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ALERTA NA SAÚDE

Situação financeira limita atendimento de hospitais na região, diz presidente de sindicato

Foto: Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Enquanto buscam manter cuidado contínuo à saúde da população, os hospitais gaúchos têm enfrentado problemas para preservar sua própria saúde financeira. O alerta foi feito pelo presidente do Sindicato dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Vale do Rio Pardo, Celso Jair dos Santos Teixeira, em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9. A entidade representa 11 hospitais da região, envolvendo diretamente 20 cidades.

A preocupação é demonstrada em números: no Rio Grande do Sul, até 2024, a dívida dos hospitais filantrópicos somava R$ 2,5 bilhões. A rede, formada por mais de 250 instituições de saúde, atende 75% dos pacientes internados por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. A situação impacta diretamente na limitação dos atendimentos – em alguns casos, a fila para a cirurgia geral chega a dois anos.

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Teixeira aponta que o principal motivo é a ineficiência das correções da Tabela SUS – que define o valor pago às instituições por procedimento realizado – quando comparada à inflação desde o Plano Real, que chega a cerca de 700%. “A folha de pagamento tem o seu reajuste todo ano. Além disso, as estruturas físicas devem ser renovadas”, explica, ressaltando também a necessidade de acompanhar a renovação tecnológica na estrutura física dos hospitais.

Na última semana, uma reunião do sindicato, realizada no Hospital Santa Cruz (HSC), em Santa Cruz do Sul, debateu a situação. As instituições afirmam que têm condições de ampliar o atendimento, inclusive com estruturas próprias. No entanto, de acordo com as tabelas que são pagas hoje, se torna inviável. “Nós temos condições de atendimento, mas nós precisamos que o Estado nos dê condições financeiras para esse atendimento”, afirma Teixeira.

Celso Teixeira é também administrador do Hospital Santa Bárbara, de Encruzilhada do Sul. A instituição, que tem 85% de seus atendimentos realizados pelo SUS, possui mais de R$ 2 milhões em dívidas. “Recentemente, nós tivemos um laboratório de análises clínicas terceirizado encerrando as suas atividades no hospital. Tivemos 60 dias para criar um laboratório que já está funcionando. Não tinha tempo hábil para se procurar nenhum ente governamental para que, em 60 dias, ele pudesse, com toda a burocracia necessária, aportar qualquer recurso ou ajuda. Nós tivemos que nos endividar um pouco mais, gastar o que não tínhamos para poder atender”, exemplifica.

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Ajudas não cobrem a defasagem

O presidente do sindicato que representa os hospitais filantrópicos do Vale do Rio Pardo também cita ajudas que as instituições recebem, como as advindas por meio de emendas parlamentares. Entretanto, segundo ele, esses recursos acabam sendo pontuais e destinados a equipamentos, áreas ou procedimentos específicos, sem necessariamente contribuir para o custeio das atividades em geral.

Além disso, cita o programa Avançar, do governo do Estado, que também disponibiliza recursos para a renovação das estruturas. Porém, assim que prontas, a manutenção das áreas construídas ou reformadas fica a cargo do próprio hospital. “É claro para nós que o Estado e os municípios estão fazendo sua parte e seus esforços. O nosso problema raiz, no meu entendimento, é a responsabilidade do governo federal, que não repõe a Tabela SUS. Ela é que deveria efetivamente fazer o custeio de cada procedimento”, reforça Teixeira.

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O cálculo da Federação dos Hospitais do Rio Grande do Sul aponta que o reajuste da tabela SUS deveria ser de mais de 500%. “Precisa para, pelo menos, equilibrar; que nós não precisássemos estar pedindo mais dinheiro para ninguém”, explica o presidente do sindicato. Ele acrescenta outros custos adicionais que surgiram desde a criação da tabela, como exigências de laudos e readequações da equipe.

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Próximos passos

Celso Teixeira enxerga o fato de 2026 ser um ano eleitoral como uma oportunidade para levantar as necessidades da rede e apresentar aos candidatos a diferentes cargos políticos. Nesta quinta-feira, 23, uma assembleia será realizada na Santa Casa de Porto Alegre reunindo representantes de todos os hospitais filantrópicos do Estado, a fim de discutir as ações que serão tomadas e a construção de um relatório com as demandas.

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“A nossa maneira de pressão é exatamente essa: é levantar relatórios e colocar para os entes políticos, para poder ver se conseguimos lograr êxito no entendimento. Porque, na verdade, o nosso setor aprendeu a ser sofrido. Acabamos sempre fazendo as coisas e atingindo os objetivos, para que o paciente lá na ponta não seja prejudicado”, frisa.

Na esfera política, são debatidos projetos que ofereçam a securitização de dívidas hospitalares. No Rio Grande do Sul, o então deputado estadual Airton Artus (PDT) apresentou proposta que previa a medida. A nível nacional, foi apresentado projeto semelhante pelo deputado federal Afonso Motta, também do PDT gaúcho. Atualmente, o texto está em análise na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados.

Confira a entrevista com Celso Teixeira na íntegra

Colaboraram Lucas Malheiros e Marcio Souza

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