Este não é um texto produzido com ajuda de inteligência artificial. Não há nenhuma linha escrita ou ideia desenvolvida a partir do ChatGPT ou coisa semelhante. Como hoje em dia torna-se cada vez mais difícil distinguir o que é do que não é, resolvi começar com esse esclarecimento. Nada contra a tecnologia, certamente ela é inevitável, incontornável e valiosa em muitos aspectos. Mas não para os meus interesses aqui, especificamente.

Há um temor disseminado, latente ou explícito, de que a inteligência artificial passe a pensar no lugar de seus usuários. Claro que isso só acontecerá se eles permitirem; se, em nome do conforto ou da chamada “praticidade”, delegarem à tecnologia tarefas que eles mesmos são capazes de executar. A questão é que o pensamento é uma atividade não raro trabalhosa, exige esforço e concentração, e nem todos estão sempre dispostos. A tentação de “terceirizá-lo”, portanto, é grande.

LEIA MAIS: Olhos para sobreviver

Publicidade

E não seria novidade de forma nenhuma. Terceirizar o pensamento, deixar que outras figuras ou instâncias reflitam por nós, é um comportamento social milenar. A História está repleta de líderes e chefes tratados como ídolos, escolhidos e apoiados por populações que desejaram, acima de tudo, alguém que lhes dissesse o que deviam pensar e como. Que os libertasse desse fardo, do incômodo de se debruçar todos os dias sobre uma realidade invariavelmente complexa e multifacetada.

Para tanto, o líder – sobretudo o autocrático, aquele que concentra todo poder na sua icônica figura – oferece respostas simples e reconfortantes, as quais reduzirão o espectro de cores a basicamente duas: branco e preto, bom e ruim. Uma vez definidas as ideias ou conceitos que devem ou não ser pensados, sem vacilações irritantes, o mundo e o universo tornam-se extremamente fáceis de entender.

LEIA TAMBÉM: Erro de avaliação

Publicidade

E uma vez que diversos cidadãos entregaram suas faculdades de pensar/julgar para o líder, eles o acompanharão e aplaudirão até mesmo quando falhar, quando levar sua própria comunidade à ruína, por mais degradantes que sejam os motivos. Exemplos na História não faltam.

Então nada de espantoso se, além de lideranças políticas e religiosas, “personalidades”, influenciadores da internet e outros formadores de opinião, a IA passe a desempenhar a tarefa de pensar em nosso lugar. É um cenário possível.

Mas há outro cenário: em que utilizamos a IA para chegar a resultados ainda não alcançados, em que aprimoramos nossas capacidades. E entendemos que usá-la simplesmente para abreviar esforços significa, ao mesmo tempo, demonstrar que somos descartáveis. E totalmente substituíveis.

Publicidade

LEIA MAIS TEXTOS DE LUIS FERNANDO FERREIRA

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Publicidade

Lavignea Witt

Me chamo Lavignea Witt, tenho 25 anos e sou natural de Santiago, mas moro atualmente em Santa Cruz do Sul. Sou jornalista formada pela Universidade Franciscana (UFN), pós-graduada em Jornalismo Digital e repórter multimídia na Gazeta Grupo de Comunicações.

Share
Published by
Lavignea Witt

This website uses cookies.