.

Abastecimento inicial utilizará caminhões

Embora o gasoduto principal ainda demande alguns anos para ficar pronto, Santa Cruz deverá receber o gás natural muito antes disso. Conforme explicou o gerente-executivo de Estratégias e Expansão da Sulgás, Charles Netto, a companhia usará o mesmo modelo já implantado em Lajeado, baseado em uma rede local abastecida por caminhões que transportam gás natural comprimido (GNC). 



A previsão é de que esse sistema esteja em funcionamento em aproximadamente 24 meses. “Já estamos conversando com várias potenciais indústrias que podem se beneficiar do gás natural e do biometano”, afirmou. Paralelamente, seguirá a construção do gasoduto troncal, cuja execução completa deverá ocorrer entre cinco e dez anos, dependendo das etapas de engenharia, licenciamento ambiental e evolução da demanda regional. O traçado inicial prevê saída de Charqueadas, passando por São Jerônimo e Mariante e, a partir dali, a ramificação para Santa Cruz do Sul e Lajeado.

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Netto explica que o projeto foi concebido para acompanhar o crescimento econômico da região. Segundo ele, o traçado definitivo poderá sofrer ajustes conforme os estudos de mercado que estão sendo desenvolvidos em parceria com universidades e entidades locais. O objetivo é direcionar a rede para atender os principais polos industriais e consumidores de energia. 



Além do gás natural vindo do sistema nacional de transporte, a futura produção de biometano da Ecolog poderá ser injetada diretamente na rede da Sulgás, ampliando a oferta de um combustível renovável produzido na própria região. O executivo destaca que o gás natural oferece vantagens como fornecimento contínuo, maior eficiência energética, redução das emissões de carbono e menor necessidade de armazenamento de combustíveis, fatores cada vez mais valorizados pela indústria.

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Primeiro foco será a indústria

Apesar da expectativa despertada pela chegada do gás natural, o atendimento às residências ainda deverá ocorrer de forma gradual. A prioridade inicial da Sulgás será abastecer o setor industrial, responsável pelo maior consumo energético e retorno mais rápido dos investimentos. Somente numa etapa posterior a companhia pretende expandir as redes urbanas para condomínios, edifícios e bairros com maior concentração de consumidores.



Segundo Charles Netto, o modelo já utilizado na Região Metropolitana demonstra que a expansão ocorre conforme estudos de viabilidade econômica e densidade populacional. Isso permite que novos empreendimentos imobiliários já sejam entregues preparados para receber gás canalizado.

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Em Santa Cruz do Sul, a expectativa é de que esse processo acompanhe o crescimento da cidade nos próximos anos, consolidando um novo cenário energético para o Vale do Rio Pardo e reforçando a posição do município como um dos principais polos industriais do interior gaúcho.

Colaboraram Marcio Souza, Ronaldo Falkenback e Lucas Malheiros

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Iuri Fardin

Iuri Fardin é jornalista da editoria Geral da Gazeta do Sul e participa três vezes por semana do programa Deixa que eu chuto, da Rádio Gazeta FM 107,9. Pontualmente, também colabora nas publicações da Editora Gazeta.

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