Da captação no Rio Pardinho, água é transportada pela tubulação até o Lago
Você já parou para pensar no trajeto que a água percorre até chegar à torneira? Em Santa Cruz do Sul, esse caminho começa no Rio Pardinho e atravessa diversas etapas de tratamento até atingir as residências. O processo combina engenharia, tecnologia, preservação ambiental e saúde pública. Ao todo, 63 mil economias consomem 1,4 milhão de metros cúbicos de água por mês. Além do volume captado no Rio Pardinho, alguns bairros – como Aliança, Linha João Alves e Linha Santa Cruz – são abastecidos por poços.
O sistema de captação da barragem no Rio Pardinho entrou em operação em 31 de dezembro de 1998. Na época, o curso do manancial foi desviado para a construção da estrutura, que representou a primeira etapa do Complexo Lago Prefeito Telmo Kirst.
LEIA MAIS: Início do novo estacionamento rotativo é adiado para maio
Publicidade
No local, denominado vertedouro de parede delgada, o recurso bruto é coletado – a vazão gira em torno de 500 a 600 litros por segundo. Por meio de uma adutora de 800 milímetros, o líquido segue por gravidade durante 4,5 quilômetros até o Lago. Na barragem, assim como em outros pontos do município, a tubulação conta com uma estrutura de proteção, que evita a corrosão e o enferrujamento do metal da adutora.
O coordenador de Operações da Corsan, engenheiro civil Rafael de Oliveira Gonçalves, destaca que a contribuição do rio é ininterrupta. “Mesmo em épocas de estiagem, o envio do rio para o Lago nunca cessa. Mais de 80% das economias dependem do Rio Pardinho”, afirma.
Além da água reservada no Lago, a Corsan faz a captação direta no manancial por meio de duas bombas instaladas nas imediações da ponte de Vera Cruz, que direcionam o fluxo diretamente para a Estação de Tratamento de Água (ETA).
Publicidade
LEIA TAMBÉM: Old School Day se une à ação para beneficiar atendidos na UTI Neonatal do HSC; veja o que doar
O Lago Prefeito Telmo Kirst ocupa quase 230 hectares, com um espelho d’água de aproximadamente 120 hectares. Estudos realizados em 2024, com medição da profundidade, apontam que o local garante autonomia de cerca de 80 dias.
A estrutura foi projetada para evitar desperdícios. Um declive nos fundos do lago, chamado de extravasador de excesso, permite o transbordo e o retorno do excedente para o leito do rio em caso de chuvas fortes. Há também uma adutora com comporta que pode ser fechada com base em análises laboratoriais – medida necessária se a água bruta apresentar nutrientes que favoreçam a proliferação de algas.
Publicidade
LEIA MAIS: Agerst debate indenização de investimentos no saneamento e reforça fiscalização em Santa Cruz
Outro vertedouro de nível, à direita da entrada do Complexo, devolve o excesso ao rio. Ao lado, ocorre a captação de 500 a 600 litros por segundo para a ETA, volume que varia conforme a demanda da população. Todo o sistema conta com monitoramento de nível em tempo real.
A antiga Estação de Tratamento, na Rua da Pedreira, 217, é o “pulmão” do sistema. A estrutura funciona como um reservatório de mais de 6,3 mil metros cúbicos. Mesmo após a distribuição, a qualidade segue monitorada. Mensalmente, a companhia coleta 105 amostras em residências de diversos bairros para validar a potabilidade e o cumprimento das normas legais. Órgãos reguladores também realizam inspeções periódicas.
Publicidade
LEIA TAMBÉM: Café Empresarial vai abordar a qualificação profissional no Senai
Transformar a água bruta em potável é um processo que leva cerca de quatro horas. O ciclo envolve a entrada do recurso, o tratamento na estação e o envio para os reservatórios da unidade antiga, de onde parte para os consumidores.
LEIA TAMBÉM: Agentes de endemias instalam armadilhas para monitorar mosquito da dengue em bairros de Santa Cruz
Publicidade
A purificação exige a adição de produtos químicos, sendo o principal o sulfato de alumínio, usado para remover contaminantes. A química analítica Kellen Francine Anschu, coordenadora de laboratório, explica que a água do Lago e a do rio têm características distintas. “A que vem do Lago é mais límpida, mas pode sofrer com a floração de algas, principalmente entre outubro e março. Nosso trabalho é garantir que o produto final não tenha odor ou gosto ao chegar às casas.”
Ao entrar na ETA, o líquido recebe o sulfato de alumínio (produzido pela própria Corsan) para a clarificação. A dosagem é ajustada por análises feitas a cada 30 ou 60 minutos, que avaliam matéria orgânica, alcalinidade, pH, cor e turbidez.
Na sequência, ocorre a floculação, que aglutina impurezas como terra e areia em pequenos flocos. Após a decantação, a água passa por filtros compostos por camadas de pedregulho, areia e carvão, que retêm bactérias patogênicas e resíduos finos.
LEIA MAIS: OAB e Polícia Civil orientam população sobre golpes digitais em Santa Cruz
Nesta fase, o monitoramento é horário. “A Portaria 888 do Ministério da Saúde exige que a turbidez não ultrapasse 0,5 % em 95% das amostras. Esse controle rígido assegura a desinfecção adequada”, explica Kellen. Por fim, a água recebe flúor e cloro, segue para um reservatório de 3 mil metros cúbicos e é bombeada para a antiga ETA.
A primeira edição do programa Portas Abertas na nova estação de tratamento de água da Corsan em Santa Cruz recebeu os alunos do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Menino Deus ontem. O programa é uma iniciativa que visa receber estudantes, imprensa, autoridades e comunidade para conhecerem como funcionam os serviços de saneamento.
Os 30 alunos ouviram explicações do encarregado multifuncional da Corsan, Emerson Elizeu Hanzen, sobre o percurso da água, desde a captação até ser distribuída à população, depois de passar pelo tratamento. Em seguida, eles percorreram as estruturas da estação e acompanharam todas as etapas do processo de purificação.
No laboratório, os estudantes observaram as análises de qualidade realizadas pela equipe técnica e aprenderam sobre os produtos químicos utilizados e a importância da potabilidade da água para o consumo humano.
LEIA TAMBÉM: Fundação Dom Cabral traz curso inédito a Santa Cruz
O analista de responsabilidade social da Corsan na Região Central, Cleiton Machado, destacou a relevância da aproximação entre a Companhia e as instituições de ensino, ressaltando a importância da troca de conhecimento. “Ao apresentar todo o ciclo do tratamento da água, levamos conhecimento, damos transparência às nossas ações e aproveitamos para passar informação sobre o uso consciente da água, gerando impacto social e também ambiental.”
Para a professora de Geografia Karoline Araújo, a visita foi uma forma de os alunos visualizarem o que vêm aprendendo em sala de aula. Interessados em participar do programa podem agendar visitas com o setor pelo telefone (55) 99623-4814.
LEIA MAIS NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL
QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!
This website uses cookies.