Cultura e Lazer

Clássico do terror italiano, “Suspiria” volta aos cinemas em versão restaurada

A violência sempre foi proeminente na arte italiana. Artistas como Caravaggio criaram obras perturbadoras e viscerais, muitas vezes inspiradas em versículos bíblicos. Naturalmente, o gosto pelo sangue e pela morte esteve presente em outras manifestações artísticas, incluindo a ópera e, mais tarde, o cinema.

A sétima arte italiana foi marcada por obras violentas que se destacaram especialmente no horror. No entanto, ao contrário das produções norte-americanas, os cineastas macarrônicos filmavam as cenas de violência com uma estética única, fortemente inspirada nas artes do país.

O ápice é Suspiria, terror do cineasta Dario Argento que retorna para os cinemas brasileiros perto de completar 50 anos desde seu lançamento em 1977. No Rio Grande do Sul, a cópia restaurada está sendo exibida na Cinemateca Capitólio.

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A obra acompanha Suzy Banyon, uma bailarina norte-americana que decidiu aperfeiçoar os estudos na escola de dança mais famosa da Europa, em Freiburg, Alemanha. Sua estadia é marcada por estranhos assassinatos e, aos poucos, Suzy passa a descobrir os aterrorizantes mistérios da escola.

Com uma narrativa típica dos giallos da época, obras de suspense policial investigativo, Suspiria se diferenciou dos demais ao incluir elementos sobrenaturais que acrescentaram um certo toque de surrealismo à narrativa. A sensação é de estar testemunhando um pesadelo, evidenciado pela estética com cores vívidas e fortes, sobretudo com o predomínio do azul e do vermelho. Há ainda a aterradora trilha sonora da banda Goblin que combina perfeitamente com os horrores vistos na tela.

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Tais elementos, somados às decisões criativas de Argento na maneira de filmar e editar o filme, fazem com que a violência presente em Suspiria se torne um quadro em movimento. Há um toque de Caravaggio, com cenas grotescas, e um exagero operático típico da arte italiana, de modo que as mortes chocam o espectador, ao mesmo tempo que fascinam. Não pelo ato em si, mas pela maneira como o diretor as constrói e exibe os assassinatos.

O italiano raramente é comedido ao expor a violência. Não importava o orçamento ou os recursos, os diretores não tentavam esconder, mesmo se soasse falso ou exagerado. E Argento exibe pescoços sendo degolados e corações sendo esfaqueados, com direito a muito sangue, mas com uma viscosidade e cor que tornavam tudo teatral.

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É preciso ter estômago forte para encarar Suspiria. Não é uma obra para quem possui aversão por violência, por mais exagerada que seja. Contudo, quem está disposto a superar os medos, sugiro assistir pelo menos uma vez, seja no cinema ou em casa. Nas mãos de Dario Argento, a violência é arte e o filme é uma pintura que ele vai pincelando até os minutos finais. E o resultado é uma verdadeira obra-prima.

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Relançamento

Suspiria está de volta aos cinemas graças à FJ Cines, empresa que se destacou no mercado de filmes de terror em VHS nas décadas de 1980 e 1990. Além de estar nas telonas, a obra-prima de Dario Argento ganhou o primeiro lançamento oficial em VHS, cujas unidades já estão esgotadas.

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Em entrevista ao Magazine, Giscard Luccas, sócio-diretor e curador da FJ Cines, destacou que, diante da proximidade de completar os 50 anos de lançamento e da restauração primorosa, o filme merecia o relançamento. Na avaliação de Luccas, Suspiria se destaca por trazer uma forma de fazer cinema em que a obsessão pelo roteiro perfeito não é o objetivo principal, mas sim a atmosfera. Segundo o curador, ela é criada centrada em outros elementos da narrativa, como o som, a luz, as cores e o cenário, além da história difusa, e se tornam mais relevantes que as atuações e o roteiro para criar o que Luccas considera ser uma obra de arte.

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Julian Kober

É jornalista de geral e atua na profissão há dez anos. Possui bacharel em jornalismo (Unisinos) e trabalhou em grupos de comunicação de diversas cidades do Rio Grande do Sul.

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Julian Kober

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