Valdomiro e Sara Persch administram a propriedade de 10 hectares de parreiras dedicada a três variedades de uva
As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar nos últimos períodos têm beneficiado as videiras no Estado, conforme Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar. Na safra 2025/2026, a estimativa é de que os 42.407 hectares de parreiras destinadas ao processamento industrial e os 3.383 hectares de produção para consumo in natura ou de mesa alcancem o total de 905.291 toneladas.
Nesse contexto, a previsão é de que a safra atual de uva, que está em fase de maturação e colheita, apresente aumento de 5% a 10% em relação à passada, que chegou a 860 mil toneladas. Também houve incremento de 2% na área plantada em solo gaúcho, além de descentralização da produção e processamento, que se espalham agora para diferentes regiões do Estado.
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É o caso do Vale do Rio Pardo, que nesta safra tem estimativa de produzir cerca de 5,4 mil toneladas nos mais de 656 hectares de videiras, de acordo com o extensionista rural e assistente técnico da Regional da Emater/RS-Ascar de Soledade, Vivairo Zago. “Destaque para a produtividade este ano. A qualidade é satisfatória e tende a melhorar com o tempo das próximas semanas”, afirma. Ele ressalta que o produto tem concentrado boa quantidade de açúcar e sabor, favorecendo a sanidade e dificultando a entrada de doenças fúngicas nas produções.
Em Vale do Sol, na Videiras do Vale – propriedade que Valdomiro Persch administra ao lado da esposa Sara –, houve aumento de 30% em relação à safra passada, que contabilizou 150 mil quilos de uva. Localizado em Linha Herval de Baixo, o vinhedo tem projeção de dobrar a produção até 2028, chegando a 300 toneladas por ano.
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Toda essa quantidade é destinada ao mercado in natura e já tem comprador garantido: uma rede de supermercados que absorve o volume sem dificuldade, fornecendo o produto para 28 unidades. A entrega é feita a granel, diretamente da lavoura para o centro de distribuição, sem passar por câmaras frias. “Nós colhemos a uva à tarde, e no outro dia, às 6 da manhã, ela já está sendo descarregada no supermercado. É uma uva fresca, com aroma, que chega cheirosa. Isso abre mercado”, explica o produtor.
O negócio do casal começou em 2013, com a implantação inicial de 8 mil pés de videiras. A ideia, segundo Persch, nunca foi apenas criar um negócio, mas um empreendimento de caráter familiar, quase como um hobby estruturado, sustentado por investimentos oriundos de outras atividades. Atualmente, a propriedade possui 10 hectares de parreiras, divididas em 7 hectares de Niagara Rosada, 2 de Niagara Branca e um de Isabel.
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Quem visita a propriedade familiar dos Lopes, em Cerro Alegre Baixo, interior de Santa Cruz do Sul, pode viver a experiência de colher as uvas diretamente das parreiras. Na única propriedade produtora do fruto registrada no município, Valério Lopes divide o trabalho com a esposa Margarida, o filho Marco e o neto Inácio. A produção, que teve início há 25 anos, inclui as cultivares Vênus, Niagara Rosada, Vitória sem sementes, Núbia, Ísis, Bordô, Isabel, Magna e Carmem.
Nas terras da família, que somam 7 hectares, 1,3 hectare é dedicado ao cultivo das variedades. Depois de perder cerca de 60% da produção na safra passada, os Lopes estimam um rendimento de 6 mil quilos na safra atual. Metade já foi colhida, em trabalho realizado exclusivamente pelos familiares, percorrendo as mais de 4,5 mil videiras. “Se serviço mata, então eu já tinha morrido”, brinca Valério.
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A maioria da produção é destinada à indústria para a fabricação de suco e vinho. No entanto, também há uvas de mesa que são vendidas diretamente na propriedade. No passado, a família produzia vinho colonial, chegando a fazer 500 litros por ano. Segundo Valério, a boa chuva e o calor equilibrado ajudaram para a recuperação da produção. No ano passado, houve seca e as estufas foram danificadas, com uma delas caindo e a outra estourando, o que resultou na perda dos cultivares.
Encruzilhada do Sul segue como o principal polo produtor de uva da Serra do Sudeste e referência regional na safra 2025/2026. Conforme dados fornecidos pelo representante do Escritório da Emater/RS-Ascar no município, Marco Antônio dos Santos, o município concentra cerca de 550 hectares de videiras e deve alcançar uma produção estimada em 5 milhões de quilos de uva nesta safra. Isso representa um crescimento aproximado de 25% em relação ao ciclo anterior, quando foram cerca de 4 milhões de quilos.
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A expansão é atribuída, sobretudo, às condições climáticas favoráveis registradas ao longo do ciclo produtivo. Segundo a Emater, o clima apresentou equilíbrio entre frio, luminosidade e regime hídrico. Cenário encontrado na Vinícola Lidio Carraro, que graças ao inverno rigoroso teve brotação uniforme e com ótima produtividade. “Em relação à quantidade, algumas variedades estão na média produtiva e outras um pouco acima, o que resultará em uma colheita total acima da média dos últimos anos”, afirma o enólogo Giovanni Carraro.
A vinícola conta com 60 hectares produtivos no município e prevê um total aproximado de 550 toneladas para a vindima de 2026. Com toda a produção direcionada à elaboração de vinhos da própria vinícola, os vinhedos contemplam 16 diferentes cultivares. Entre eles estão Chardonnay e Sauvignon Blanc, nas uvas brancas, e Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Tannat, Malbec, Nebbiolo, Teroldego, Touriga Nacional, Tempranillo, Ancellotta, Alicante Bouchet, Petit Verdot e Saperavi.
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Além do portfólio com mais de 40 rótulos de vinhos, a Lidio Carrato faz espumantes Brut, Brut Rosé, Extra Brut e Nature. Toda essa produção conta com o trabalho de 20 colaboradores fixos durante o ano, número que dobra em época de colheita. “Há dias em que não se colhe nada. Em contrapartida, em outros precisamos retirar em torno de 20 toneladas em um só dia”, comenta Carraro.
Os planos são de ampliação para 2026. No decorrer deste ano, serão implantados em Encruzilhada mais 3 hectares produtivos na vinícola, que também possui vinhedos em Bento Gonçalves e recebe, anualmente, cerca de 25 mil visitantes.
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A exemplo da Vinícola Lidio Carraro, a produção local em Encruzilhada do Sul é majoritariamente composta por uvas finas – representam cerca de 90% do volume cultivado no município. Essas variedades são destinadas à elaboração de vinhos finos e espumantes, segmento que vem se destacando pela qualidade da matéria-prima. Já as uvas americanas, em menor escala, são utilizadas para produção de sucos, vinhos coloniais e venda in natura, especialmente de forma direta às margens de rodovias e em mercados locais.
Atualmente, Encruzilhada do Sul reúne 30 produtores de uva, entre pessoas físicas e jurídicas. Parte significativa da produção está vinculada a empreendimentos empresariais, que contam com assistência técnica privada. Ainda assim, segundo Marco Antônio dos Santos, a Emater atua no cadastramento vitícola e no acompanhamento de dados estruturais do setor.
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A colheita no município teve início em janeiro e deve se estender até meados de março, conforme a variedade – são mais de 20. As precoces, como Pinot e Chardonnay, destinadas principalmente à produção de espumantes, já estão em fase de colheita. As cultivares tardias, como Merlot, Malbec, Cabernet Sauvignon e Marcelan, devem ser retiradas entre fevereiro e março.
Outro fator que vem contribuindo para o fortalecimento da vitivinicultura em Encruzilhada é o avanço de investimentos em infraestrutura de processamento. Embora grande parte da uva ainda seja enviada para polos tradicionais da Serra Gaúcha, como Bento Gonçalves e Garibaldi, há produtores locais em fase de implantação ou ampliação de cantinas e estruturas próprias, com foco na agregação de valor e no enoturismo.
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Segundo a Emater, a qualidade das uvas cultivadas em Encruzilhada do Sul tem sido determinante para a origem de vinhos e espumantes premiados, mesmo quando o processamento ocorre fora do município. A tendência, conforme avalia o órgão, é de que a consolidação de estruturas locais fortaleça a cadeia produtiva, ampliando a projeção regional da vitivinicultura.
O investimento em modernização também é uma realidade em Vale do Sol, na Videiras do Vale. A ideia de Valdomiro Persch é ampliar a produção e atingir 1,5 milhão de quilos de uva por ano, a partir de processos de automação da colheita. “Estamos refazendo as parreiras, partindo para cobertura verde e correção de solo para passar uma colheitadeira no meio das videiras.”
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Com as melhorias, também pretende diversificar as culturas. Estão em etapa de plantio 3 hectares de ameixa italiana e um de amora, com expectativa de produzir 20 toneladas e geração de trabalho específico para mulheres. “É vontade, é sonho. É provar que a agricultura não precisa ser só tabaco. Dá para diversificar”, completa.
A atual safra será ainda mais especial para Encruzilhada do Sul. No dia 7 de fevereiro, um sábado, a partir das 17 horas, ocorrerá a 1ª Abertura Oficial da Colheita da Uva no município. O evento, que tem entrada gratuita, será realizado na Casa Valduga (Passo do Silva, BR-471).
A Vindima 2026 contará com a participação de diversas vinícolas, proporcionando ao público uma programação que contempla música ao vivo, passeios de dindinho e a pisa da uva – antiga tradição que consiste em esmagar a uva com os pés, rompendo a casca.
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