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SANTA CRUZ

Investigação leva à prisão de suspeito de abusos sexuais; escuta qualificada deu fim a ciclo de violência

Foto: Albus Produtora

A escuta qualificada de relatos de crianças e adolescentes foi determinante para o avanço de uma investigação sobre abusos sexuais em Santa Cruz do Sul, conduzida pela Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A frase da delegada Ana Luísa Aita Pippi, titular da DPCA, resume o ponto central do trabalho que foi feito: “Quando a criança fala, é preciso ouvir”.

Segundo a Polícia Civil, relatos acolhidos por profissionais da rede de proteção contribuíram de forma fundamental para dar consistência às apurações. Até o momento, quatro vítimas foram identificadas. A mais nova tem 9 anos atualmente.

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O caso passou a ser investigado após um homicídio registrado neste ano. A partir desse episódio, surgiram indícios de possíveis situações de violência envolvendo crianças da mesma família, o que levou ao aprofundamento das diligências.

De acordo com a delegada, os indícios apontam que os abusos teriam começado anos atrás, sugerindo um ciclo prolongado de violência. As informações, no entanto, ainda são preliminares. Isso porque, nesta fase, os dados foram obtidos por meio de escuta especializada, procedimento previsto em lei que consiste na coleta de relatos espontâneos por profissionais da rede de proteção.

Segundo a delegada Ana Pippi, foram identificadas quatro vítimas até o momento | Foto: Luana Backes

“Neste momento, não é possível fazer perguntas detalhadas. O depoimento completo será realizado posteriormente, em juízo”, explicou. O suspeito, um homem de 44 anos com vínculo familiar com as vítimas, foi preso na manhã dessa segunda-feira, 27.

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O inquérito está em andamento. A Polícia Civil já solicitou ao Judiciário a realização do depoimento especial das vítimas, etapa que permitirá aprofundar os fatos com as garantias legais. Outras responsabilidades também são apuradas.

Conforme a polícia, o autor do homicídio seria um familiar das vítimas, que teria agido após tomar conhecimento das suspeitas de abuso. Antes disso, não havia registro formal das denúncias.

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Ambiente familiar

Para a Polícia Civil, o caso evidencia a importância da escuta e do acolhimento. Conforme a delegada, muitas situações de abuso permanecem ocultas justamente por ocorrerem dentro do ambiente familiar e pela dificuldade das vítimas em serem ouvidas.

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Nesse caso, o acolhimento realizado no âmbito da rede de proteção foi determinante para fortalecer os indícios e contribuir para interromper uma situação que, conforme apontam as investigações, se estendia há anos. “É fundamental dar atenção ao que a criança relata. Muitas vezes é o primeiro passo para romper esse tipo de violência”, reforçou.

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Por que muitas não conseguem denunciar

A delegada Ana Pippi também destacou a dificuldade enfrentada por crianças vítimas de abuso, especialmente quando há ameaça e envolvimento de pessoas próximas. “Imagine uma criança sendo ameaçada. Como ela vai ter coragem de contar? Ela fica com muito medo, fica acuada. Muitas vezes, além de sofrer a violência, ainda é intimidada e não encontra quem acredite nela”, afirmou.

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Segundo a delegada, esse cenário é comum em casos que ocorrem dentro do ambiente familiar, o que corresponde à maioria. “Quando a criança tenta falar e não é ouvida, ela perde a voz. E se quem deveria proteger não acolhe, quem vai acreditar?”

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Por isso, reforçou, é fundamental dar atenção aos sinais e aos relatos. “Quando uma criança fala, a gente precisa olhar, acolher e entender o que está acontecendo. Criança não inventa esse tipo de relato.”

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