Mesmo com risco à própria vida, homens e mulheres enfrentam o perigo diariamente, 24 horas por dia, para cumprir o seu juramento de salvar e proteger. Nessa rotina de coragem, o imprevisível caminha junto com o compromisso de atender a população, onde e quando for preciso. A cada chamado, um pedido de ajuda se apresenta. E todos eles, de pronto, são atendidos. Altamente treinados e preparados para os mais diversos tipos de ocorrências, os Bombeiros Militares estão à disposição de suas comunidades justamente nos momentos de maior angústia e desespero.
Em Santa Cruz do Sul, o 6º Batalhão de Bombeiro Militar (BBM) atendeu 792 ocorrências desde o início de 2026. Em 2025, foram 1.794 no decorrer de todo o ano. Conforme observa o comandante do pelotão de Santa Cruz do Sul, tenente Wilson Hilário da Costa, 48 anos, há variações para cada tipo de atendimento ou situação. “Os incêndios, por exemplo, podem ocorrer em veículo, em residência, em indústria, em transformador de energia, em vegetação, em lixo, entre outros”, exemplifica.
Além disso, mesmo que pareça uma ocorrência simples, pode envolver a equipe por muitas horas. “Recentemente, atendemos o caso de um cão que havia ficado preso em um encanamento. Levamos quase sete horas para concluir o resgate e fazer o salvamento do animal com vida”, exemplifica.
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Embora a maioria das pessoas associe de imediato o trabalho dos bombeiros ao atendimento de incêndios, as linhas de atuação são muito mais amplas. Na lista das principais ocorrências registradas no ano passado, o atendimento pré-hospitalar liderou, com 345 casos.
Outro destaque foram os pedidos de salvamento, busca e resgate, com 289 registros. Na última segunda-feira, minutos antes de receber a equipe da Gazeta do Sul, a guarnição já havia atendido chamados para uma limpeza de pista e um salvamento e resgate de animal. São, portanto, situações variadas e que exigem treinamento, técnica e preparo.
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Com 28 anos dedicados à corporação, o tenente Wilson dispõe de um efetivo de 30 militares no pelotão operacional. Ele define o trabalho como gratificante, mesmo que por vezes haja uma sobrecarga, pois também é preciso atender a demandas administrativas.
“Hoje, o efetivo de Santa Cruz é de aproximadamente 50% operacional e 50% administrativo, compreendendo a estrutura do Batalhão e da Seção de Segurança Contra Incêndio”, afirma. Uma das dificuldades é justamente com relação ao número reduzido de efetivo, já que houve significativa melhora quanto às condições de trabalho (equipamentos e treinamento). Nesse sentido, o tenente salienta que a reativação do quartel do Distrito é uma prioridade e que depende de mais efetivo. De modo geral, com seis a oito militares a mais no pelotão, isso seria possível.
O comandante destaca que a corporação está realizando o ingresso de novos militares na função de soldado e soldado temporário. Ele acredita que, após a conclusão dos respectivos cursos, Santa Cruz do Sul deva receber algum complemento de efetivo.
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*Os números correspondem aos atendimentos registrados em 2025
Durante o plantão na noite de 5 de junho, o soldado Marcos Vinícius Bartz, 37 anos, de Passo do Sobrado, salvou a vida de uma bebê que havia se engasgado. A resposta rápida de Bartz, tão logo os pais chegaram com a criança, foi decisiva. Treinado para executar a Manobra de Heimlich, aplicada nessas situações, ele agiu com técnica diante do inesperado. O vídeo do atendimento foi divulgado pelo 6º BBM em seu perfil no Instagram.
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Bartz atua no Centro de Operações dos Bombeiros Militares (Cobom), como operador (telefonista), setor responsável por atender as chamadas de emergência pelo telefone 193. É aí que se inicia o atendimento de resposta às ocorrências registradas pela corporação e recebem-se os pedidos de ajuda que chegam ao BBM.
Em nove anos de corporação, Bartz já havia salvo outros dois bebês. Pelo fato de ser pai, diz que essas ocorrências são sempre marcantes. “Na hora, mesmo com o susto, a gente não pensa muito. A preocupação, no momento, é executar a técnica correta”, relata. Tendo atuado como bombeiro voluntário em Passo do Sobrado entre 2010 e 2017, Bartz sempre foi movido a ajudar. “Sempre gostei de ajudar os outros e essa era a forma que eu encontrava de fazer isso. Quando tinha um acidente ou alguém se machucava, eu sempre corria para ajudar”, lembra.
Hoje, após vestir a farda e receber o treinamento de bombeiro militar, Bartz confessa ter ampliado o olhar para a profissão. “Muitos imaginam o bombeiro como herói, mas somos seres humanos. Mesmo que a gente receba preparo psicológico durante o curso de formação, nós sentimos as ocorrências, absorvemos algumas coisas. A gente lida com famílias, com vidas”, destaca. Na sua missão, para executar a missão são essenciais preparo físico, preparo psicológico e conhecimento técnico.
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Na segunda-feira, o sargento Luís Fernando Lopes e os soldados Manoel Batista Neto, Lennon da Rosa Silveira e Veroni Correa Osorio formaram a guarnição de plantão do pelotão do 6º BBM, em Santa Cruz. Eles e o soldado Bartz, no Cobom, estavam a postos para atender as ocorrências que surgissem nas 24 horas do plantão. Por alguns minutos, conversaram com a Gazeta do Sul sobre a missão de ser bombeiro.
É senso comum no grupo a vontade de ajudar e fazer a diferença no cotidiano das pessoas. Como afirmou o sargento Luís Fernando, “em 80% a 90% das ocorrências atendidas, alguém está perdendo alguma coisa”. “É muito gratificante ajudar ou minimizar o prejuízo que uma família ou um cidadão possa ter, como num caso de incêndio, por exemplo. E quando a gente consegue salvar alguém ou dar condições para que aquela pessoa consiga se manter viva, como num acidente, isso tem um significado ainda maior.”
O soldado Lennon, que teve inspiração no pai militar (hoje da reserva), afirma que é motivo de orgulho poder ajudar as pessoas com a técnica, o treinamento e o curso de formação que recebeu. “É uma honra ser bombeiro e um braço de Deus para ajudar as pessoas. Quando estamos em serviço é porque, normalmente, alguém está perdendo alguma coisa”, comentou, acrescentando que “todos são treinados para trabalhar com os mais diversos tipos de situação e se preparam, sempre, para o pior de uma ocorrência”.
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Esse mesmo sentimento é compartilhado pelo soldado Manoel. “É um orgulho exercer a profissão por todo o contexto do que nos é exigido, pelas ocorrências que atendemos, pela responsabilidade.”
Segundo ele, também emociona o fato de despertar a curiosidade das crianças, de inspirá-las a seguir essa profissão. Isso, aliás, aconteceu recentemente, quando o 6º BBM foi convidado a apresentar um caminhão em uma escola e o seu filho estava na plateia, ouvindo a fala. A exemplo de muitas pessoas, antes de ingressar na corporação o soldado não fazia ideia da amplitude de ações desenvolvidas.
O fascínio e o reconhecimento das crianças também são marcantes para o soldado Osorio. Ele contou que na época em que atuou em Taquari, ministrou palestra em uma escola e foi recebido com aplausos pelos alunos, no saguão. Acredita que esse contato com as crianças pode motivar muitas delas a se inspirar na profissão e a segui-la.
Sobre a missão que executa, Osorio diz que o mais gratificante é a possibilidade de ajudar e acolher as pessoas, especialmente em um dia difícil. “Eu sempre quis poder ajudar as pessoas e essa foi uma das profissões que me proporcionou isso”, resumiu.
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