Tratamento adequado pode evitar complicações e limitações a longo prazo
Nem toda dor após uma lesão é comum e, em alguns casos, pode indicar uma condição neurológica complexa. A chamada causalgia, hoje conhecida como Síndrome de Dor Regional Complexa tipo II, é marcada por dor intensa, persistente e muitas vezes incapacitante. Embora pouco conhecida, exige atenção pelo impacto na qualidade de vida e pelo risco de cronificação.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 37% dos brasileiros acima de 50 anos convivem com dor crônica, sendo mais frequente entre mulheres, indivíduos com artrite, problemas na coluna, sintomas depressivos ou histórico de quedas e hospitalizações. Ainda assim, um estudo da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (Sbed), em conjunto com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), indica que a Região Sul concentra uma das maiores taxas de dor crônica do País: atinge cerca de 42% da população.
Na prática assistencial, esse impacto também se reflete no Hospital Humaniza, unidade de alta complexidade da Hapvida em Porto Alegre. No primeiro trimestre, 8,53% dos atendimentos – o equivalente a 1.282 de um total de 15.024 – estiveram relacionados à causalgia. Diante desse cenário, a condição ganha ainda mais relevância clínica.
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Segundo a neurologista da Hapvida, Maria José Santa Cruz Villalba, o quadro se caracteriza por dor e queimação contínua, geralmente desproporcional à lesão inicial. “O paciente relata uma sensação de queimação intensa que pode ultrapassar a área do nervo afetado, acompanhada de sensibilidade extrema ao toque e respostas exageradas a estímulos dolorosos.” Também são comuns alterações na cor e temperatura da pele, sudorese anormal, inchaço, rigidez, limitação de movimentos e mudanças progressivas na pele, unhas e pelos.
A condição costuma surgir após traumas, cirurgias ou outros danos diretos a nervos periféricos. “Existe uma disfunção complexa que envolve o nervo lesionado, o sistema nervoso simpático e o processamento central da dor. Isso explica a intensidade e a persistência dos sintomas”, afirma a especialista.
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O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no histórico do paciente e nos critérios de Budapeste, amplamente utilizados na prática médica. Exames como eletroneuromiografia e métodos de imagem podem ser solicitados para descartar outras doenças, mas não há um teste único capaz de confirmar a causalgia.
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O tratamento dessa enfermidade é multidisciplinar e deve começar o quanto antes. Fisioterapia e terapia ocupacional são fundamentais para preservar a função do membro afetado, associadas ao uso de medicamentos para dor neuropática. Em casos mais resistentes, podem ser indicadas intervenções como bloqueios simpáticos e estimulação da medula espinhal.
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Para a neurologista, a informação é uma aliada no enfrentamento da doença. “Reconhecer os sintomas precocemente e buscar avaliação especializada faz a diferença na evolução do quadro. Quanto antes iniciamos o tratamento, maiores são as chances de controle da dor e de recuperação funcional”, destaca Maria José.
A conscientização sobre a causalgia também passa pela atenção a lesões aparentemente simples que evoluem com dor persistente e desproporcional. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação médica para investigação adequada e início do cuidado, evitando complicações e limitações a longo prazo.
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