Saúde e Bem-estar

Dengue: prevenção é dever de todos; veja quais cuidados devem ser tomados

O Rio Grande do Sul encerrou os primeiros 30 dias deste ano com a confirmação de 57 casos de dengue. O número foi atualizado na manhã dessa sexta-feira, 30, pela Secretaria Estadual da Saúde, através do Painel de Casos de Dengue RS. Nesse mesmo período, constam 2.567 notificações, 1.765 casos em investigação e outros 745 descartados.

Ainda conforme o Painel, a área de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), que compreende 13 municípios, teve 13 casos da doença confirmados. Oito deles foram registrados em Santa Cruz do Sul, dois em Vera Cruz, um em Rio Pardo e um em Gramado Xavier. O número de notificações em toda a 13ª CRS totaliza 198 – 74 casos estão em investigação e outros 111 foram descartados.

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Até o momento, nenhuma morte foi registrada no Estado, embora mais de 95% dos municípios gaúchos já estejam infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A proliferação do mosquito tem se intensificado especialmente pela combinação de chuva e calor intenso registrada nas últimas semanas. As precipitações favorecem o acúmulo de água parada, condição ideal para a reprodução do mosquito. Por isso, a orientação é para que se monitorem (ou se eliminem) os locais que possam acumular água, como vasos de plantas, pneus ou demais recipientes.

Outro cuidado é com relação ao acúmulo de lixo, em ambientes domiciliares ou terrenos baldios, que possa favorecer a proliferação de mosquitos. Ademais, tratando-se da necessidade de eliminação de insetos, de modo geral, outra alternativa são as desinsetizações. No entanto, no caso específico da dengue, as ações primárias, como evitar a água parada, são eficazes, rápidas e exigem sobretudo conscientização constante por parte de toda a população. É, sem dúvida, um dever de todos.

Foto: Rodrigo Méxas e Raquel Portugal /Acervo Fiocruz Imagens

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Levantamento apontará as ações desenvolvidas no município

A Secretaria Municipal de Saúde, através do setor de Endemias e da Vigilância Epidemiológica, trabalha para identificar os locais em que há mais incidência de larvas do mosquito transmissor da dengue em Santa Cruz do Sul. Desde o último dia 28, os Agentes de Combate às Endemias percorrem diversos pontos da cidade e do interior para executar o Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa). A ação é preconizada pelo Ministério da Saúde, e os ciclos de realização são determinados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo explica o coordenador do setor, Alexandre Goularte, a previsão é de que o trabalho de campo seja concluído até a próxima quarta. No período, serão visitados 36 bairros da zona urbana e as regiões de Linha Pinheiral, Monte Alverne, Linha Santa Cruz e Rio Pardinho. Foram sorteados 406 quarteirões, o equivalente a 22% do total de domicílios.

Goularte observa que esse é um trabalho de rotina e que ocorre quatro vezes ao ano, seguindo determinações do Estado. “É feito dividindo a cidade em estratos [são seis no total], o que permite apontar o índice da cidade, da região e, por fim, dos bairros”, explica.

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As amostras que forem coletadas nesse levantamento serão encaminhadas à unidade do Lacen (Centro Estadual de Vigilância em Saúde), em Santa Cruz, que irá identificar se as larvas realmente são de Aedes aegypti ou de outro mosquito. A partir daí, poderão ser desenvolvidas ações específicas para prevenção e eliminação dos focos.

Em cada uma das visitas feitas, os Agentes de Combate às Endemias não só monitoram lugares suspeitos, onde identificam água parada, como também fazem as coletas e orientam os moradores sobre os cuidados para evitar a proliferação dos mosquitos.

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Para que as equipes consigam realizar esses trabalhos de coleta, Goularte enfatiza a importância da colaboração dos moradores, para que os recebam em suas residências e, assim, ajudem a fortalecer as ações de prevenção. Todos estão identificados com colete azul e crachá, com nome e função.

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Fique atento

Sobre a doença

A dengue é uma doença viral transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve mais entre os meses de outubro e abril, em razão do calor e da ocorrência de chuvas. No Brasil, há quatro tipos da doença, sendo mais comuns no Estado os sorotipos 1 e 3. Todos os tipos provocam os mesmos sintomas, mas o maior problema é a reinfecção por causa do risco de dengue hemorrágica.

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Sobre os sintomas

Os sintomas podem se manifestar no período de uma a duas semanas após a picada do mosquito. A pessoa infectada geralmente sente febre, dores pelo corpo, músculos, articulações e atrás dos olhos. Na dengue hemorrágica, há reação de forma exacerbada ao vírus, com surgimento de pequenas pintas roxas pelo corpo, dor abdominal, náuseas, vômitos e, em quadros mais graves, falta de ar. Com a manifestação dos primeiros sintomas, o ciclo da doença é de cerca de sete dias. Sinais mais específicos, como dor atrás dos olhos, nas articulações e manchas na pele podem ser indicadores de alerta para essa doença.

Sobre a vacina

No Estado, a vacina contra a dengue está sendo distribuída através da rede privada e não tem previsão de chegar no Sistema Único de Saúde (SUS). A indicação é para pessoas dos 4 aos 60 anos. Por ser feita de vírus vivo atenuado, ela pode gerar algumas reações, mas que duram de 24 a 48 horas. Pacientes com imunidade baixa ou que realizem algum tratamento oncológico ou para doenças autoimunes, precisam conversar com o médico antes de aplicar.

*As informações foram repassadas pelo médico infectologista Eduardo Sonda, em entrevista recente à Rádio Gazeta 107.9 FM, e reproduzidas pelo Gaz.

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Como diagnosticar a doença?

Tão importante quanto prevenir é ficar atento aos sintomas quando há suspeita de dengue. É a partir do diagnóstico correto que, em casos de contaminação, é possível monitorar o paciente e evitar que ocorra o agravamento da doença.

Quem traz mais orientações sobre os exames feitos para o diagnóstico é a biomédica Michelle Lersch, coordenadora do laboratório Ana Nery, de Santa Cruz do Sul. Conforme ela, a partir da confirmação da doença, o médico poderá fazer o monitoramento e prescrever a melhor conduta de tratamento.I

Entrevista

Michelle Lersch
Biomédica, coordenadora do Laboratório Ana Nery

  • Quais exames são realizados para obter o diagnóstico da dengue?
  • Os principais são Dengue Antígeno NS1, Dengue IgG e Dengue IgM.
  • O que cada um deles indica, especificamente?
  • Cada um deles evai ser específico para um período da doença. Quando a pessoa é infectada, nos primeiros dias ela terá a presença do antígeno NS1, que é o antígeno do vírus. Isso vai durar mais ou menos até o quinto ou sétimo dia. Depois disso, começa a produzir o anticorpo IgM, que é o anticorpo de fase aguda. Então, a pessoa vai estar apresentando os anticorpos IgM ainda por um tempo – em geral até uns 15 dias, mais ou menos. Depois desse período, começará a produzir o anticorpo IgG, que é o anticorpo de memória, como chamamos, já que ele permanece por alguns meses.
  • Então, o que define quais desses exames deve ser feito é o tempo de sintomas?
  • Isso, é a quantidade de dias que a pessoa está com sintomas. Se forem três dias de sintomas, por exemplo, não adianta fazer um anticorpo IgM ou IgG porque ainda não se terá esses anticorpos, então é preciso fazer o NS1. Se já forem dez dias, aí o indicado vai ser o IgM. Todos eles vão indicar uma infecção – ou uma infecção ativa no momento, ou uma infecção passada.
    Por vezes, também se solicitam os três exames juntos porque a pessoa não sabe bem há quantos dias está com sintomas ou então pode estar infectada há mais dias, mas os sintomas demoraram a aparecer. Além disso, eles podem ser inespecíficos, ou seja, a pessoa pode ter febre e dor no corpo, mas isso pode caracterizar qualquer infecção viral; não é específico para dengue. Então, é importante fazer mais de um desses exames para ter o diagnóstico com mais clareza. O que também acontece, às vezes, é de pegar a janela entre um anticorpo e outro: se a pessoa já não tem mais o antígeno NS1 e ainda não produziu anticorpos IgM suficientes para serem identificados no teste, se pega essa janelinha, que vai dar negativo, mas na verdade não é. E aí entra a importância do hemograma.
  • O que poderá ser identificado por meio do hemograma e por que ele é tão importante?
  • O hemograma de um paciente com dengue tem alterações clássicas, de células que ficam alteradas, algo muito característico da doença. Junto com isso, no hemograma também se faz a contagem de plaquetas. Essa contagem vai apontar o risco da doença.
    Um paciente pode ter até sintomas pesados, com muita febre e dor no corpo, mas se as plaquetas estão em uma quantidade boa, não terá risco de hemorragia. É comum o paciente com dengue começar a ter queda de plaquetas, e aí ele precisará ser monitorado.
    O médico vai definir qual a frequência desse monitoramento e se terá que adotar algum tipo de conduta ou tratamento específico. Isso é muito individual de cada pessoa e cada tratamento, e sempre vai depender da quantidade de plaquetas que esse paciente tem.
  • E vocês já têm percebido aumento na demanda por esses exames no laboratório?
  • Sim, temos percebido o aumento da demanda desde dezembro. Especialmente nas portas de emergência, pois como os sintomas podem ser inespecíficos, é importante para diferenciar.

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Cláudia Priebe

Cláudia Priebe é natural de Candelária (RS). Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) desde 2005, onde também concluiu especialização MBA em Agronegócios, em 2008, começou a atuar na área ainda em 2002. Sua primeira experiência foi no meio impresso, no Jornal de Candelária, local em que, por mais de dois anos, desenvolveu atividades como repórter, fotógrafa e revisora. Entre 2005 e 2008 atuou no grupo das Rádios Sobradinho AM 1110 e Jacuí FM 97,3, em Sobradinho (RS). Nesse período desenvolveu atividades como redatora, repórter de rua, locutora e produtora de programas jornalísticos, além de fazer apresentações de eventos promovidos pelas duas emissoras. Em 2008 retornou para o meio impresso, desta vez para o jornalismo especializado, e atuou como jornalista freelancer da Editora Gazeta, da Gazeta Grupo de Comunicações. De 2009 a 2015 integrou a equipe da Folha de Candelária, também em Candelária, tendo acumulado as funções de repórter, fotógrafa, revisora e subeditora nos três primeiros anos e a edição geral, coordenando uma equipe de outros quatro repórteres, nos três anos finais. Nesse mesmo período prestou serviços para a Cassol Publicidade e Propaganda, de Candelária, na redação semanal das sessões da Câmara de Vereadores de Candelária. Entre os anos de 2015 a 2023 atuou como assessora de imprensa do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Cruz do Sul, sendo responsável pela comunicação interna e externa da entidade, bem como pela produção e edição de materiais gráficos diversos. Em 2023 retornou para a Gazeta Grupo de Comunicações, onde atualmente se dedica à produção e edição de conteúdo para os cadernos especiais do jornal Gazeta do Sul e de conteúdos patrocinados para o Portal Gaz, atendendo clientes de segmentos como comércio, indústria e prestação de serviços. Eventualmente, atua, também, como revisora do jornal.

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