Na operação dessa terça, agentes da Draco localizaram drogas e prenderam dois homens nos bairros Country e João Alves | Foto: Luana Backes
A 16ª Delegacia Regional de Polícia de Santa Cruz do Sul é atualmente a que mais prende no Rio Grande do Sul, com destaque para o combate ao tráfico de drogas. Somente neste ano já são 101 prisões relacionadas a esse crime. Os dados colocam a regional no topo do ranking estadual e demonstram – segundo a instituição – a intensidade das ações policiais na região.
No recorte geral de prisões, o órgão de Santa Cruz soma 364 entre janeiro e abril, liderando com folga em relação a outras regiões do Estado. A segunda colocada prendeu 312 e a terceira, 266.
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A média de prisões é de praticamente uma por dia por tráfico de drogas na região. O número considera apenas ações da Polícia Civil – não inclui ocorrências da Brigada Militar e de outras forças de segurança. “Se somarmos todas as instituições, esse número cresce ainda mais. É um trabalho constante”, reforça o delegado regional Jader Ribeiro Duarte.
Na manhã dessa terça-feira, 28, por exemplo, uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) resultou na apreensão de uma grande quantidade de drogas e na prisão de dois homens em Santa Cruz do Sul. A ação ocorreu nos bairros Country e João Alves e foi desencadeada a partir de uma investigação que identificou a chegada de entorpecentes ao município.
Conforme o delegado Marcelo Chiara Teixeira, os policiais interceptaram um veículo no Country que vinha da Região Metropolitana transportando a carga. Um homem de 45 anos foi abordado e, no interior do automóvel, havia cem tijolos de maconha – cerca de 70 quilos.
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A investigação também apontou o destinatário da droga em Santa Cruz do Sul. Localizado nas proximidades, no Bairro João Alves, o homem aguardava a entrega – e já tinha uma quantidade de entorpecentes. Na sequência, os agentes foram até a residência do suspeito, onde encontraram mais drogas, incluindo cocaína – dois tijolos pesando cerca de 2 quilos, 88 porções prontas para venda e 19 pacotes pesando quase um quilo –, 231 porções de maconha “camarão”, nove porções de haxixe e 16 porções de maconha prensada.
De acordo com a Polícia Civil, o imóvel funcionava como ponto de armazenamento e distribuição, e não de venda direta. O lugar era utilizado estrategicamente para o recebimento e posterior repasse da droga a outros integrantes do grupo criminoso. Os dois homens foram encaminhados ao sistema prisional.
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A Polícia Civil reforça a importância da participação da população no combate ao tráfico. Informações anônimas podem ser repassadas pelo telefone 197 ou diretamente à Draco, com garantia de sigilo. “As denúncias são fundamentais e muitas vezes resultam em prisões e apreensões”, destaca o delegado Marcelo Teixeira.
De acordo com o delegado regional, o alto número de prisões por tráfico não representa aumento da criminalidade, mas sim maior eficiência no enfrentamento. “O que parece negativo, na verdade é positivo. Quando se combate o tráfico, ele aparece. Caso contrário, fica invisível.”
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Segundo a Polícia Civil, o tráfico de drogas está ligado a uma série de outros crimes, como furto, roubo, homicídio e estelionato. O delegado Jader Ribeiro Duarte ressalta que o crime organizado utiliza a venda de entorpecentes como uma das fontes de financiamento.
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“O tráfico está inserido em um contexto maior, dominado por facções criminosas, e financia atividades ilícitas, desde furtos até extorsões”, afirma. Ele também destaca que, no caso de Santa Cruz, os líderes do tráfico local já estão presos.
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Com cerca de 130 mil habitantes, Santa Cruz do Sul tem renda elevada, grande circulação de dinheiro e muitos eventos, o que atrai organizações criminosas, segundo a Polícia Civil.
“O consumo de drogas aqui é alto. Isso fica evidente pelo volume de apreensões. É um mercado que chama atenção das facções”, afirma o delegado Marcelo Teixeira. Ele destaca a mudança no modo de atuação do tráfico, que hoje vai além dos pontos tradicionais de venda. “Muito ocorre por tele-entrega. O consumidor não precisa mais ir até uma boca de fumo. A droga chega até ele”, explica.
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O delegado da 1ª Delegacia de Polícia, Guilherme Dill, explica que o combate ao tráfico exige atuação permanente, já que a atividade criminosa não para. “Se o tráfico acontece todos os dias, a polícia também precisa atuar todos os dias. É um trabalho de constância, para evitar o fortalecimento dessas organizações.”
Ele também ressalta que como os líderes do tráfico local já estão presos, o foco atual é atingir a base da operação – os responsáveis pela distribuição e venda. Um exemplo disso são as prisões nesta semana – de campanas que avisam quando a polícia se aproxima de determinados lugares.
“Santa Cruz do Sul tem uma realidade anormal que foi entendida pela população como normal. A gente sai hoje para caminhar em um dos principais pontos de lazer e, na esquina de um bairro, tem dois indivíduos parados, num guarda-sol, sentados”, diz. “Quando a viatura policial passa por ali, eles gritam para o pessoal lá dentro – que vende a droga – desaparecer.”
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