Centro-Serra

Citros fortalecem renda e diversificação no campo

Com a chegada dos dias mais frios, alguns costumes ganham ainda mais espaço na rotina dos gaúchos. Se o chimarrão faz companhia durante todo o ano, no outono e no inverno ele geralmente divide espaço com outro hábito, o de saborear uma bergamota ou laranja aproveitando os momentos de sol. A expressão “lagartear ao sol comendo umas bergas” faz parte do combo de dias que costumam transmitir até uma certa sensação de nostalgia, de fazer desacelerar o tempo para apreciar uma boa companhia.

Neste cenário, os pomares entram em uma das épocas mais aguardadas do ano. No Rio Grande do Sul, a abertura oficial da safra estadual de citros ocorreu no fim de maio, em Montenegro, marcando o início de mais um período de colheita. Embora algumas variedades já estejam prontas para o consumo, outras ainda seguem em desenvolvimento, o que faz com que a presença das frutas cítricas se estenda por muitos meses.

A depender da variedade, é possível observar frutos que aparentam estar maduros ao lado de outros ainda verdes. Mesmo quando já apresentam bom tamanho e coloração atrativa, muitos permanecem em processo de maturação, agregando sabor e qualidade até atingirem o ponto ideal de colheita. Por isso, algumas variedades são colhidas durante o outono/inverno, enquanto outras na primavera/verão, quando os citros seguem conquistando consumidores, especialmente na forma de sucos refrescantes. E, além do consumo in natura, as frutas cítricas também ganham espaço em receitas e como acompanhamentos, tornando-se presença constante nas refeições.

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Além de saborosos, representam uma importante atividade econômica, com a fruticultura tornando-se alternativa de diversificação e renda. É o caso do casal Ponciano Muniz Fiuza e Conceição Beatriz Hibner Fiuza. Com a vida dedicada à agricultura no interior de Arroio do Tigre, acostumados a trabalhar principalmente com tabaco, feijão, milho, trigo e outras culturas também voltadas à subsistência, buscaram orientação junto à Emater em Sobradinho para avaliar as possibilidades de comercialização das frutas ao adquirir uma propriedade em Linha Quinca, onde se depararam com dezenas de pés de frutíferas, entre as quais laranjeiras, bergamoteiras, limoeiros, nogueiras, parreiras, kiwizeiros, pessegueiros e figueiras, implantando alguns novos pés.

Conceição Beatriz e Ponciano atuam na fruticultura há oito anos | Fotos: Nathana Redin

Pelo oitavo ano consecutivo, as laranjas concentram o principal destaque da colheita na propriedade, com cerca de 180 pés, e agregam na renda da família Fiuza. A primeira entrega comercial realizada, com laranjas e pêssego, foi através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) federal, já no primeiro ano morando em Linha Quinca, e hoje a produção de laranjas gira em torno de 2 mil quilos por safra, com colheita que inicia em maio para pelo menos uma das variedades.

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Além dos citros, seguem plantando milho, feijão e outros itens para o consumo. “O carro-chefe da propriedade é a laranja, do céu, de suco e de umbigo, mas também temos bergamota Ponkan e alguns pés de limão. Quando pensamos em nos mudar para cá, não tínhamos essa ideia, mas graças a Deus que encaixou para ser”, revela o casal, lembrando o suporte da Emater, com o primeiro acolhimento feito pela extensionista Maiquiele Schaefer Roso.

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Um pouco mais adiante, em Campo da Aviação, também no interior de Sobradinho, Natalino Wiedenhoft e Ivete Dal Ri Wiedenhoft apostaram na implantação do próprio pomar. Todos os pés de frutíferas existentes foram plantados pela família nos primeiros anos residindo no local, e hoje já são mais de 600, apenas de variedades de laranja, com a principal chamada Valência, mas também a sanguínea, Tobias (mais precoce), comum, de umbigo, do céu, e as bergamotas Montenegrina, Caí Doce e Ponkan.

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Atualmente, as laranjas e os morangos representam os carros-chefes da produção, acompanhados por outras espécies que colorem a propriedade, como pessegueiros e nogueiras.

Ivete e Natalino mostram algumas das variedades de citros cultivadas

Há cerca de uma década colhendo os frutos do trabalho, Natalino e Ivete registraram em 2025 a melhor safra desde o início da atividade. A colheita começou entre meados de agosto, avançou até maio de 2026, e alcançou uma produção excepcional, de aproximadamente 30 mil quilos de laranjas. “Teve outras safras muito boas também no começo, só os pés eram pequenininhos. Em relação ao volume, a safra passada foi a de maior colheita”, revela Natalino.

Neste ano, apesar de já observarem que alguns pés carregam menor quantidade de frutos, a qualidade segue animando os produtores, e o cuidado com o solo e o controle para evitar moscas seguem sendo contínuos. Na propriedade, a safra principal das laranjas geralmente inicia em setembro e se estende até maio. Mesmo assim, ainda é possível encontrar frutos maduros e saborosos no pomar. Ao mesmo tempo, muitos exemplares que serão colhidos apenas nos próximos meses já estão se desenvolvendo nas árvores, garantindo a continuidade da produção. Além da venda para mercados institucionais, também comercializam diretamente aos clientes.

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Conforme o chefe do Escritório da Emater/RS-Ascar de Sobradinho, Evandro Cremonese, a estimativa é de haja 14 hectares destinados às laranjas e sete hectares para as bergamotas no município, ambos com produção média de 12 mil quilos/ha, dos quais muitos pés estão espalhados por propriedades e são destinados apenas para consumo próprio, sem viés comercial.

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Segundo informações da Secretaria de Agricultura do Estado, o Rio Grande do Sul ocupa atualmente a sexta posição nacional na produção de laranjas e a terceira na produção de bergamotas, com área cultivada superior a 37 mil hectares.

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Para ambas as famílias, a citricultura representa mais do que uma atividade econômica. Além de abastecer programas de alimentação escolar em educandários municipais e estaduais, através de chamadas públicas (PNAE), a produção também encontra mercado por meio da cooperativa local, a Cooperativa da Agricultura Familiar Sobradinhense (Coopafas), fundada em 2025 e da qual são sócios, fortalecendo e ampliando os canais de comercialização da agricultura familiar através de iniciativas como o PAA municipal.

Em uma região onde é comum ver sacolas de laranjas e bergamotas sendo compartilhadas entre familiares, vizinhos e amigos, os citros carregam um valor que vai além da produção, contribuindo com a saúde, fortalecendo conexões e mantendo hábitos e tradições.

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Nathana Redin

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Nathana Redin

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