Jasper

Bem-vindos à temporada da ilusão

Bem-vindos à temporada da ilusão. É isso mesmo! Não se trata de engano de digitação, devaneio ou deboche. Somos recém-chegados à época em que o sonho vai embaçar a realidade, fazendo com que nos tornemos escravos das quimeras do cotidiano. O massacre da mídia, a ansiedade à beira da depressão diante dos problemas do cotidiano e a falta de esperança nos empurram para o festival de devaneios.

O primeiro impacto de ilusão nos atingirá no campo esportivo. Começou domingo, 31, com a exibição da seleção brasileira que, me desculpem, me recurso a grafar com letras iniciais em maiúsculo. A goleada de 6 a 2 contra o Panamá, 33º no ranking da Fifa. O Brasil é o sexto colocado.

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O clima de festa do tipo “já ganhou” e de condição de “supertime” produzido pelo sistema Globo de comunicação não surpreende, mas causa indignação. Ao longo da fase de disputa das eliminatórias à Copa o Brasil se mostrou um time frágil, repleto de craques mimados e tatuados que se tornaram celebridades nas redes sociais ao invés dos campos. Mesmo com o badaladíssimo Carlo Ancelotti, perdemos para o Japão.

A pressão do marketing e da publicidade empurram os veículos de comunicação a vender uma imagem ilusória, irreal, distante da realidade das chances do nosso selecionado. A maioria dos nossos “craques” são coadjuvantes nos clubes onde jogam.

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Depois dos devaneios da Copa do Mundo, iremos mergulhar na temporada de promessas e realização de milagres que compõem o período da campanha eleitoral. Nessa altura, prezados leitores, a criatividade não terá limites. 

Veremos candidatos a deputado estadual legislando em nível federal, pretendentes ao Senado com condão de Presidente da República e postulantes ao Palácio do Planalto com poderes de Deus. Não haverá tempo para conferir a veracidade do céu prometido. Quem nunca teve mandato garantirá solução para tudo. Quem está no poder alegará falta de tempo, condições. Vai citar a enchente, as guerras e a pandemia, além da herança maldita. Em termos de “criatividade” (ou mentira?), o céu é o limite.

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Já vimos esse filme inúmeras vezes. E cá entre nós: somos responsáveis pela permanência de determinados personagens nefastos e demagogos. A cada quatro anos temos o poder de confirmar ou cassar o mandato de corruptos, mentirosos e enganadores. Infelizmente boa parcela do eleitorado insiste, achando que o amigo de boteco, compadre ou vereador dos pequenos favores resolverá nossos graves problemas. 

Do mesmo modo vamos vibrar com as primeiras vitórias dos meninos mimados, tatuados e milionários que, na hora decisiva, sucumbirão à responsabilidade. E cairão em pranto, como se viu no constrangedor fiasco dos 7×1 em pleno território nacional. Somos assim mesmo: esperançosos e felizes com a ilusão. Será?

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Gilberto Jasper

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