Lissi Bender

“Degraus” – “Stufen”

Em nossa recente noite literária, Henning Fülbier, de Berlim, ex-consultor para Língua Alemã no Rio Grande do Sul e escritor, nos contemplou com suas memórias, vertidas em textos. Dos quais extraí um excerto em que fala da presença dos poemas em sua vida estudantil: “A poesia me cativava, tomava conta dos meus devaneios e me acompanhava por toda parte. Era a chave para um mundo diferente, um outro mundo, um lar, um refúgio seguro para as minhas fantasias juvenis. Eu gostava particularmente de ‘Degraus’, de Hermann Hesse; talvez porque também ele tivesse estudado naquela escola, em Maulbronn, onde eu agora estudava”.

O escritor e poeta Hermann Hesse foi laureado pelo prêmio Nobel de Literatura em 1946. Assim como para Fülbier, também eu aprecio os textos de Hesse e considero seu poema “Degraus” – “Stufen” merecedor de leitura e reflexão. Por isso o transcrevo para você, seguido da versão original, minha estimada leitora e estimado leitor.

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“Degraus” – Hermann Hesse

Assim como a flor murcha e
a juventude cede à velhice,
também cada degrau da vida floresce.
A sabedoria e a virtude, a seu tempo,
florescem e não podem durar eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
estar pronto para despedir-se e começar de novo,
para resoluto e sem pesar, em novas relações encontrar
[guarida.
Em cada início reside um encanto que nos protege
[e nos ajuda a viver.

Serenos devemos transpor espaço após espaço,
sem que nenhum nos prenda assim como a Heimat;
O espírito universal não quer nos acorrentar, nem limitar.
Mas de degrau em degrau elevar-nos e nos ampliar.
Mal nos habituamos à intimidade de um círculo de vida,
[ameaça-nos a acomodação;
Somente quem estiver pronto para partir, e parte, se furtará
[à paralisia dos hábitos.

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Talvez mesmo a hora da morte
Nos lance, novamente, para novos espaços,
O apelo da Vida em nós nunca findará …
Vamos, coração, despede-te e te cura!
Fonte: Hermann Hesse, Alemanha in “O jogo das contas de vidro”, tradução de Carlos Leite.

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“Stufen” – Hermann Hesse (1877-1962)

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Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muss das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.

Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.

Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegen senden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden…
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde!

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Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

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